18 de Agosto de 2021 às 00:49
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

Eu bebia em um bar da Uruguaiana, pensando aonde ir naquele início de noite fria e chuvosa, meditando sobre a existência e contemplando a vida borbulhante no meu entorno quando uma voz de barítono castrado ecoou nos meus ouvidos.

— Fala, poeta — o sujeito se dirigiu a mim.

Faço este destaque para explicar que quando me chamam de “poeta” deduzo três fatos antecipadamente: é algum velho de fórum, é problemático, metido a rico, provavelmente não simpatiza comigo, possui perfil passivo-agressivo e sente dificuldade com textos em prosa.

— Como vai? — respondo sem reconhecer o calvo à minha frente.

— Não se lembra de mim, pô?

— Sinceramente, não me recordo.

— Eu era do Hot-Fórum — começou a confirmar as minhas suspeitas quando citou sua origem em um fórum criado há 20 anos.

— Hum...

— Esses dias fiquei sabendo pelo Cachalote que você comentava que eu tinha uma paixão homoerótica pelo Baiacu — a conversa enveredou para os códigos dos nicks e manifestações de desvio psiquiátrico, muito comum entre a geração geriátrica dos fóruns.

— Eu comentei?! Não sei nem quem é Cachalote, colega. Na verdade, não sei nem quem é você.

— Pirarucu. Eu sou o Pirarucu — revela o calvo como se estivesse anunciando a entrada do Aquiles da Ilíada em Troia.

Pirarucu... Baiacu... Cachalote... Já não parecia conversa de fórum, parecia um fôlder do AquaRio. Fiquei olhando para aquele senhor de poucos cabelos, com olhos arregalados, que gesticulava como um tradutor de libras e percebi que não deveria contrariá-lo, pois ele transpirava um tom aziago de insanidade.

— Meu filho, realmente não sei quem é Cachalote, nem Baiacu, também não me lembro de você como Pirarucu. Desculpa aí.

— Pô. O Cachalote era o Mário Fofoca, antes de trocar de nick. Lembra?

— Não me lembro, infelizmente — respondo entediado.

— Do Peixe-Boi você lembra? Aquele que te odiava, te chamava de cuzão. Lembra? Lembra?

O sujeito entrou em um delírio interminável de lembranças que eu não me lembrava e sempre se enveredando por um tom de agressividade.

— Colega, não me lembro. E se eu lembrasse, ia preferir esquecer, não gosto de gente covarde. Não sei se é válido para você dar crédito a alguém que tem o apelido de Mário Fofoca, rapaz.

— Do Guarda Belo você lembra, né?

— Só do desenho animado.

— Tá bom. Tá bom. Só quero te dizer aqui, olho no olho, que nunca senti nenhum tipo de atração pelo Baiacu. Presta atenção.

— Acredito em você — neste ponto, cheguei a pensar que havia entrado em um hospício por engano.

— Virou “Imortal” no GPArena, né? Inacreditável. Sem noção aquilo lá. A gente se esbarra.

O pirarucu calvo virou-se sem se despedir, tinha um andar rebolativo, enfiado numa calça jeans surrada, malvestido e com aparência de figurante de “O Massacre da Serra Elétrica”. Observando-o se afastar, recordei-me de um grupo do finado Hot-Fórum, todos eram beiçudos e me detestavam porque se sentiam contrariados por mim e por opiniões que eu emitia. O próprio calvo que se apresentou como Pirarucu era um beiçudo. Será que ele se referiu a esse pessoal? Sei lá. Aprendi algumas coisas da vida real com fóruns virtuais, uma delas é que quando alguém chama você de “mestre”, “lenda” ou “ícone” é somente bajulação vazia e, desde sempre, bajuladores jamais são honestos; a outra lição é que há muita gente recalcada que se ofende com qualquer talento, são os que chamo de os “sem-talento”. Para esses, sobra brincar de arminha e se fazerem de valentões.

Voltei ao ponto inicial e decidi visitar a 502.

Logo de cara, escolhi a Sabrina. Uma suculenta morena nortista, bonita, simpática, com bom desempenho na cama e sem frescuras. Famosa na área. É escolha certa e sem medo dentro do leque atual limitado da 502. Saí satisfeito do quarto.

Deixei o bordel pensando naquele estranho encontro no bar da Uruguaiana. Se o cara perguntasse se eu me lembrava do Aquaman, juro que sairia correndo sem pagar a conta.