14 de fevereiro de 2023 às 06:42
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO

ABERTURA



Rompemos a noite espessa da rua Evaristo da Veiga, eu com receio de levar uma facada furtiva; Wolf, com seus longos cachos esvoaçantes, imaginando que desfilava pelo glamour reluzente da Times Square e o casal que nos seguia se arrochava em beijos como se estivesse às margens do Sena, em Paris. Alcançamos o sol das luzes de neon da Lapa, atravessamos os arcos, percorremos a Av. Men de Sá, deixamos o casal que nos acompanhava e entramos na boate Up House.

Eu de cinza, um dos meus mais sóbrios e tradicionais uniformes góticos. Wolf com uma camisa temática de roqueiro, bermuda desfiada e uma botina militar de cano alongado. Se ele acrescentasse mais algum acessório, me lembraria do saudoso Cassino do Chacrinha. Na hora em que chegamos, a casa estava morna, poucos clientes e garotas ainda descendo ao salão. Pedimos nossa bebida, eu já alegre por algumas doses de uísque, e ficamos flanando com os olhos pelo ambiente.

O bom Wolf mirou em uma jovem branquinha e curvilínea, coberta por uma espécie de biquine mínimo, mas a garota desapareceu e na minha afobação de enturmar o camarada com a casa, eu o apresentei a uma outra menina sorridente que tentava flertar com ele. A conversa entre os dois fluiu e me aproximei de uma morena escultural, seminua, que quase me causou a tentação de pedir uma alcova. Resisti. Passaram-se alguns minutos e, subitamente, o salão se esvaziou, dois gringos levaram dúzias de mulheres, inclusive a garota do Wolf.

Sem mais expectativas, decidimos ir embora. Despedi-me do amigo e entrei em um táxi pretendendo retornar à bucólica Tijuca, mas no meio do percurso recebo um convite irrecusável de um dos donos da Mosaico Night Clube e peço ao motorista que altere a rota. Direção Vila Mimosa.

Desembarco na Rua Ceará, local onde sempre me recordo da frase do poeta Dante Alighieri e como ela caberia com perfeição ali: “Vós que entrai, abandonai toda a esperança.”

Pisei firme sobre os paralelepípedos, cujas memórias já presenciaram mais obscenidades do que o saudoso Marquês de Sade. Estanco os passos diante da Mosaico, observo e decido entrar. A boate ainda preserva o clima de um bom cabaré. Muitas meninas, não tantos clientes, cenário que me agrada.

Uma das garotas se aproxima de mim e provoca um diálogo...

— Eu te conheço. Qual seu nome?

— Dante. Me chamo Dante.

BOND

O FATOR PIKACHU



Carol o nome da moça, perguntou-me se eu poderia pagar uma Ice. Tudo bem, peguei a bebida e iniciamos conversa. Falsa magra, barriga zero, bunda saliente, coxas torneadas, boca carnuda, longos cabelos negros e lisos.

— Qual a sua idade? — ela me questiona.

— Sou tão velho que não gosto de dizer minha idade para não me sentir ainda mais velho — respondo.

— Que você é velho estou vendo, mas só queria saber a idade — ela retruca.

A resposta enviesada não a impediu de revelar que tinha 25 anos. Interroguei se era completa na cama.

— Sou completa em qualquer lugar, tenho dois braços, duas pernas e dois olhos — a menina era uma comediante.

Nisso, outra morena falsa magra, de corpo perfeitíssimo, cruza minha visão. Afastei-me de Carol com a desculpa de dar um giro e fui atrás do novo alvo. Abordei. Fiz a entrevista básica, Luana o seu nome, a menina além de gostosa era divertida, agradável e mostrou-se disposta para o bom sexo. Pedi uma alcova e subimos.

No quarto, beijos de línguas enroscadas e troca de saliva, roçar de corpos quentes, mãos em apalpações mútuas, gemidos sensuais. Luana vem para o boquete, se dedica, estava gostoso, mas por algum misterioso motivo o meu combalido Pikachu não reagia, parecia um cadáver manipulado em uma sessão de necrofilia. De repente, Luana para, olha para mim, olha para o Pikachu e diz...

— Tadinho, né?

Aquela manifestação de piedade pelo meu pênis inoperante destruiu qualquer possibilidade de ereção. Sugeri que ficássemos namorando e esperei o tempo terminar. Compreenda, estimado forista, a culpa não foi de Luana, mas sim do temperamento instável de Pikachu. De qualquer forma, eu e a garota tivemos um namoro saboroso, muitas sarradas excitantes e terminei gozando em uma autopunheta.

Deixei a Mosaico, dei um rolé pela decadente Vila Mimosa e retornei à penumbrosa Rua Ceará em busca de um táxi. Enquanto caminhava, fui tomado por uma sensação de paz inesperada, é estranho quando ganhamos a súbita consciência de emoções incomuns em lugares ainda mais incomuns. Neste momento fiquei pensando na quantidade de situações e pessoas que nos roubam a dádiva da paz, que nos causam desequilíbrio e decepções. Dalai Lama aconselha que nos distanciemos dessas situações e das pessoas de energia ruim, a sabedoria não é reagir, é se afastar da poluição que nos intoxica.

Naquela rua perdida entre as misérias humanas, deixei que o meu aparelho auditivo emparelhasse com o celular, a música de um tempo distante me transporta pelos ouvidos. O libertino não é aquele que não ama, mas é aquele que busca o amor como um Indiana Jones a procura de uma valiosa peça arqueológica. O meu coração não é frio, é indomável.


LET ME BE FREE