BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
– Esses políticos são uns merdas – ele diz.
– Hum... É... – Respondo sem interesse.
– Bom mesmo foi a monarquia.
– Monarquia, meu senhor? Nós não vivemos aquela época, difícil saber.
– É só estudar história. A monarquia sim, tempo bom.
– ... – Sim, forista sem fé, preferi ficar em silêncio reticente.
– Dom Pedro II era o homem, nosso imperador – o careca baixinho insistia no assunto.
– ... – Mantive o silêncio reticente.
– Dom Pedro II não foi o melhor líder que tivemos?
- Cof.. Cof... – Preferi tossir a responder, estava pisando em ovos enquanto tomava a água mineral.
– Dom Pedro tem que voltar. Volta, Dom Pedro! Volta Dom Pedro!... – o velhote começou a gritar em espasmos de histerismo.
Engoli a água engasgando e praticamente corri do botequim. Loucos estão à solta. O Rio é um manicômio.
Ainda atordoado, não tinha certeza de para onde ir. Segui a Av. Rio Branco, eu parecia estar num contrafluxo humano, toda a multidão das calçadas pareciam vir contra mim. Quando passei em frente à Sete de Setembro, entrei. Fui andando, como se minha bússola interior estivesse quebrada. Em determinada altura, o instinto me levou á porta da Cancun. De repente, ouvi um som meloso, um som do passado que vinha não sei de onde, uma música da década de 70 começou a tocar alta em algum lugar que eu não identificava, o romantismo dos anos 70 invadiu a atmosfera enquanto eu decidia se entrava ou não no bordel.
I need you love
O universo mundano é um naufrágio de amores – pensei enquanto a música me fazia viajar à entrada do puteiro.
Senti um tapa forte nas minhas costas, levei um susto. Olha para trás, não era um psicótico covarde me abordando à traição, era o meu bom e dileto amigo Teixeirinha. Um encontro raro e mágico no Centro da Cidade.
– O que está fazendo aqui, Dante?
– O que eu poderia estar fazendo na porta do puteiro, Teixe? Decidindo se entro.
– Porra! Vamos então entrar logo nessa bagaça – Teixeirinha sempre foi um desbocado master.
Entramos na uisqueria...
– Caraii, Dante. Isso é puteiro ou enfermaria?
O clima da uisqueria da Cancun, novamente, não surpreendeu. O Teixeirinha exagerou ao comparar o salão com uma enfermaria, eu continuo considerando mais parecido com a sala de leituras da Biblioteca Nacional. Entrar na uisqueria da Cancun é ficar em dúvida se entrou no lugar certo, você pode pensar que entrou numa enfermaria (como o Teixe), numa biblioteca (como eu), numa capela de oração, na antessala de um médico de surdos-mudos, numa UTI etc. Meninas de comportamento apático, atendimento de funcionários que parecem não querer atender, um desastre. Pagamos para sair dali.
Fomos seguindo a Rio Branco, atravessamos a Presidente Vargas e alcançamos a Uruguaiana. Ao passarmos em frente as escadas da 210, concordamos em escalar o sobrado e verificar a situação. O espaço claustrofóbico, a música alta, a neblina de cigarros, corpos espremidos, o barman quase jogando a garrafa de long neck na nossa cara, mas havia a alegria que a Cancun desaprendeu a fabricar.
– Dante, se lá era enfermaria, isso aqui está parecendo presídio com superlotação. – Meu camarada Teixe tinha razão. A casa estava tão cheia que ficar lá dentro parecia irrespirável.
Vejo uma morena, aparência de balzaquiana, estava entubada num vestido justíssimo, pernas grossas, olhos negros, cabelos escuros e compridos, rosto de cigana. Estava conversando com um idoso. Depois do Viagra, todo velhinho acha que pode dar uma. Quando o matusalém se afastou, eu avancei. Fiz a entrevista básica para evitar o pesadelo da alcova, a menina foi aprovada. Suzy seu nome. Pedi uma das masmorras da 210 e subimos. Quando estava galgando as escadas, começa a tocar “Shape of You”. Escutei um gritinho agudo e quando olho para baixo Teixeirinha dançava eufórico entre as putas.
Shape You
Já na masmorra, a coroa me surpreendeu. Inteiraça nua, conseguiu deixar meu velho e combalido pênis inteiriço em pouco tempo. Beijos, pegação, chupação e coloco de quatro para um daqueles orgasmos que entram para os livros de história. Quando eu já colocava a roupa, a balzaca pediu caixinha. Como foi carinhosa e dedicada, deixei a minha homenagem revertida em reais. Quando voltei para a pista, o Teixeirinha não estava mais lá, é sempre assim. Pego o rumo do metrô, atravesso o camelódromo, uma galera bebia no entorno da estação, de uma das barracas vaza uma antiga batida conhecida.
Lose Your Self
Eminem... Parei num camelô com isopor e pedi uma cerveja, quis escutar a música. Olhei em volta, a vida pulsava sem vírus, sem medo, prestes a ser paralisada. Dei o primeiro gole e o álcool deslizou gostoso pela minha garganta.