BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
NãO SEI
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO

Faz alguns anos que li um livro chamado “Noturno da Lapa”, em que o autor — Luís Martins — conta sobre a juventude vivida na velha Lapa entre as décadas de 1920 e 1930, anos de ressaca da Belle Époque carioca. Narrando memórias e descrevendo os cenários do lugar que foi o berço da prostituição no antigo Rio de Janeiro, ele nos envolve e nos informa sobre um passado extinto.
Luís Martins precisou fugir da cidade devido a perseguição pelo Estado Novo de Getúlio, que mandou recolher e queimar o seu primeiro romance, intitulado “Lapa”, a história de um boêmio que se envolve com uma marafona e vai morar com ela na zona de meretrício do Mangue. O bairro da Lapa, assim como o livro de Martins, foi sufocada pelos ditames morais do governo Getúlio e teve sua essência boêmia exterminada na época.
Alguns anos após a sentença de morte do seu livro, Luís Martins retorna ao Rio e decidi revisitar a Lapa e se atualizar sobre o panorama. O que encontra é um bairro morto, não mais o que conheceu, com raríssimos Chopes, como se chamavam os bares ainda em atividade, todos transpirando ares precários. As prostitutas, muitas vezes travestidas de garçonetes, desapareceram. A velha Lapa boêmia havia acabado, morta sobre os coturnos do Estado Novo, constatação que gerou imensa melancolia no autor.
Acredite, forista sem fé, é assim que me sinto quando piso atualmente com minhas botas noturnas sobre os paralelepípedos da Vila Mimosa. Foi assim que me senti na última quinta-feira, ao entrar na zona esvaziada de homens e de mulheres. Creia, a Vila Mimosa acabou. Não sei se pela abertura da Rua Ceará, se pela truculência gratuita de quem se autodenominava segurança do lugar ou se pelos valores inflacionados que as mulheres passaram a adotar (85 reais por um encontro de meia hora). Talvez a decadência se deva ao entrelaçamento de todos esses fatores. Quem irá saber?...
Retornarei ao foco deste relato, a Mosaico Night Clube. Era um dia de festa, aniversário do querido e lendário Gerentão, que tanto animou as minhas noites com o seu afeto, amizade e alegria. Eu não poderia faltar ao evento e levei para ele um livro como presente. Nesse dia, encontrei na boate alguns foristas de gerações mais antigas e fiquei surpreso ao ver como envelheceram, não tanto fisicamente, mas em espírito, são almas presas ao ostracismo do presente e aos hábitos caquéticos do passado. Há até um grupo do WhatsApp com toda essa gente antediluviana, ao qual, obviamente, eu não pertenço. Acredito que em homenagem a eles é que uma boa banda tocava o melhor do flashback na noite em que compareci.
Diante disso, percebi que foi a escrita que me salvou da condenação de ser um desses homens do pretérito, me manteve à margem da turma da naftalina. A escrita proporcionou-me um constante upgrade, me fez atual e com o mesmo peso de influência entre a grande massa do público jovem que hoje frequenta o fórum. Continuei Dante, é provável que eu até me mantenha jovem, apesar do estilo clássico. Esses outros vetustos foristas que descrevi, que estavam presentes na quinta-feira, tornaram-se Matusaléns analógicos. A escrita, certamente, é uma fonte de juventude.
Sobre a Mosaico, a casa continua sendo uma boa opção para encontrar meninas bonitas, algumas saradas. Revi lá a portentosa mulata Fernanda, que conheci em um trash do Centro e agora atua na pista da pérola da VM. Os preços oscilam entre 180 reais por meia hora e 240 por uma hora de convivência erótica. Há a entrada revertida em consumo de 30 reais. Preços na média. Sabemos que não é um local de tão fácil acesso, sendo mais aconselhável ir de carro ou táxi, pode-se escolher o desembarque na estação do metrô de São Cristóvão e assumir o risco da caminhada até a rua Hilário Ribeiro.
Às vezes, representar o futuro, o contraditório e a antissabujice incomoda e causa rejeição. Grande parte dos que encontrei lá foram os que bajularam o Oriente e terminaram até sem o Ocidente, sem nada. Feneceram sem fôlego, pois o tempo de existência da identidade equivale à potência do conteúdo, ao poder da pena, da relevância nas mídias digitais e da palavra. Diante disso, se explica porque ainda sigo em frente me renovando.
Para não passar a visita em branco, escolhi uma morena de corpo descomunal que se apresentou como Sabrina (se não me engano). Alcova de meia hora em que mais contemplei as curvas da garota do que fiz sexo. Apalpei, beijei e me despedi.
Ganhei a penumbra alaranjada das luzes de vapor de mercúrio e entrei na Vila Mimosa. Aqui, esta história termina onde começou.