13 de Junho de 2021 às 00:50
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

NãO SEI

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM





PARTE 1

A noite avançava. Eu estava pelo Centro desde o meio da tarde, para um encontro marcado com a linda Mirella Moreno. Após o sexo, fui beber. Bebi acima da minha capacidade de absorção alcoólica, me sentia zonzo, estrábico. Precisava me sentar, descansar um pouco; talvez, beber mais, para alcançar aquele ponto de estabilidade da embriaguez. Lembrei do botequim do baiano, na rua Teófilo Otoni. Não nego, eu estava desorientado como um vira-lata e entrei pelo lado errado da rua. A região estava deserta, as luzes de vapor de mercúrio cobriam a penumbra com um tom de melancolia, fiz uma foto. Estanquei sem saber onde ficava o boteco. Antes de cair nesse embaraço, cumpri uma visita a 502, mas o DJ mandou uma playlist de “Sextanejo” que me fez pensar que eu estava em um episódio de “Carga Pesada” (é cilada, Bino). Não suportei 10 minutos de Chitãozinho e Xororó, vazei.

Vencendo os segundos de hesitação, escolhi seguir em frente por aqueles paralelepípedos envoltos em sombras coloniais e alcancei o oásis de luz que é o boteco das primas extraviadas. Já citei aqui que, recentemente, um amigo médico teve a coragem de me revelar uma suspeita, a de que eu posso ser portador de um nível leve da “Síndrome de Asperger”. Ele baseia a desconfiança no meu apego exagerado pela solidão, que não vejo como um elemento pesado ou dramático. A solidão representa para minha percepção o mais forte componente gerador da liberdade. Não, não me nego a conviver com gente ou conhecer pessoas, mas não sou desses que faz questão disso, não sou do tipo que gosta de andar em bandos. Lobos de matilha perdem a personalidade. A solidão é a minha fortaleza, é o limite que me preserva e que permite a minha autonomia. Não me vejo como um misantropo, mas não estou longe disso.

Baiano ainda se lembrava de mim, me recebeu festivo. Puxei 30 reais e dei como gorjeta adiantada para ele me arranjar uma boa mesa no espaço exíguo do estabelecimento. Ágil e veloz, ele montou a mesa em ponto estratégico e discreto, como se adivinhasse as minhas intenções. Não pedi, mas ele trouxe uma dose de Salinas, confesso que fiquei com receio de radicalizar, mas bebi em dois goles. Não pedi e Baiano chegou com uma porção de queijo prato em cubos, achei bacana a proatividade do rapaz, não reclamei. Ele cochicha ao meu ouvido dizendo que logo chegaria uma “pervertida” amiga dele: “bonita, muito bonita, doutor, é lá da 5, lá da 5” — ele revela sem me explicar o que era 5.

Fico sentado, sem compromisso com nada, contemplando o vácuo temporal que habita a Teófilo Otoni, uma ruela esquecida no meio do Centro da Cidade, que exala um passado coletivo que também é o meu passado. Perdi a noção da hora, o celular descarregou, é impressionante como nos tornamos náufragos urbanos sem o smartphone. No fim, gostei da situação. Eu estava ali, naufragado, incomunicável. Perdi o medo e engoli outra dose de Salinas oferecida pelo gentil Baiano. Acredite, Baiano é desses sujeitos que, em cinco minutos, consegue fazer parecer que é um amigo da vida inteira, confia-se nele porque transmite a ideia de que compra qualquer briga por você. Talvez, tenha sido efeito da pré-gorjeta de 30 reais. O capital compra os afetos mais sinceros.

Sempre imagino que alguns foristas devem se questionar se relatos como este realmente aconteceram como escritos. É possível que a minha precisão vocabular afete a credibilidade da narrativa, mas não consigo evitar o vício de escrever para alfabetizados com sofisticação intelectual. Posso garantir que o que virá pela frente aconteceu, com a ressalva de que os meus neurônios estavam comprometidos por um teor altíssimo de cachaça, mas estou acostumado a preservar a memória dessas contaminações químicas.

— É ela! É ela! — Baiano soprava alto o alerta e gesticulava como se fosse um controlador de tráfego aéreo.

— Quem é, Baiano?

— A Nanda. É a Nanda que te falei.

Coincidência de nomes, a loira se chamava Fernanda, como a negra da outra noite, mas essa nova personagem é conhecida no pedaço como Nanda. Ele tinha razão, o que vi surgir na sombria Teófilo Otoni fazia qualquer um exclamar “um avião”. Se o pequeno Tatoo estivesse ali com o Mr. Rourke, ele gritaria também: “um avião, um avião.” A diferença é que não foi fantasia. Uma loira fabulosa, alta, encaixada numa calça jeans justíssima, coberta por um top branco e uma blusa vaporosa que devia ter a intenção de protegê-la da noite fria. A garota andava formando um rastro incendiário. Vinha na companhia de uma baixinha destituída de virtudes estéticas, o que aumentava a beleza da loira pelo contraste involuntário. Chegaram abraçando e beijando Baiano, acomodaram-se em uma mesa próxima, foi quando vi o efusivo garçom apontando para mim. Vergonha

(Continua...)