BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ

*** Peço desculpas aos ilustres Foristas. Estou colocando em dia uma série de relatos que ficaram acumulados. Mas cá estou, de volta, um correspondente sexual da guerra urbana, pronto para reportar os absurdos da vida de um libertino com a dignidade de quem perdeu quase tudo, menos o espírito de aventura. Inauguro aqui o TD “Dois em Um”, onde só vale um. ***
O COMEÇO
Meu pênis, honestamente, parece uma daquelas múmias mofadas que você encontra num museu egípcio administrado por um governo local sem orçamento. Está, digamos, clinicamente morto — mas de vez em quando dá uns espasmos, como se protestasse contra a própria situação. Acontece que, tecnicamente, ele ainda pertence a um corpo que insiste em viver, contra todas as evidências de que já passou da validade. Então ele fica lá, vegetando, meio esquecido, cumprindo suas funções biológicas básicas, um funcionário público encalhado numa repartição abandonada.
Depois de caminhar metade da Avenida Rio Branco — o que, para mim, equivale à travessia do Saara comendo Batatas Ruffles — cheguei ao Clube 13, ali perto das floriculturas, me sentindo um octogenário que acabou de completar uma maratona sem saber que estava inscrito. Juro que por um segundo achei que uma vendedora da Camélia estava me oferecendo uma coroa de flores, e não um buquê. Pensei: “Pronto, é um presságio. Morri e ninguém me avisou. Isso aqui é meu próprio velório e eu sou o único convidado que chegou vivo.”
Na boate, o de sempre: mulheres de biquíni exibindo uma confiança que eu só teria com três doses de morfina, homens com olhos de vira-lata faminto — daqueles que esperam que alguém jogue uma coxinha no chão —, cerveja com a temperatura de um banho morno de ofurô e, claro, aquela penumbra que lembrava menos uma boate e mais uma masmorra medieval da Transilvânia em dia de blackout.
E lá estava eu, imóvel, com a postura social de um poste e a expressão de um Conde Drácula recém-acordado da sua centésima tentativa fracassada de parecer assustador num filme dublado da Sessão da Tarde.
Entediado — como sempre, aliás, meu estado natural —, escolhi uma morena jambo que se apresentou como Tieta. Subimos. Ela sorriu, disse um "só um minutinho" e desapareceu, como se tivesse uma reunião urgente com o Conselho Administrativo do Bordel.
O MEIO
Fiquei lá, parado, olhando ao redor, meio que querendo encontrar um baralho abandonado para jogar Paciência — que, francamente, é o esporte mais compatível com meu talento social. Mas não tinha nada. Só eu, minha ansiedade, e uma decoração que parecia feita para torturar claustrofóbicos.
Tieta voltou para o quarto triunfante, com um pênis de silicone amarrado na cintura e apontado na minha direção com a determinação de um general romano. Eu, por reflexo, arregalei os olhos como se tivesse visto Calígula em pessoa gargalhando do além. E aí, claro, ela interpretou tudo errado — e disse, animada: “Gostou da surpresa, né, safadinho?” — Safadinho. Isso vindo de alguém que empunhava uma prótese do tamanho de um microfone de karaokê.
Minha vontade foi correr — juro por tudo que me resta de dignidade —, mas metade das minhas pernas tinha ficado na travessia da Avenida Rio Branco, e a outra metade estava paralisada de puro terror metafísico. Tentei explicar, com a diplomacia de um embaixador suíço, que aquela não era exatamente a minha fantasia erótica preferida. Ou, para ser mais exato, nem sequer figurava no meu top 300.
Foi nesse momento, diante da moça com o artefato bélico amarrado à cintura, que percebi: ela estava com a urgência de quem precisa introduzir aquele objeto maciço no primeiro orifício distraído que aparecer — como se fosse uma missão dada por alguma seita de fanáticos. Meu instinto de sobrevivência, que costuma demorar uns dois dias úteis para reagir, finalmente entrou em ação.
Preferi tentar um armistício: sugeri, com toda a elegância possível, que ela me fizesse um boquete. Diplomacia oral, digamos. Ela topou. Fez. Eu não gozei — o que não é raro, considerando que meu cérebro costuma supervisionar o sexo com o rigor de um auditor da Receita Federal.
O tempo terminou, e eu saí de fininho, elogiando o atendimento com a falsidade de um crítico gastronômico num rodízio de salsicha enlatada. Prometi voltar ——, torcendo para que ela não me golpeasse pelas costas como um Brutus moderno, só que com um pênis de silicone.
Livre, leve e absolutamente aliviado após a fuga — um prisioneiro que descobre que a cela estava destrancada o tempo todo —, sentei-me no Opus Bar e pedi um chope que chegou tão gelado que parecia ter sido extraído direto das mamas de uma mamute em suspensão criogênica.
O FIM
Com a mão ainda trêmula, comecei a vasculhar novas opções no celular, num misto de esperança e comportamento compulsivo. E então a vi: Pamela, uma ninfa do PhotoAcompanhante. Aquelas fotos tinham a capacidade de ressuscitar até dois Lázaros em estado de putrefação.
Fiz contato. Ela respondeu. Tudo fluiu tão bem que, por um instante, suspeitei de alguma pegadinha envolvendo câmeras escondidas. Mesmo assim, marquei o encontro num hotel não muito distante — porque o trauma na Avenida Rio Branco já havia me convencido a respeitar os limites do meu sistema circulatório —, peguei um táxi e fui esperá-la no local, torcendo para que desta vez o universo não decidisse zombar de mim em público.
Enquanto esperava, confesso que rezei. Não uma oração formal, mas algo mais próximo de uma súplica desesperada: "Por favor, Deus, Buda, Zeus, qualquer entidade disponível, se for para acontecer alguma surpresa hoje, que seja uma promoção de chope em dobro. Porque se entrar outro pênis de silicone por aquela porta, acho que vou ter que ser internado. E não num sanatório qualquer — num daqueles antigos, com sessões diárias de eletrochoque, camisa de força e aulas de aquarela."
Pamela chegou — jovial, bela, quase etérea. Uma daquelas criaturas que fazem você acreditar, ainda que por breves minutos, que a existência tem lá seus lampejos de sentido. Impossível decepcionar.
Ela era como um pedido atendido feito num guardanapo de bar, como se o universo, por um instante raro e inexplicável, tivesse resolvido me dar razão. Sentei-me ali e fiquei contemplando, com a serenidade de quem sobreviveu a um apocalipse erótico com sequelas mínimas.
Nossos corpos se atracaram com a urgência de dois náufragos que confundiram luxúria com boia salva-vidas. As bocas se encontraram, se beijaram, e nossas peles — surpreendentemente colaborativas — não recuaram diante da fricção. Foi intenso. Quase espiritual.
E então, no auge do delírio, ejaculei com tanta força que, honestamente, temo ter contribuído involuntariamente para a poluição orbital. Há uma chance real de que meus espermatozoides estejam, neste momento, fazendo manobras evasivas entre os satélites da Starlink, numa missão suicida rumo ao desconhecido. Elon Musk que me perdoe.
Às vezes, entre um pênis de silicone hostil e uma cerveja criogênica, a vida presta. Começava a anoitecer, sincronizei o celular com os meus aparelhos auditivos e embarquei no metrô...
BEE GEES