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BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ

Um desses dias quase frios do outono carioca. Decidi, em cima da hora, reviver um almoço nababesco no tradicionalíssimo Bar Brasil, na Lapa. O céu azul imaculado exibia um morno sol tropical. Desci do táxi na rua do Lavradio e fui caminhando para o restaurante. No trajeto, pregada a uma porta, me deparo com a foto da Bruna Lombardi em uma produção antiga, onde ela fazia o papel de prostituta.
— Colosso — penso comigo.
Talvez, a foto fosse o prenúncio do que estava por vir, mas não dei atenção. Continuei a marcha com o desejo de prazeres gastronômicos imperando sobre os meus sentidos.

O bar estava cheio, mas atento aos devidos cuidados sanitários que nossos tempos pandêmicos exigem. O garçom, um conhecido, levou-me ao meu lugar de preferência. Você não estará errado ao deduzir que sou um homem de hábitos, afeiçoado leitor. Gosto de lugares marcados, pontualidade, ambientes favoritos e coisas do gênero. Pedi o velho e bom Kassler defumado com lentilhas, arroz e batatas coradas. Como complemento, o chope estalando de gelado. Um manjar.
Sem pressa para depois do almoço, pois o libertino é aquele que reserva espaço para o hedonismo, ainda saboreei detalhadamente a sobremesa, uma torta de maçã coberta pelo divino chantilly da casa. É de ir aos céus e não querer voltar. Paguei a conta e fui vadiar pelos arredores daquela região que já foi um dia o suprassumo da luxúria carioca, reduto de francesas, polacas e outras nobrezas do meretrício.

Decadente e renascida muitas vezes, ainda paira na Lapa uma atmosfera malandra, promíscua, de mulher que não abandona a sua maior e melhor vocação. A Lapa é meretriz que teima. O mesmo ar malandro também exala alertas de perigo em tempos bicudos como o que passamos, é preciso cuidado ao andar pela Lapa. Sou um janota e todo janota se arrisca quando atravessa terrenos marginais. Costumo imaginar que o traquejo da prudência me protege dos piores imprevistos.
Faço uma nova parada em um botequim na esquina da rua da Lapa, local que Machado de Assis habitou por um ano, numa casa que continua de pé e com a indicação do seu mais célebre morador. Bebo mais uns dois chopes e percebo que é hora de resolver as pendengas que me aguardam pelo resto do dia.

Quando encerro a minha peregrinação e retorno à bucólica Tijuca, anoitecia na Praça Saenz Peña. A sensação de frio estava mais forte. Aqui começa o dilema, moro em um apartamento, fico cercado por uns 10 mil livros acumulados pela minha jornada profissional; não há esposa nem filhos me esperando, sou um celibatário convicto desde jovem. Algumas vezes, não sinto vontade de voltar, gosto da rua, da contemplação. Se me perguntarem por que fiz essa escolha, respondo citando o nome de um filósofo e de um filme: Schopenhauer e Zorba, o grego.
Há uma frase de Schopenhauer que fez a minha mente romper com a ideia de casamento:
“O amor é o mais engenhoso dos artifícios da natureza para pôr em prática o importante objetivo da vida humana: a preservação da existência.”
Ou seja, o amor é um instinto ordinário que carrega a intenção de nos transformar em simples reprodutores da espécie. O amor é uma sofisticada armadilha humana que acende a nossa natureza mais selvagem. Depois que li “A metafísica do Amor”, não foi difícil virar pipa voada.
“Zorba, o Grego” é um filme que surgiu para mim como marreta demolindo qualquer ímpeto que me entregasse aos convencionalismos da existência. Zorba é uma ode à liberdade absoluta, ao hedonismo pleno, à vida sem dramas nem amarras. Confesso que essas foram duas influências que me fizeram pirar e é provável que tenham feito de mim este sujeito desajustado que sou até hoje.

Para encerrar o expediente, escolhi sentar-me num bar às margens da Sanz Peña para tomar a saideira. Não resisti, o clima exigia, pedi uma dose de Salinas. Ao menos para mim, a cachaça Salinas tem um efeito afrodisíaco que se mistura à sensação inesperada de euforia. Não sou fumante, mas senti uma estranha vontade de fumar, pedi ao garçom que guardasse o meu lugar, fui até uma banca de jornal próxima e comprei uns cigarros no varejo. Uma leve tragada misturada ao sabor rascante da cachaça, que prazer inenarrável me invadiu no anoitecer glacial da Tijuca.
— Dante, você estava sozinho? — Perguntaria o forista curioso.
Amigo — respondo — quando estou sozinho (minha condição natural), sinto tesão por tudo, como se as sensações ganhassem potência. É da minha essência me sentir bem sozinho. Sou lobo sem matilha.
Não demorou para que eu começasse a remexer no celular, buscando alguma presa que pudesse me despertar o interesse. A ansiedade sexual começou a emergir, efeito da mistura da nicotina com o álcool. Eu necessitava de uma pele contra a minha pele, de lábios roçando nos meus lábios. Meus olhos sondavam famintos as mulheres sentadas ao meu redor, esforçava-me para não dar pinta de maluco. A fome ancestral e insaciável tinha me dominado. Depois da cachaça e do fumo, eu precisava degustar uma fêmea.

O acaso é amigo dos náufragos. De repente, me deparei com um anúncio interessante, uma garota com estilo gótico pós-moderno, bonita de rosto, corpo no lugar. Fiz contato, respostas eficientes, objetivas, excitantes. Marquei no Éden para a hora seguinte. Não, afeiçoado forista, não espere a mesmice de um texto sexual nas próximas linhas desta crônica existencial. A vida libertina não se limita somente ao sexo, é também tudo que vem antes e depois dele. Farei o resumo do que a narrativa não consegue dimensionar na plenitude. Bela, fabulosa, boa de cama, sensual, exótica, inteligente, boa companhia, boquete esotérico e um orgasmo indescritível. Essa é a Juhly Zombie.
Voltei caminhando para casa, misturado à noite, sentindo-me parte da noite. Acendi outro cigarro. Enquanto o dia quer o nosso compromisso, a noite exige que sejamos livres. Expirei a fumaça que foi se desfazendo no ar, como a vida que se desfaz no tempo. A guimba em brasa parecia um farol me guiando no mar escuro. Carpe diem...