O PAPAGAIO DE CAFETA
Enviado: 07 Set 2021, 22:15
A primeira vez em que entrei em um bordel tem data em 1980, o que resulta em 41 anos de vida libertina. Conheci os últimos suspiros da Casa Rosa (em Laranjeiras), vivenciei fodas magníficas na Termas Maracanã (que ficava em frente à majestosa estátua de Bellini), testemunhei puteiros nascerem e morrerem. Nessas quatro décadas como cliente, nunca criei amizade próxima com cafetões. Aqui no GPArena, percebo que são poucos os que frequentam bordeis (não perdem muito atualmente, pois todos eles estão decadentes), é possível que sintam dificuldade em compreender este texto, mas o salão de um bordel sempre foi o meu aquário favorito, algo que encontra explicação nas preferências de uma geração específica de foristas. O bordel é o palco do libertino. Nunca gostei muito de sair com frees, menos ainda de frequentar privês, hábitos que tentei exercer neste ano de 2021.
Por que esta introdução? Digo a você, afeiçoado forista, que mesmo não buscando amizade de cafetões, sempre recebi muita consideração de alguns deles, muitas cortesias e gratuidades no consumo. Talvez, isso tenha ocorrido justamente pela razão de jamais me comportar como um bajulador. Infelizmente, há algum tempo surgiu um personagem asqueroso que batizei como Papagaio de Cafeta. O que seria isso? O Papagaio de Cafeta é o meu extremo oposto, é a criatura que deseja obsessivamente criar vínculos sentimentais com o cafetão, quer ser amigo, irmão, se pudesse seria amante infiel de vários rufiões. É o forista medíocre que não escreve no fórum, mas o monitora para que possa manter o seu estranho objeto do desejo informado sobre quem fala bem ou mal dos estabelecimentos. O Papagaio de Cafeta tem alma de manicure de salão de subúrbio.
— Dante, você não acha que perde tempo escrevendo em fóruns — interromperia o forista que não quer que determinados assuntos venham à tona.
Eu possuo vício de jornalista, a escrita é a minha essência. Não perco tempo porque escrevo 3500 caracteres em menos de cinco minutos, escrevo de improviso e gosto da experiência de praticar a escrita de improviso. São muitas as ocasiões em que escrevo do celular, sentado em um boteco ou esperando o almoço. Mas voltemos ao tema.
Tenho saído muito, rodado muitos puteiros, visto como está o cenário geral da vida mundana do Rio. Esta semana escrevi críticas sobre uma casa do Centro, fui gentil ao não abrir um tópico específico de informações sobre a casa, coloquei minha crítica como enxerto de um TD que fiz em um outro bordel. Para a minha surpresa, algum Papagaio de Cafeta que estava no plantão copiou as críticas e retransmitiu para a gerência da casa que critiquei. O pior vem agora, a gerência enviou áudio para um amigo meu dizendo que eu não seria mais bem-vindo no local devido as críticas que fiz. Veja que absurdo, colega forista. Quer dizer que se eu frequentar um restaurante, não gostar do atendimento, não gostar da comida e escrever isso no Trivago, o gerente do restaurante vai responder que não deseja mais a minha presença? Isso se chama antigestão, uma variante da antigp. Um bom gestor de qualquer negócio irá procurar se desculpar com o cliente, prometer que tentará melhorar a experiência, pedir sugestões, convidar para uma nova visita, isso é um gestor. O antigestor é passional, prefere vetar o cliente a melhorar o negócio.
O que o antigestor não percebe é que o Papagaio de Cafeta é o verdadeiro inimigo, ele quer somente bajular, não quer colaborar com a melhoria da casa daquele a quem bajula. Assim como o BOP é o inimigo das GPs, pois quem só elogia não contribuiu com nada, o Papagaio de Cafeta é o maior sabotador de qualquer bordel. O que interessa ao Papagaio de Cafeta é comer fiado ou abrir conta no puteiro, o resto que se dane. Não, eu não vou por aí. Como citei, tenho vício de jornalista, gosto de informar, gosto de questionar, gosto de ser justo e não me envolvo com a fonte.
O bom da história que conto aqui é vermos que os fóruns ainda têm força, incomodam, repercutem, estão vivos. O bom é ver que foristas honestos fazem a diferença e mantêm a chama acesa. Infelizmente, os maiores bordeis do Rio são casas estagnadas, tocadas por gente sem criatividade, cuja revolução mais recente foi a descoberta da mesa de sinuca. Quem sabe, daqui a alguns anos, montam um fliperama no salão? O mundo evoluiu, a Internet nos transformou, as Redes Sociais mudaram a forma de interação e de publicidade, mas a única inovação do rufião carioca foi comprar um computador para botar no caixa e mesmo assim a conta às vezes vem errada. Se fossem inteligentes, não se envergonhariam de pedir sugestões a clientes como eu, mas preferem o amor prostituído do Papagaio de Cafeta.
Por que esta introdução? Digo a você, afeiçoado forista, que mesmo não buscando amizade de cafetões, sempre recebi muita consideração de alguns deles, muitas cortesias e gratuidades no consumo. Talvez, isso tenha ocorrido justamente pela razão de jamais me comportar como um bajulador. Infelizmente, há algum tempo surgiu um personagem asqueroso que batizei como Papagaio de Cafeta. O que seria isso? O Papagaio de Cafeta é o meu extremo oposto, é a criatura que deseja obsessivamente criar vínculos sentimentais com o cafetão, quer ser amigo, irmão, se pudesse seria amante infiel de vários rufiões. É o forista medíocre que não escreve no fórum, mas o monitora para que possa manter o seu estranho objeto do desejo informado sobre quem fala bem ou mal dos estabelecimentos. O Papagaio de Cafeta tem alma de manicure de salão de subúrbio.
— Dante, você não acha que perde tempo escrevendo em fóruns — interromperia o forista que não quer que determinados assuntos venham à tona.
Eu possuo vício de jornalista, a escrita é a minha essência. Não perco tempo porque escrevo 3500 caracteres em menos de cinco minutos, escrevo de improviso e gosto da experiência de praticar a escrita de improviso. São muitas as ocasiões em que escrevo do celular, sentado em um boteco ou esperando o almoço. Mas voltemos ao tema.
Tenho saído muito, rodado muitos puteiros, visto como está o cenário geral da vida mundana do Rio. Esta semana escrevi críticas sobre uma casa do Centro, fui gentil ao não abrir um tópico específico de informações sobre a casa, coloquei minha crítica como enxerto de um TD que fiz em um outro bordel. Para a minha surpresa, algum Papagaio de Cafeta que estava no plantão copiou as críticas e retransmitiu para a gerência da casa que critiquei. O pior vem agora, a gerência enviou áudio para um amigo meu dizendo que eu não seria mais bem-vindo no local devido as críticas que fiz. Veja que absurdo, colega forista. Quer dizer que se eu frequentar um restaurante, não gostar do atendimento, não gostar da comida e escrever isso no Trivago, o gerente do restaurante vai responder que não deseja mais a minha presença? Isso se chama antigestão, uma variante da antigp. Um bom gestor de qualquer negócio irá procurar se desculpar com o cliente, prometer que tentará melhorar a experiência, pedir sugestões, convidar para uma nova visita, isso é um gestor. O antigestor é passional, prefere vetar o cliente a melhorar o negócio.
O que o antigestor não percebe é que o Papagaio de Cafeta é o verdadeiro inimigo, ele quer somente bajular, não quer colaborar com a melhoria da casa daquele a quem bajula. Assim como o BOP é o inimigo das GPs, pois quem só elogia não contribuiu com nada, o Papagaio de Cafeta é o maior sabotador de qualquer bordel. O que interessa ao Papagaio de Cafeta é comer fiado ou abrir conta no puteiro, o resto que se dane. Não, eu não vou por aí. Como citei, tenho vício de jornalista, gosto de informar, gosto de questionar, gosto de ser justo e não me envolvo com a fonte.
O bom da história que conto aqui é vermos que os fóruns ainda têm força, incomodam, repercutem, estão vivos. O bom é ver que foristas honestos fazem a diferença e mantêm a chama acesa. Infelizmente, os maiores bordeis do Rio são casas estagnadas, tocadas por gente sem criatividade, cuja revolução mais recente foi a descoberta da mesa de sinuca. Quem sabe, daqui a alguns anos, montam um fliperama no salão? O mundo evoluiu, a Internet nos transformou, as Redes Sociais mudaram a forma de interação e de publicidade, mas a única inovação do rufião carioca foi comprar um computador para botar no caixa e mesmo assim a conta às vezes vem errada. Se fossem inteligentes, não se envergonhariam de pedir sugestões a clientes como eu, mas preferem o amor prostituído do Papagaio de Cafeta.