20 de Janeiro de 2020 às 12:50
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

DISSE QUE FAZ

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM

O Sucatão deslizava em velocidade de cruzeiro numa Av. Presidente Vargas livre de trânsito. Dentro do carro, o volume do som era alto, emitindo batidas que faziam estremecer o volante. Le Bouche me injetava adrenalina com Tonight Is The Night. O céu carregado lançava uma chuva fina contra o para-brisa. Um sentimento de extrema liberdade entrava pela janela, junto com a brisa morna cheirando a maresia que vinha do Porto Maravilha. Uma noite romântica demais para quem já desistiu do romance. Há a idade do amor, a idade da razão e a idade do vampiro. Vampiros são velhos e não amam. Vivemos para o prazer fugaz que nos torna imortais enquanto vivemos.

Estaciono na rua Buenos Aires, próximo a Av. Rio Branco. O libertino que enfrenta os bordeis do Centro da Cidade precisa, antes de tudo, saber que irá praticar o alpinismo na mesma proporção em que faz sexo. São sobrados caquéticos com escadas intermináveis. Alguns, nos causam a sensação de que já gozamos quando alcançamos o topo. Vou caminhando sem saber ao certo meu pouso, as opções já não são muitas e por isso a dúvida é mais persistente. Faço uma pausa na esquina da Presidente Vargas com Uruguaiana, ao lado da Universidade Estácio, peço um churrasquinho e uma cerveja. Do outro lado da rua, vejo um toldo verde iluminado, o movimentado clube 210, seria ali minha visita.

Como cabra faminta em busca de alimento, subo os degraus que levam ao inferninho. Acredite, Forista sem Fé, os bordéis do Centro não são uma descida ao Inferno, são nossa ascensão. Para entrar na 210 o afeiçoado leitor deve ter em vista que precisará enfrentar uma turba extasiada que se espreme num diminuto espaço dedicado à luxúria em seu estado mais puro. É uma espécie de batalha campal entre os que buscam uma satisfação que dura poucos segundos, mas que nos torna alheios ao mundo exterior.

Começo a beber e o álcool que tempera as minhas veias me fazem ver mais brilho em tudo, fazendo com que a beleza passe a existir onde nunca existiu. Avisto uma mulata num biquíni cavado, corpo perfeito, sensualidade pulsante. Eu me aproximo dela e ofereço uma cerveja. Ela bebe a primeira garrafa, a segunda, a terceira e passa a se esfregar em mim como uma serpente cujo veneno eu desejo beber. Mirela é seu nome e chamá-la à alcova foi inevitável.

Há um detalhe relevante na 210, se você acrescentar mais 30 reais ao tempo que escolher, é possível ficar numa suíte com mais conforto. Foi o que fiz. No quarto, Mirela tira a roupa e expõe seu corpo impecável e pronto para o pecado. Linda. A bunda faz o destaque máximo da perfeição, dura, esférica e empinada. Beijos de língua, corpos enroscados, coxas que se embolam. Chupei a vagina úmida da garota até sentir a boca dormente. De quatro, ela me oferece seus domínios mais íntimos e em penetro com vontade de descobrir o último suspiro. Um gozo potente me leva ao nocaute.

Pego seu telefone e me despeço.

Ao chegar ao Sucatão, começo a escrever um poema inteiro que me veio à mente:

Chuva fina, uma fria garoa,
Atravesso a Central, Gamboa,
Deixo o carro a passos largos, com pressa.
Chego à Rio Branco sob promessa,
Com a paixão condenada das ruelas.
Meus pés ofegantes acham o tal beco,
Lugarejo estreito, árido, seco.
Moradia oculta das Cinderelas,
Doce oásis é o Beco das Mazelas.

Rompo os degraus da apertada viela,
Descubro um salão, sagrada capela.
Névoa, sons, aromas, uma aquarela
Onde meus olhos pisam com cautela.
Um brilho vem com o prenúncio: é ela!
Diz o antigo latim que é a sábia,
Mas para o meu coração é a bela.
Na penumbra, como a luz de uma vela,
Reluz no escuro a linda Mirela.

Eu me confesso num beijo tesudo.
Rezo ao teu corpo, ofídio desnudo.
Bebo teu cheiro, perfume da tarde;
Respiro teu gosto, veneno que arde.
Meu ego faminto cresce ao teu toque,
Invado o teu sexo, ondas de choque.

Viajamos juntos ao prazer extremo,
Aprendi contigo o gozo supremo.
Gozar assim é como ver a morte,
Dois náufragos soltos à própria sorte.
Vejo na penumbra a luz de uma vela,
Reluz no escuro a linda Mirela.


Ligo o rádio e o som de Nirvana preenche o céu da noite cinza com Smells Like Teen Spirit...