24 de Outubro de 2021 às 16:41
BEIJO

SIM - NãO GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO

Sexta-feira. Confidencio a você, afeiçoado forista solidário, passei uma semana lutando contra uma forte crise de depressão, é por isso que peço que não estranhe o tom gótico das frases que possam emergir da minha escrita. Coisas da andropausa. Devido ao meu estado emocional fragilizado, tentei não me aventurar pelo Centro sozinho, enviei mensagem para um e outro forista de museu, todos me deram a entender que não iam ao Centro, mas depois todos foram ao Centro, apenas não fizeram questão da minha presença. O que eu posso dizer? Formam uma panela, os mais antigos em fóruns ainda praticam o comportamento excludende de panelas. Evito panelas. É provável que falte afinidade comigo. Por sorte ou azar, desperto sentimento de afinidade em pouca gente desse meio, é o preço que pago pela minha sofisticação.

Antes de me arriscar na incursão solitária e imprópria desta última sexta, planejei ir a Black White, em Bonsucesso, sobre a qual venho recebendo boas referências. Arrisquei chamar um camarada que nunca me chama para nada e que, quando eu o convido para algum programa, jamais me faz companhia. Amizade de fórum? É o mesmo que acreditar que Deus é brasileiro. Em fórum a amizade existe tanto quanto Deus é real. Restou-me a habitual solidão, enfrentar a tristeza que me abatia. Sina de libertino. Para não cair na mesmice, escolhi visitar, após anos de ausência, o famoso jeepão, a internacional 4x4. Aqui, faço um adendo, nunca gostei da 4x4, sempre a vi como uma terma de mulheres batendo cabeça, estressadas, dispendiosa para o cliente e com atendimento geral ruim pelo que cobra. Levando em conta que a casa sofreu um hiato após o incêndio que ceifou algumas vidas, decidi verificar pessoalmente as mudanças supostamente realizadas no ambiente.

Sou gaúcho de nascimento e carioca na criação, mas foi na minha terra natal que desenvolvi bom gosto por mulheres e por bordeis. Veja, estimado forista, na minha envelhecida opinião, a 4x4 é um estabelecimento para amadores.

— Como para amadores, Dante? Tá maluco?! Vários putanheiros das antigas frequentam.

Explico. Existem dois tipos de amadores, o putanheiro novato e o putanheiro que não evoluiu. O novato a gente perdoa, ele se guia pela fama dos locais, mas o putanheiro antigo faz parte da massa irremediável de idiotas que imagina que quanto mais caro paga melhor é. Vive mergulhado em um anacronismo doentio, acreditando em fantasias do passado, em lembranças que se foram e não voltam mais.

Assim que pisei no salão da boate, achei tudo uma porcaria. Provavelmente, por estar imbuído de altas expectativas devido aos relatos que leio em diversos fóruns, o meu tombo foi violento. Mulheres medianas, algumas que eu incluiria até na categoria barangas. Nada disso deveria me surpreender, um dia desses vi um forista na 65 em beijos furiosos na boca com uma mocreia que eu não pegaria nem se estivesse bêbado na Vila Mimosa. Existe uma categoria de forista que gosta de gordas e mulheres feias, não censuro, o que me aterroriza é o sujeito pagar mais de 400 contos para viver um episódio de terror. O circuito 4x4, 65, Cancun e M30 (as termas que cobram mais de 300 contos por uma bimbada) é o circuito do putanheiro amador. A MV30, lá no ponto mais desolado do Centro da Cidade atualmente, ainda vive uma espécie de delirium tremens, imaginam-se a Centaurus do Beco da Sardinha.

Essas termas possuem mulheres bonitas? Sim. São ruins? Não necessariamente. Essas termas possuem quartos bons? Nem todas. Essas termas têm atendimento diferenciado? Não. Então por que são mais caras, Dante? — perguntaria o forista inconformado. Aí é que está, são mais caras na esperança de que otários acreditem que o bom é quando se paga mais caro. Não há motivo que justifique os preços elevados. Nos trashs também encontramos mulheres bonitas, são animados, há boas fodas e pagamos menos da metade do preço que as termas do caboclo esnobe cobram. Ah, mas os quartos dos trashs são péssimos, nobre Dante — diria o forista do departamento de cama, mesa e banho. Se eu quisesse lençóis de cetim, travesseiros de pena de ganso e incenso de lavanda no ar, iria para um SPA em Búzios, não para um puteiro.

Fiquei lá no meu cantinho dentro da boate, observando, discreto. Reconheci o rosto de alguns foristas conhecidos, desses que já devem ter mofo e teia de aranha no pau. Uma negra vistosa se aproximou de mim, interessante a menina, começamos a conversar, fiz a entrevista e ela me revela que só faria o boquete de camisinha. Puta que pariu — quase gritei — a mulher acha que vou pagar mais de 400 contos para ser chupado de camisinha? É orientação da casa — ela responde. Um colega me alertou que foi vítima do “boquete com camisinha da 44” e que a menina com quem ele saiu também alegou “orientação da casa”. Inacreditável.

Vi uma branquinha de cabelo ruivo, corpo certinho, Julia seu nome, chamei para a entrevista. A menina não decretou nenhuma restrição e como eu queria cumprir todo o processo de inspeção do bordel, pedi uma alcova. Não irei me estender porque não vale a pena, a foda foi fria, o boquete sem camisinha que talvez fosse até melhor se ela tivesse colocado o preservativo. Resumo: dinheiro jogado fora.

Deixei o puteiro mais pobre e previsivelmente insatisfeito, mas foi um dia de boas lições. Decidi reduzir a minha lista do WhatsApp, cheia de nomes inúteis, que não me convidam para nada; reconfirmei que a 4x4 é para amadores e deslumbrados; comprovei que fórum nunca foi portal de amizades; atestei que o universo está a caminho da extinção, pois os idiotas não garantem a perpetuação da raça. Mas nem tudo estaria perdido. Caminhando para o metrô, recebo uma mensagem do meu bom amigo Teixeirinha, quase um amigo de infância, amigo de pacto de sangue, amigo de verdade, hoje nos vemos em ocasiões bissextas, ele estava me ligando para um encontro. O destino tem dessas coincidências bonitas.

(Continua...)