BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
O dia de pagode na MV30 nos dava a esperança de encontrar bom movimento na casa, engano nosso. O local estava horrível, mulheres fracas, com tiques de profissas cascudas, ambiente depressivo, música ruim, salvou a cerveja que fui obrigado a beber para cumprir a consumação exigida de 25 reais. Ficou impraticável permanecermos no ambiente, pagamos a conta e embarcamos num táxi em direção a 65.
A 65 sempre nos recebe bem. Quem conhece, sabe que é uma casa bem decorada, com ares de luxo, remodelada desde que foi adquirida por uma nova administração, não há mais vestígios da antiga e icônica 65, aquela que tinha como logotipo um sapinho tomando drink em uma espreguiçadeira. Perdeu o símbolo, mas não perdeu a pose nem o preço elevado. Há quem se revolte quando reflito sobre valores versus compensação, mas não deveriam se indignar porque são reflexões a partir da minha própria experiência. Neste dia em que fui a 65 com meus companheiros, um deles comentou com o gestor que o aumento recente no valor dos programas foi impróprio para o momento, mas o gerente retrucou que se tratava de um reajuste no comissionamento das meninas. Tudo bem, nada mais justo do que valorizar as garotas, mas será que a atitude não faz com que elas percam clientes? É aquilo, não sabemos onde o calo aperta, somos apenas frequentadores ocasionais, tenho conhecimento de que a 65 possui uma estrutura de manutenção caríssima, um elefante branco nesses tempos bicudos, não deve ser fácil de sustentar e extrair lucro. É certo, no entanto, dizer que quem faz um programa na 65 gasta mal.
— Por que comer mulher na 65 é gastar mal, Dante? — perguntaria o forista que imagina que o que é bom é caro.
Respondo, afeiçoado. Deixar 400 contos no caixa da 65 (programa + consumo) é para amadores. Não nego que, neste momento, é a casa que ainda mantém um clima de bordel, talvez em paralelo com a 44, mas quando você sobe com uma menina de termas não sabe qual será o desempenho, afirmo que raramente é excepcional. Gastar 400 pilas por uma foda que dificilmente será excepcional é coisa de amador, pois eu gastei. A verdade é que a 65 se tornou a casa do chimbador, o sujeito vai lá, sarra, beija na boca, prende a mulher, bebe os 70 contos ou um pouco mais e sai sem fazer programa. São pouquíssimos os que sobem, é um tal de mulher chorar miséria que estou quase abrindo uma ONG de apoio. É certo que a menina que faz um programa ganha mais do que em outras casas, mas quantos programas ela consegue fazer na semana ao preço de 330 reais?
Infelizmente, o gestor de bordel cresceu e ficou adulto sem conseguir assimilar as variações da realidade econômica do Brasil, no Rio isso ainda é pior. O surto maior de criatividade do rufião carioca é comprar mesa de sinuca e atravancar o puteiro supondo que deu um golpe de mestre.
Junto aos meus amigos, vi pelo menos duas mulheres colossais na pista da 65, uma delas se aproximou de mim e me deu um beijo na boca que seria capaz de perfurar colete de aço. Resisti, mas como diz o lema clássico de Star Trek: resistir é inútil. Consegui resistir naquele dia, mas voltei na noite seguinte para fechar minha pendência com a Cereja, uma ruiva que enfeitiça até cadáver cremado.
Cereja é aquela mulher linda, que você vê em comercial de cerveja, debaixo do Sol e de um céu azul impecável de verão, com um biquíni minúsculo, não sua, não reclama, faz apenas caras e bocas de quem quer sexo e um drink. Lembrou-me a Feiticeira Vermelha de Games of Thrones. Caí naquela magia e morri em 400 reais. Eu poderia fazer como o forista sultão, poderia ostentar, dizer que para mim 400 reais é troco de padaria, que tenho casa em Dubai, poços de petróleo na Arábia Saudita, mas para quer mentir? Dói ceder aos caprichos da carne quando o prato sai caro.
Cereja é maravilhosa, sexy, gostosa, tem um sorriso hipnotizante, um corpo desenhado na prancheta do Niemeyer, é uma foda de respeito, sem frescuras, mas se me perguntassem agora se eu voltaria a pagar 400 reais para possuí-la, eu responderia com um rotundo não. É fácil dizer que eu não cederia, pois já cedi. É difícil não ceder. Quando nos expomos às tentações, nossas mais profundas convicções se tornam dúvidas. O arrependimento não me impede de ser justo, a 65 é uma casa com um bom astral atualmente, mas é a casa do chimbador, justamente pelos valores que pratica, é provável que subsista mais pelo consumo do que pelos programas.
Após a 65, explorei as sombras noturnas da Lapa, que será o próximo episódio.