21 de Maio de 2023 às 11:46
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO




O ritual é mais importante do que o ato...

Fim de semana. Sentei-me diante da mesa de um bar a poucos metros de distância da boate 2A2. Novamente, para reincidência da minha surpresa, havia uma fila extensa na porta. Noite de friaca, pedi uma dose de Black Label e exerci o meu direito à contemplação. Um gato preto se acomodou debaixo da minha mesa. O que Zeus queria me dizer com aquela cena?

Conheci Gabriele no Tinder, uma jovem de vinte e três anos, moradora do Méier, corpo irretocável e rosto simétrico. Bom papo, a voz com um leve tom de goiabada nos áudios que trocamos, o que me causou desconfiança, mas prossegui no contato por uma semana.

A certa altura das nossas conversas, introduzi o tema do swing e Gabriele me disse que adorava. Entusiasmei-me. Ela frequentou um swing da Barra da Tijuca e disse que era um dos seus programas favoritos. Gosto de sexo — ela me disse. Sinceramente, um velho libertino sabe que nada é tão perfeito e confirmei isso quando perguntei se ela poderia ir comigo.

— A gente pode fechar negócio — responde a garota.

Nada de novo sob o céu carioca. O Tinder virou um portifólio de putas camufladas. Depois de propostas e contrapropostas, fechamos em 350 reais sem tempo pré-definido. Ela foi flexível, não criou obstáculos e alegou que a grana era mais para pagar as contas da semana, mas ela iria porque gostava mesmo de swing. Fiquei satisfeito, melhor do que ir com essas cascudas que cobram por quilo.

Sugeri que ela fosse de Uber até Botafogo, eu pagaria. Justifiquei com sinceridade, detesto dirigir à noite e como eu queria beber... Ela aceitou sem contestação. Cheguei mais cedo, chamei a garota pelo zap e ela me avisou estar pronta. Mandei um carro para buscá-la e trazer ao bar onde me acomodei, agora na companhia de um gato preto.

Quando estava na terceira dose do Black, vi um automóvel se aproximar e ancorar quase em frente a mim. Desembarca uma morena de negros cabelos compridos, olhos de cigana, pernas longas e torneadas, emoldurada em um curto vestido justíssimo de couro vermelho. Senti uma ponta de ansiedade, o porte da moça intimidava. Ela demonstrou que me reconheceu, foi se aproximando em passos rebolativos, arrastando todos os olhos ao meu redor.

— Dante? — perguntou sorrindo.

Acredite, forista sem fé, quase sofri um AVC. Meus lábios tremiam, naquela reação de quem não acredita no que vê, meu aparelho auditivo apitou em estáticas de microfonia, é provável que tenha escorrido um filete de baba pelo canto dos meus lábios. Tudo isso aconteceu em uma fração de segundos, antes que eu confirmasse a minha identidade.

— Sim, sou eu. Me chamo Dante.

Gabriele me deu dois beijinhos, não no rosto, mas daqueles que pegam um pedacinho do canto de cada lado da boca. Foi como se ela dissesse “sou safada”. Ela se sentou bem perto de mim e perguntou se eu poderia pedir uma caipirinha. Eu encomendaria um alambique inteiro para aquela mulher.

Olhei para debaixo da mesa, o gato preto havia fugido, como se tivesse passado por ali só para me fazer companhia. Na primeira metade do copo de caipirinha, Gabriele parecia já estar tomada pela Pombajira. Ria à toa, ficava apertando a minha perna, me pedindo para tomar conta dela, pois não conhecia a 2A2.

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Hora de ir. Trôpegos, saímos do bar e fomos em direção à boate. A fila estava menor. Gabriele enlaçou a minha cintura e esperamos a nossa vez de entrar. Eu estava animado, a garota dava mostras de que pretendia render muito. Confesso que me identifico melhor com o Mistura Certa, no Centro, mas como o Mistura Certa se tornou mais um clube de ménage do que de swing, fiquei com receio de assustar a mulher logo no primeiro encontro.

Entramos. Uma festa temática: “A Noite do Topless”. Custo de 190 reais o casal. O lugar estava lotado. Confirmei que a 2A2 continua frequentada, em grande parte, por um público jovem. Ninfetas seminuas, seios à mostra; roupas sumárias, indicações de fetiches. Vi pouca gente da minha avançada faixa etária, a sorte foi estar em companhia de uma garota no alvorecer da juventude.

Gabriele me pediu uma tequila. Confidencio a você, afeiçoado forista, eu temo mulheres que bebem tequila, guardei o trauma quando quase precisei realizar um exorcismo em uma há poucos anos; dou meu próprio exemplo, o pior porre da minha vida foi com tequila, acordei com o carro estacionado sobre um canteiro central da Lagoa Rodrigo de Freitas e demorei dez minutos até lembrar do meu nome. Perguntei a ela se não poderia fazer mal beber tequila, ela me respondeu que estava acostumada. Que venha a tequila...

A garota bebeu de um gole só, meus pentelhos se arrepiaram só de ver. Pediu outra.

— Tem certeza, menina? Não quero carregar ninguém no colo, heim.

— Não esquenta, amor. Pode pedir. É o que eu bebo.

Outra golada e pediu a terceira. Para evitar a quarta dose, sugeri que subíssemos ao andar da orgia. De salto alto, Gabriele tinha a minha altura, me impressionou ver como seus quadris ondulavam num simples passo.

O andar do pecado estava congestionado, quase intransitável. Fomos ao aposento da cama coletiva e eu me senti entrando em uma festa organizada pelo Calígula. Fomos conhecer o quarto escuro. De repente, eu estava sendo chupado sem enxergar quem me chupava e Gabriele sumiu.

— Cadê você, Gabriele? — perguntei sem resposta.

Não tinha como procurá-la, pois eu estava imobilizado pelo misterioso boquete oculto no breu. A mamada continuou impiedosa, o ritmo foi alternado com uma punheta. Não dá mais para segurar, explode coração. Gozei uma caixa de leite da Parmalat sem saber na boca de quem estava gozando.

Saí daquela escuridão tateando as paredes e avistei Gabriele sendo seviciada por dois caras contra parede. Ela me olhou e me chamou. Somamos três caras revezando no amasso. Se eu soubesse que ela gostava de ménage, tinha levado para o Mistura Certa. A garota gemia, agarrava um pau de cada vez, chupava os três quase ao mesmo tempo, como se estivesse ensandecida de tesão.

Ela nos puxou para a sala da cama coletiva, ficou de quatro, levantou o vestido e revelou a ausência de calcinha. Um dos rapazes meteu sem dó, Gabriele gemia quase aos gritos. O sujeito gozou, veio o segundo e maltratou a vagina da menina. A mulher de um deles beijou Gabriele na boca. Antes que viesse um terceiro sujeito, pedi para darmos uma pausa. Descemos para o andar social, a recepção do palácio de Calígula.

Atualmente, quando eu gozo, perco o interesse sexual. Coisas de velho. Minha vontade era ir embora, mas nos sentamos em um sofá, num canto discreto da boate, para resgatar o fôlego. Gabriele encostou a cabeça no meu ombro e... dormiu de roncar. Cutuquei-a para despertá-la e perguntar se queria encerrar a noite, ela teve mesma reação de um defunto. Emergiu no meu pensamento a expressão que resumia o maior meu temor: puta que pariu.

A garota não acordava de jeito nenhum. Parecia a Branca de Neve depois de comer a maçã da bruxa. Usei uma tática que me foi ensinada por um ébrio tijucano, fui ao bar, pedi umas pedras de gelo, voltei e esfreguei sobre a nuca da garota. Após fazer a operação três vezes, ela deu sinais de ressurreição. Não perdi tempo, perguntei logo o seu endereço, avisei que ia pedir o táxi. Balbuciando, ela me deu as coordenadas de sua casa, as mesmas de quando mandei buscá-la. Tudo que eu não queria aconteceu, íamos ter que embarcar juntos rumo ao Méier.

Durante a viagem, fui dando tapinhas leves em seu rosto.

— Ela tá pior que gambá, heim Dr? — ironiza o motorista, estrebuchando uma risada cavernosa.

Chegamos ao condomínio onde ela morava, minha sorte é que havia um porteiro de plantão. O rapaz se aproxima e me lança o sotaque cearense.

— O que tá havendo aí?

— Ela bebeu um pouco demais, meu amigo. Você sabe qual é o apartamento dela?

— Gabriele é assim mesmo. Deixa comigo — sentenciou o porteiro.

— Qual seu nome? — perguntei.

— Salomão.

Só pode ser piada — pensei.

Pelo visto, a garota tinha histórico de cachaceira. Meti o pagamento combinado em sua bolsa, deixei-a com o porteiro, embarquei no táxi e parti para a bucólica Tijuca com a promessa de nunca mais voltar. Nunca sei se Zeus quer me sacanear, mas pelo rádio da viatura transbordava o som de Say A Little Prayer. Subimos a rua Hermengarda e mergulhamos no negrume do asfalto.

À noite, para um libertino, qualquer aventura é possível... Dancinha

Say A Little Prayer