BEIJO
NãO
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO
ANAL
NãO
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO
– Dante! Salva o disco! Salva o disco, porra!
– Deixa primeiro eu ajudar você, Teixe – retruquei.
– Esquece. Primeiro salva o disco, eu sou secundário.
Para nossa sorte, consegui salvar o disco e o Teixeirinha. Que eu me lembre, Teixeirinha é meu amigo desde o ventre, é do tipo de amizade que não sabemos mais quando começou, mas temos certeza de que iremos amigos até o fim. A legítima amizade verdadeira, nos sacaneamos implacavelmente quando estamos juntos, mas a esportiva prevalece. Amizade sem complexo de inferioridade.
Dias antes da pandemia, marquei de me encontrar com Teixeirinha num boteco na Av. Marechal Floriano, esquina com a Rua da Conceição. Pé-sujo típico, com mesas e cadeiras de madeira e toda sorte de bebidas que fazem do ébrio uma lenda urbana. Fazia tempo que não nos víamos. Injetamos não sei quantas cervejas no corpo e quando já estávamos naquele estado delirante de alegria etílica, Teixeirinha pediu o golpe de misericórdia.
– Manel – para o Teixe, todo dono de boteco é “Manel” – manda duas Praianinhas aqui pra mesa.
Praianinha... não me recordava do nome, pensei que não mais fabricassem, mas eis que “Manel” puxa uma garrafa daquele mostruário espelhado e nos serve o veneno. Praianinha é uma cachaça cara e impiedosa. Quando alcançamos o terceiro gole, parecia que a força gravitacional da Terra havia sido suprimida, tive a sensação de flutuar, ao me erguer da mesa apostei que fosse voar e pairar como urubu doidão sobre o RB1. Teixeirinha me ancorou ao me segurar pelo braço. Decidimos ir para a MV30 para desfrutarmos dos efeitos febris da bebedeira.
Subimos com extrema dificuldade aqueles infinitos degraus que separam a boate da porta de entrada, foi como escalar o Everest. Ao chegar no topo, deu vontade de fincar uma bandeira. Na recepção, perguntam se iríamos querer chave de armário. Depois do breve trâmite, pisamos na pista principal da casa.
– Porra, Dante! Você falou que ia me trazer num puteiro e me trouxe num SPA. Só tô vendo gorda. Vai se foder.
Teixeirinha, de certa forma, estava certo em sua explosão indignada. A casa estava vazia, com poucas meninas e uns três clientes. Seria possível também comparar o ambiente com uma capela de velório do São João Batista ilustrada por putas carpideiras. Um horror. As mulheres presentes, em sua maioria, eram daquelas gordinhas largas, de joelhões acetinados, encaixadas em biquínis que correspondiam à visão de represas prestes a romper. Não que gordinhas não possam ser bonitas, atraentes e sensuais. Claro que podem. Mas pagar o preço da MV30, somado àqueles inexplicáveis dez reais de entrada, para encontrar o monotemático cenário de Fat Family, causou revolta.
– Porra, Dante. Você é foda. Na última vez em que nos vimos, me levou num puteiro que reproduzia o cenário do Drácula, do Coppola. Agora, me traz nesta merda que parece a ilha da Mulher Maravilha depois de uma buchada de bode. Faça-me o favor.
O que eu não disse é que o Teixeirinha possui uma voz anasalada, eu costumava sacaneá-lo com a alcunha de Pato Donald. Quando ele fica puto, a voz de pato irritado é dureza de ouvir. Por milagre, avistei uma mulata magrinha num pedaço de horizonte daquele universo montanhoso. Ao me aproximar, a menina já pediu uma bebida. Como achei gostosa, paguei. Fiquei conversando, mas preocupado com o Teixe, que andava em círculos pelo salão sob os efeitos alucinógenos da Praianinha. O nome da garota era Sara e decidi pegar uma alcova de meia hora para não perder viagem. Pedi para o Teixe me esperar e fui para o relax.
Devo estar ficando exigente, porque considerei a mulata fraquíssima na cama. A menina me atendeu no quarto com aquela má vontade de posto de vistoria do Detran. Não sei o que está acontecendo com as marafonas cariocas, acredito que eu encontraria mais prazer trepando com uma catraca do BRT do que com algumas piranhas em atividade. Resumo, novamente perdi dinheiro.
Soube que a MV30 foi reformada e um empresário do subúrbio entrou na casa. As termas do Centro viraram a Terra Prometida para os investidores do subúrbio, talvez eles não saibam que Deus entregou as chaves por falta de fieis na região. Procurei o Teixe e não o vi. Dirigi-me à recepção para pagar a conta.
– Olha, seu amigo deixou um bilhete – me informa a menina do caixa.
Seguro o papel dobrado e leio.
"O Raul me chamou e fui embora. A gente se vê."
Passei a régua e fim.