30 de Janeiro de 2020 às 11:51
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM

Acredite, forista sem fé, um libertino não é aquele que nunca se apaixona, um libertino é aquele que vive infinitas paixões até que a morte o separe do seu inevitável destino, a solidão. Não, não pense que é a solidão dos melancólicos ou dos covardes, a solidão do libertino é uma sede irrefreável pela vida, pela descoberta, pela experiência, pela aventura. O rádio do Sucatão tocava Eurythmics quando estacionei, o som de I Saved the World Today transpirava em batidas incontidas que faziam trepidar a cabine do carro. Piso com minhas botas pela rua Mayrink Veiga, a noite era densa. As esquinas sombrias e desertas só revelariam seus mistérios aos caminhantes destemidos, à procura de respostas ou furtivos encontros.

Eu havia decidido a subir os incontáveis degraus do sobrado 210 da rua Uruguaiana. Como sempre, o pequeno espaço da boate estava lotado, acredito que nem um átomo a mais conseguiria se acomodar ali quando cheguei. Mulheres dançavam, cantavam, sondavam. A noite nos bordéis é um encontro entre predadores, os que procuram um corpo quente como objeto de deleites e as que buscam o dinheiro que corrompe. Não era possível se movimentar muito dentro da boate, cada cidadão que entrava ali se juntava a um bloco imóvel, a turba faminta. A fumaça do cigarro subia, a respiração daquele ar de bebida e fumo parecia excitar os momentos de degradação pulmonar. Dou três passos à frente, dois passos à trás, uma cotovelada à esquerda, um esbarrão a direita. A 210 é o beco da luxúria.

De repente, percebo um olhar, quase como se fosse um pressentimento. Uma mulher de pele bem clara, olhos que refletiam um tom dourado, coberta precariamente por um biquíni ousadíssimo, cabelos longos que escorriam pelos ombros e pelas costas, uma tatuagem de borboleta entre os seios mais que perfeitos, coxas grossas e torneadas e barriga que se dividia em gomos trabalhados em alguma academia. Sua aparência revelava uma obra renascentista, linda, lindíssima. Não parava de me olhar, como quem quisesse estabelecer um flerte. Ela conseguiu, chamou a minha atenção. Não há nada de mais sedutor do que um flerte dentro do puteiro, são poucas as damas noturnas que possuem essa intuição, a valiosa habilidade de criar ilusão.

Aproximo-me e pergunto seu nome.

– Clara. E o seu?

– Dante.

Pego uma cerveja e brindamos antes do primeiro gole. Clara é hipnotizante. O rosto de textura imaculada, em contraste com a íris dourada dos olhos determinados, faz o coração de qualquer promíscuo estremecer. Eu não me sentia disposto a fazer programa dentro da 210 e perguntei se ela toparia algo fora. Responde que sim, por 200 reais. Concordei...

Desci e a esperei na calçada em frente da boate. Não demorou para que ela surgisse num vestido vinho, justo e sexy. Fomos jutos, de mãos dadas, até o Sucatão. Soprava uma brisa morna de maresia do Porto Maravilha, o que tornava o momento ainda mais inebriante. Dentro do carro, já em movimento, liguei o rádio numa dessas estações de flash back, o velho som do Enigma inundou nossos ouvidos com Sadeness. Numa reação que me surpreendeu, a menina começou a rebolar sentada, passando as mãos pelo próprio corpo e puxando a parte de cima do vestido, deixando à mostra aqueles seios góticos, pontudos e envergados para o alto. Lançou as mãos nas minhas pernas, apertando e arranhando, até que passou a tentar afrouxar meu cinto da calça, livrando o meu combalido pênis da prisão moral, mergulhando a boca num boquete rodoviário. Clara é mais do que uma fêmea, é um vídeo pornô.

Sem conseguir raciocinar, virei o carro na rua Cândido Mendes e aportei no matadouro de gerações antigas, o Motel Alameda.

Dentro do quarto, a ejaculação precoce ameaçava meu desempenho como se fosse mau agouro de algum profeta invejoso. Clara tira a pouca roupa e nos embolamos no colchão como dois viajantes num deserto, há dias sem água. Beijos de língua, troca de saliva, lábios queimando. Ela fica de quatro, se empina e diz que quer dar o cu para mim. Sim, afeiçoado leitor, ajoelhei, rezei e comi. Um manjar. Foi um gozo intenso, de corpo e alma.

Na volta, ela me pede que a deixe novamente na 210. Cumpri o pedido. Clara é um flash sexual. O Sucatão desliza pela av. Presidente Vargas, nossa bússola mira o horizonte da pista, nossa rota é a próxima página, a próxima ousadia. Resistir é inútil...