BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
SIM
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO

A brisa gelada que atravessava a noite de São Cristóvão fazia arder a pele, me lembrando as caminhadas na minha cidade remota, no Rio Grande do Sul. Estacionei o fusca na rua Ceará. Uns vira-latas magricelos, camuflados em pelos escuros pela poeira cuspida dos escapamentos dos carros, vieram se aquecer junto aos pneus mornos. Calquei com firmeza as minhas botas sobre os paralelepípedos e dei o primeiro passo. O letreiro aceso do Hotel Canário é o farol para as almas que transitam entre os ratos, vira-latas e mulheres geladas que entram destemidas pelos corredores da Vila Mimosa.

Procurei o banheiro de algum boteco pelos arredores. Quando entro na cabine, me deparo com uma inscrição profética na parede suja: "Só se vive uma vez". E o que fazer com apenas uma vida? Continuar como um espectro noturno caçando o prazer improdutivo? O libertino é um explorador de territórios subterrâneos, arrisca-se pela adrenalina, pelos cenários que irá rememorar, pelas mulheres que irá encontrar somente nos porões mais obscuros da cidade. Não gosto de ser um observador protegido pela carroceria do automóvel, há certas situações em que se revela mais livre e mais seguro caminhar a pé. Foi o que fiz.

Eu vestia um casaco cinza com capuz, joguei o capuz por cima da cabeça e enveredei-me pela Francisco Eugênio, um bandeirante se embrenhando por novas matas. Ao longe, filas de carros se formavam ao lado de grupos de garotas. Morcegos cortavam o ar num som sibilante, em voos rasantes pelas sombras mais densas. Motos brotavam aceleradas no asfalto, um carro da polícia emitindo a luz vermelha estroboscópica trafegava devagar, vendedores com isopor pareciam ilhas naquele vácuo do mundo. Fui adentrando as entranhas do miolo mundano na expectativa de avistar alguma surpresa que me agradasse. Um silêncio sobrenatural envolvia o burburinho promíscuo. Sei que me lanço ao perigo, que não é prudente arriscar-se a pé nas madrugadas daquela via, mas para um velho libertino não há sabor sem tempero.
Chego a um posto de esquina de onde consigo ver a soturna Quinta da Boa Vista. Travestis trotam rente às grades como leoas famintas. Não me aproximo. Peço uma Ice na loja de conveniência, o leve sabor da vodka rasga minha garganta. No canto clandestino, vejo um frentista conversar com o rosto muito próximo a uma traveca. A noite, todos são livres. Saio com outra garrafa de Ice na mão e refaço os passos até o fusca. São Cristóvão é um bairro de ruínas, a demonstração da fúria do tempo, da finitude de tudo. Sou um bloco de ruínas me movendo por entre a decadência de uma obscura calçada carioca, vago em busca de um corpo que aqueça as minhas vísceras frias, não sou diferente dos vira-latas que foram se aquecer próximo aos pneus mornos do fusca. Não sei o porquê, mas me veio a mente o velho relógio da Glória, a imagem de Cronos apontando seus braços para o abismo inevitável. Cronos só não é capaz de devorar as pedras.

As mulheres se espalham em um curto trecho da Francisco Eugênio, ficam em grupos, umas poucas sozinhas. Eu estava quase me sentindo a imagem de um Jack Estripador, enfurnado num grosso casaco cinza e com um gorro jogado sobre a cabeça. Não sou Jack, mas talvez eu me deixe levar pela ideia de um vampiro que precisa beber uma mulher todas as noites para fugir do vazio de uma dolorosa existência que não se encerra.
Mergulhado em filosofices, alguém pega a minha mão. Olho em susto, uma gordinha, o rosto simpático, pele clara, cabelos cacheados, vestia uma minissaia que exibia pernas recobertas por pelos aloirados. Gosto de mulheres com pelos loiros nas pernas, me excita. A voz mansa, muito feminina. Pergunta se tenho um cigarro, eu tenho. A chama do isqueiro ilumina mais o seu rosto, não é feia, não é bonita, é atraente. Ela traga e expele a fumaça para o alto.
— Não tem medo de andar sozinho aqui?
— Tenho, mas gosto do risco.
Ela ri.
— Qual seu nome? — Pergunto.
— Nina.
Ela me puxa até um vendedor de cerveja parado com um isopor na divisão das pistas. Bebemos, mas pouco nos falamos. Ela alisa meu rosto, diz que sou um coroa bonito. Soube ser sedutora. Revela que faz de tudo na cama, sem frescuras. Para compensar a precariedade, pergunto se ela iria comigo para o Motel Xanadu. Os olhos de Nina brilham.
— Só se for agora.
Deixei o fusca onde estava, fiz sinal para um táxi e partimos.
Tomamos banho juntos. Nina me beijava com entrega sôfrega. Apertava a minha bunda enquanto eu mamava seus seios duros e exuberantes. Desceu para um boquete, a água escorria entre nós numa cascata de luxúria. Ela fica de costas para mim, empina a bunda e diz que quer que eu coma seu cu. Aquilo me excitou, ela pega meu combalido pênis e o encaixa com habilidade no ânus. Rebola, geme, agarra a minha nuca. Gozei ali mesmo, no chuveiro, penetrando uma gordinha sensualíssima que encontrei em um ponto de rua.
Quase secos, nos deitamos na cama com as pernas emboladas. Nina me beija mais, quer mais. Explico que não vai rolar. Conversamos, ela mora no morro do Tuiuti, também trabalha com tranças afro. Não tem filhos, acha que não pode ter. Luta como muitas pela sobrevivência precária. Sua história desperta em mim uma compaixão que me deprime. Nina ri fácil, ri da piada mais cretina. Gordinha e atraente. Preciso ir embora, resgatar o fusca. Pago um extra em cima do cachê que ela me pediu e aconselho a continuar no motel, descansar um pouco, eu sairia antes. Ela concorda e pergunta se posso pedir um sanduíche. Deixo tudo acertado e me despeço.
Volto de táxi para resgatar o fusca, o trajeto entre sobrados de uma época morta me impressiona. A madrugada termina.