BEIJO
NãO
ORAL
SIM - COM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO
– Está vendo aquele sujeito entrando ali com o gordo? – Disse o velho.
Fui pego de surpresa e apenas respondi.
– Aquele? Sim. Estou vendo.
– Diz que é meu amigo, mas está acompanhado do meu inimigo. Nunca confie em alguém que anuncia ser seu amigo e anda com seu inimigo. Ele não gosta de você nem do inimigo, mas gosta de saber e participar da intriga.
É incrível como velhos de puteiro são sábios, principalmente quando bebem. No Fórum existia um gordinho que gostava de escrever como se fosse um caipira, falava que era meu amigo, eu acreditava. Cheguei a convidá-lo a minha casa, bebemos uns chopes juntos, conversávamos muito através de chats da Internet. Em uma ocasião, fiquei sabendo que ele aplaudiu um esquizofrênico que falava mal de mim gratuitamente. O que o gordinho caipira não poderia supor é que o próprio esquizofrênico revelou a atitude infame do aplauso num grupo de WhatsApp e fiquei sabendo. Há pessoas que não sentem pudor da falta de caráter. Amizade é um fenômeno raro e não à toa rima com lealdade, mas quem é que pratica lealdade hoje em dia? Raríssimas almas, eu sou uma delas. A verdade é que para ser leal não é necessário possuir laços de amizade, lealdade é uma virtude restrita aos melhores da espécie. Não é fácil ser leal, exige uma consciência que é muito rara em nosso tempo. Os desleais estão em número maior na sociedade, pois tudo o que é vulgar se dissemina com rapidez.
A introdução me leva à MV30, uma casa que amei e fui leal desde a primeira vez em que estive nela, no remoto ano de 1994. Acreditem, eu me espremia entre mulheres colossais para conseguir atravessar o salão. O dono era um português que depois migrou para a 4x4. Se a MV30 não foi a melhor casa da década de 90, com certeza era uma das melhores. O que me leva a dizer que quem conheceu a MV30 na década de 90 não consegue mais reconhecer a casa desde o início dos anos 2000. O lugar entrou numa espiral de decadência vertiginosa, em todos os sentidos. Perdeu a alma, como a maior parte dos bordeis do Centro.
Corre a informação de que a MV30 passou por uma reforma, foi modernizada e está com melhoras nas instalações. Pelo que eu soube, os preços continuam elevados e no aspecto gerencial ganhou o apelido “o mesmo de sempre”. Não se resgata um negócio sem mudar a filosofia que o conduz e isso parece que não se alterou. Não estive lá depois da reforma, mas por algumas fotos que vi a nuvem do baixo astral do estabelecimento permaneceu exposta sem massa ou reboco. Compreendam que a crítica é construtiva, a MV30 tem potencial para ser muito mais do que tem sido.
Antes da reforma e da pandemia, fiz dois TDs no lugar, um que já narrei e outro que exponho neste momento, em versão resumida.
Entrei na casa num fim de tarde de sexta-feira. O salão estava melancolicamente vazio. Encostei-me no balcão, pedi um chope e observei. Pouquíssimas mulheres, o vácuo do ambiente era tão intenso que cheguei a me sentir constrangido por estar ali. Depois de ser abordado por três gordas afáveis, avistei uma magrinha de pele alva e corpo surpreendentemente proporcional dentro do SPA em que a 30 se transformou. Confesso, afeiçoado forista, considero os valores cobrados pela casa em descompasso com a realidade econômica do Rio, acho que ainda frequento o local movido por uma nostalgia traiçoeira.
Sentei-me ao lado da magrinha, se apresentou como Bruna. Iniciei a entrevista, a menina me pareceu interessante e convoquei à alcova. Eu poderia cair no minimalismo e afirmar que o encontro foi uma bosta, a menina no quarto se revelou extremamente profissional no pior sentido, demonstrava sem inibição que o objetivo se resumia a ganhar o dinheiro e cumprir o tempo, nenhuma magia que me iludisse. Existem aquelas putas que jamais irão compreender que não estão ali para vender apenas sexo, putas também vendem amor, vendem mentiras que a nossa vaidade quer. Essa magrinha não vendia porra nenhuma, além de uma frieza digna dos frigoríficos das melhores peixarias.
Novamente, termino aqui o TD porque não vale a pena estendê-lo. O único alívio foi que marquei o menor tempo oferecido na casa, o prejuízo não foi tão devastador. Tentarei não mais me guiar pelo meu espírito nostálgico, preciso aceitar a realidade. Não vale mais a pena.