DIA 07/04/24 – O CENTENÁRIO DA RESPOSTA HISTÓRICA – VOCÊ SABE O QUE ISSO SIGNIFICA?
Enviado: 07 Abr 2024, 01:38
Neste domingo, 7 de abril de 2024, a Resposta Histórica do Vasco completa 100 anos. Em 1924, um ano após a conquista do primeiro Campeonato Carioca, o clube marcava seu nome na história ao se posicionar contra a discriminação racial e social no esporte.
Mas o que foi a “Resposta Histórica” e qual é a sua relevância sócio-esportiva, e até mesmo os seus desdobramentos políticos décadas mais tarde?
O Contexto social do Brasil no início da República era de extrema marginalização e discriminação social, sobretudo da população negra, ocorrida não apenas pelas precárias condições implementadas pelo nosso abolicionismo, mas pelo fluxo migratório e incipiente processo de industrialização econômica brasileira contrastada ainda com a representativa economia agrícola nacional.
A luta vascaína contra o preconceito vinha desde os tempos do Remo. Em 1907, o Vasco já havia lutado contra a discriminação social. Multicampeão na modalidade utilizando atletas que conciliavam a vida trabalhando como zeladores e atendentes de comércio, o Cruzmaltino enfrentou um regulamento que queria vetar que atletas de profissões consideradas 'menos dignas' pudessem competir.
Trazido por ingleses para o Brasil no final do século XIX, o futebol ainda nas primeiras décadas do século XX era praticado somente pelas pessoas pertencentes às elites sociais.
Nas equipes de menor expressão, o Vasco encontrou atletas promissores e de origem humilde, que ganharam a oportunidade de mostrar seu talento nos campos com a Cruz de Malta no peito. Na época, a maior parte da população carioca era analfabeta, o que era um dos empecilhos para jogar futebol profissionalmente. Além disso, a regra do Remo foi trazida para o mundo da bola, impedindo que os atletas tivessem outras profissões.
Para resolver o caso, o Vasco iniciou um processo de alfabetização básica dos atletas e juntou valores dos associados para pagar salários a esses desportistas a partir dos anos 20. Esses gestos são considerados por muitos como o início da profissionalização do esporte no Brasil.
Em 1923, contra todas as expectativas e preconceitos da sociedade da época, o Vasco mostrou que a paixão pelo futebol não tinha cor, classe ou alfabetização. Os Camisas Negras eram formados por jogadores pretos, pobres, operários e imigrantes, muitos analfabetos, que, juntos, deram ao clube seu primeiro título de Campeão Carioca. Esta conquista não foi apenas uma vitória esportiva, mas um marco na luta contra a segregação racial. Até então, somente os clubes ligados às elites da época haviam se sagrado campeões do Rio de Janeiro, sempre com equipes formadas por jogadores brancos.
Após o Vasco vencer o Campeonato Carioca de 1923, em seu primeiro ano na elite carioca, com uma equipe formada por negros e pobres em sua maioria, América, Bangu, Botafogo, Flamengo e Fluminense romperam com a Liga Metropolitana e se reuniram para a fundação da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA).
A AMEA aceitou a inscrição do Vasco desde que o clube excluísse 12 de seus jogadores, sendo sete da equipe principal e cinco do segundo quadro. Em sua maioria, atletas negros e pertencentes às camadas populares da sociedade. A resolução da entidade colocava o Vasco, atual campeão carioca, em desvantagem em relação aos fundadores da nova liga.
O Vasco se recusou a excluir seus jogadores e elaborou a Resposta Histórica no dia 7 de abril de 1924. No ano passado, no aniversário de 99 anos da carta, o Centro de Memória do clube preparou um documento digital com vários elementos sobre o feito do Vasco — inclusive, com o ofício escrito por Arnaldo Guinle.
No documento digital, (Leia a reprodução abaixo), o Vasco afirma que esta parte do ofício da AMEA expõe um preconceito explícito com o clube, que era visto como um "somente de portugueses, sem negros," e que os dirigentes tinham interesse "em estigmatizar o Cruzmaltino como um clube contra as equipes brasileiras".
É importante frisar que o CRVG não foi o pioneiro a atuar com negros na sua equipe de futebol, pois quase na mesma época algumas outras agremiações já utilizavam, como por exemplo o Bangu, formado basicamente por operários que laboravam na fábrica de tecidos daquele bairro.
O posicionamento adotado pela AMEA não era fundamentado somente pelo fato de o Vasco utilizar negros na sua equipe, mas o que realmente incomodava as elites era o fato de haver uma equipe de negros vencedores.
Foi a mesma reação observada na expressão facial do capataz da fazenda escravocrata do filme Django Livre, ao ver um negro montado num cavalo...
O Vasco com a sua postura iria antecipar algo que se observaria com mais nitidez na esfera política décadas mais tarde, ao antecipar uma “luta de classes”.
Esta luta não foi em vão. Os Camisas Negras, com seu talento e resiliência, pavimentaram o caminho para muitos outros atletas que, independentemente de sua origem ou cor da pele, sonhavam em brilhar no futebol. Sem esse pioneirismo, nomes como Pelé, Garrincha, Jairzinho, Romário, e tantos outros não teriam surgido. O legado destes jogadores se estende muito além das quatro linhas, inspirando o país a enfrentar o racismo e promovendo a inclusão e a diversidade.
SAUDAÇÕES VASCAÍNAS!!!

A luta vascaína contra o preconceito
https://www.supervasco.com/noticias/a-l ... A7%C3%B5es.
No próximo domingo, 7 de abril, a Resposta Histórica completa 100 anos
https://www.supervasco.com/noticias/no- ... 88930.html
Vasco inicia celebrações pelos 100 anos da Resposta Histórica
https://vasco.com.br/vasco-inicia-celeb ... historica/
Luiz Antônio Simas fala sobre a Resposta Histórica; vídeo
— Eu coloco a Resposta Histórica como um evento fundamental da história do Brasil.
https://www.supervasco.com/noticias/lui ... 89052.html
Câmara aprova dia da "Resposta Histórica" do Vasco em calendário do Rio
https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ ... do-rio.htm
Jornalista diz que sua filha rubro-negra passou a torcer pelo Vasco após conhecer a história do clube
https://www.netvasco.com.br/n/308892/jo ... a-do-clube
BLOG Memória do Torcedor Vascaíno
https://memoriadotorcedor.blogspot.com/
República Brasileira. de Deodoro a Bolsonaro - 2ª Edição
https://www.amazon.com/Rep%C3%BAblica-B ... 6599439276
"É POR ISSO QUE O VASCO INCOMODA TANTO" | CORTES DO GARONE
https://www.youtube.com/watch?v=kJ4zCQnHfl0
'1898 em diante', o livro que conta a história do futebol do Vasco
https://twitter.com/BlogDoGarone/status ... 5568843779
ALERJ APROVA DIA CONTRA O RACISMO NO FUTEBOL
https://www.alerj.rj.gov.br/Visualizar/ ... eSupport=1
Onde estão Malta e Amarildo?
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2 ... rildo.html
VASCO: AMAZON VAI DIVULGAR NOVIDADES SOBRE FILME DOS CAMISAS NEGRAS
https://onefootball.com/es/noticias/vas ... s-38290005
Mas o que foi a “Resposta Histórica” e qual é a sua relevância sócio-esportiva, e até mesmo os seus desdobramentos políticos décadas mais tarde?
O Contexto social do Brasil no início da República era de extrema marginalização e discriminação social, sobretudo da população negra, ocorrida não apenas pelas precárias condições implementadas pelo nosso abolicionismo, mas pelo fluxo migratório e incipiente processo de industrialização econômica brasileira contrastada ainda com a representativa economia agrícola nacional.
A luta vascaína contra o preconceito vinha desde os tempos do Remo. Em 1907, o Vasco já havia lutado contra a discriminação social. Multicampeão na modalidade utilizando atletas que conciliavam a vida trabalhando como zeladores e atendentes de comércio, o Cruzmaltino enfrentou um regulamento que queria vetar que atletas de profissões consideradas 'menos dignas' pudessem competir.
Trazido por ingleses para o Brasil no final do século XIX, o futebol ainda nas primeiras décadas do século XX era praticado somente pelas pessoas pertencentes às elites sociais.
Nas equipes de menor expressão, o Vasco encontrou atletas promissores e de origem humilde, que ganharam a oportunidade de mostrar seu talento nos campos com a Cruz de Malta no peito. Na época, a maior parte da população carioca era analfabeta, o que era um dos empecilhos para jogar futebol profissionalmente. Além disso, a regra do Remo foi trazida para o mundo da bola, impedindo que os atletas tivessem outras profissões.
Para resolver o caso, o Vasco iniciou um processo de alfabetização básica dos atletas e juntou valores dos associados para pagar salários a esses desportistas a partir dos anos 20. Esses gestos são considerados por muitos como o início da profissionalização do esporte no Brasil.
Em 1923, contra todas as expectativas e preconceitos da sociedade da época, o Vasco mostrou que a paixão pelo futebol não tinha cor, classe ou alfabetização. Os Camisas Negras eram formados por jogadores pretos, pobres, operários e imigrantes, muitos analfabetos, que, juntos, deram ao clube seu primeiro título de Campeão Carioca. Esta conquista não foi apenas uma vitória esportiva, mas um marco na luta contra a segregação racial. Até então, somente os clubes ligados às elites da época haviam se sagrado campeões do Rio de Janeiro, sempre com equipes formadas por jogadores brancos.
Após o Vasco vencer o Campeonato Carioca de 1923, em seu primeiro ano na elite carioca, com uma equipe formada por negros e pobres em sua maioria, América, Bangu, Botafogo, Flamengo e Fluminense romperam com a Liga Metropolitana e se reuniram para a fundação da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA).
A AMEA aceitou a inscrição do Vasco desde que o clube excluísse 12 de seus jogadores, sendo sete da equipe principal e cinco do segundo quadro. Em sua maioria, atletas negros e pertencentes às camadas populares da sociedade. A resolução da entidade colocava o Vasco, atual campeão carioca, em desvantagem em relação aos fundadores da nova liga.
O Vasco se recusou a excluir seus jogadores e elaborou a Resposta Histórica no dia 7 de abril de 1924. No ano passado, no aniversário de 99 anos da carta, o Centro de Memória do clube preparou um documento digital com vários elementos sobre o feito do Vasco — inclusive, com o ofício escrito por Arnaldo Guinle.
No documento digital, (Leia a reprodução abaixo), o Vasco afirma que esta parte do ofício da AMEA expõe um preconceito explícito com o clube, que era visto como um "somente de portugueses, sem negros," e que os dirigentes tinham interesse "em estigmatizar o Cruzmaltino como um clube contra as equipes brasileiras".
É importante frisar que o CRVG não foi o pioneiro a atuar com negros na sua equipe de futebol, pois quase na mesma época algumas outras agremiações já utilizavam, como por exemplo o Bangu, formado basicamente por operários que laboravam na fábrica de tecidos daquele bairro.
O posicionamento adotado pela AMEA não era fundamentado somente pelo fato de o Vasco utilizar negros na sua equipe, mas o que realmente incomodava as elites era o fato de haver uma equipe de negros vencedores.
Foi a mesma reação observada na expressão facial do capataz da fazenda escravocrata do filme Django Livre, ao ver um negro montado num cavalo...
O Vasco com a sua postura iria antecipar algo que se observaria com mais nitidez na esfera política décadas mais tarde, ao antecipar uma “luta de classes”.
Esta luta não foi em vão. Os Camisas Negras, com seu talento e resiliência, pavimentaram o caminho para muitos outros atletas que, independentemente de sua origem ou cor da pele, sonhavam em brilhar no futebol. Sem esse pioneirismo, nomes como Pelé, Garrincha, Jairzinho, Romário, e tantos outros não teriam surgido. O legado destes jogadores se estende muito além das quatro linhas, inspirando o país a enfrentar o racismo e promovendo a inclusão e a diversidade.
SAUDAÇÕES VASCAÍNAS!!!
A luta vascaína contra o preconceito
https://www.supervasco.com/noticias/a-l ... A7%C3%B5es.
No próximo domingo, 7 de abril, a Resposta Histórica completa 100 anos
https://www.supervasco.com/noticias/no- ... 88930.html
Vasco inicia celebrações pelos 100 anos da Resposta Histórica
https://vasco.com.br/vasco-inicia-celeb ... historica/
Luiz Antônio Simas fala sobre a Resposta Histórica; vídeo
— Eu coloco a Resposta Histórica como um evento fundamental da história do Brasil.
https://www.supervasco.com/noticias/lui ... 89052.html
Câmara aprova dia da "Resposta Histórica" do Vasco em calendário do Rio
https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ ... do-rio.htm
Jornalista diz que sua filha rubro-negra passou a torcer pelo Vasco após conhecer a história do clube
https://www.netvasco.com.br/n/308892/jo ... a-do-clube
BLOG Memória do Torcedor Vascaíno
https://memoriadotorcedor.blogspot.com/
República Brasileira. de Deodoro a Bolsonaro - 2ª Edição
https://www.amazon.com/Rep%C3%BAblica-B ... 6599439276
"É POR ISSO QUE O VASCO INCOMODA TANTO" | CORTES DO GARONE
https://www.youtube.com/watch?v=kJ4zCQnHfl0
'1898 em diante', o livro que conta a história do futebol do Vasco
https://twitter.com/BlogDoGarone/status ... 5568843779
ALERJ APROVA DIA CONTRA O RACISMO NO FUTEBOL
https://www.alerj.rj.gov.br/Visualizar/ ... eSupport=1
Onde estão Malta e Amarildo?
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2 ... rildo.html
VASCO: AMAZON VAI DIVULGAR NOVIDADES SOBRE FILME DOS CAMISAS NEGRAS
https://onefootball.com/es/noticias/vas ... s-38290005