BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
DISSE QUE FAZ
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO
Sou um flâneur por essência e o período do ano em que mais gosto de vagar sem rumo certo pelas ruas do Rio é este contínuo do outono e inverno. A tarde se aproximava do crepúsculo, eu pisava leve pela desabitada Rua da Carioca, ia em direção à Praça Tiradentes retirar um livro comprado em um sebo da região.
Sempre que passo pela Rua da Carioca, sou tomado por uma vontade quase irresistível de adquirir um teclado em uma daquelas lojas de instrumentos musicais que ainda persistem. Tornei-me desses velhos que gostam de aprender coisas novas, sinal de um intelecto ainda em atividade, mas não foi dessa vez que comprei. Paquerei alguns modelos, mas prossegui em direção ao destino previamente determinado. Retirei o livro e decidi me acomodar em um boteco bem em frente à Praça Tiradentes para tomar um chope e exercer o meu segundo hobby preferido: contemplar.
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A tarde realmente estava linda, um desses instantes tão agradáveis que ficam gravados permanentemente na memória. Geralmente, a vida é um constante pretérito, não conseguimos nos agarrar ao instante de uma mísera respiração, mas há conjunções cósmicas raras que nos levam a experiência inestimável de saborear o presente, o minuto corrente da vida. Foi exatamente isso que eu vivi, um pouco após às 16h, com o copo de chope na mão. O nirvana.
Deixei que o meu aparelho auditivo emparelhasse com o celular e a batida de Lenny Kravitz inundou meus ouvidos com Fly Away. Senti vontade de deixar a mesa e dançar em cima da estátua de D. Pedro I, me contive. Confesso, à medida em que envelheço e broxo, a mona que habita em mim se manifesta com mais insistência.
LENNY KRAVITZ
Perdi a quantidade de quantos chopes ingeri, estou até agora meio ébrio, até onde contei foram oito tulipas. Pedi a conta, levantei-me trôpego da cadeira, mas possuído por uma alegria indescritível. Não sabia que rumo tomar, então dei uma volta em torno da praça para tentar reaver as rédeas do raciocínio. Terminei seguindo um fluxo de pedestres e entrei na Senhor dos Passos. Assim que passei pela esquina, avistei duas garotas com vestidos sumários. Uma delas, morena de cabelos compridos, achei de uma beleza fascinante, mas nada impede que essa interpretação visual fosse resíduo colateral do álcool.
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O cotidiano carioca prova que putas e libertinos se atraem como o mercúrio. A menina me encarou, fez um sinalzinho para que eu chegasse perto (aquele dedinho em forma de isca "pega mané"), cheguei junto.
— Quer gozar, meu bem? — detestei a pergunta objetiva e o “meu bem” como acessório, mas eu estava eufórico e com ímpetos de gozo.
— Onde? Quanto? — retribuí a objetividade.
— Aqui mesmo. Cem reais.
— Qual seu nome?
— Eva.
Eva foi foda, um sinal de Jeová. Aceitei e fui conduzido para dentro de um sobrado que ameaçava desabar sem aviso prévio. Subi um lance de escadas que rangiam como gatas no cio. A menina pega a minha mão e penetramos no suposto quarto cujo cenário era um colchão encardido no chão mal coberto por um lençol azul puído.
Eva tira a roupa sem rodeios. Os seios mostravam os males da pressão gravitacional, mas da cintura para baixo a moça ganhava a classificação de gostosa. Ela disse que eu não precisava tirar os meus trajes, ordenou-me arriar a calça e me deitar. Obedeci. A mulher veio por cima de mim como se fosse um perdigueiro atrás de fragrante de drogas, me cheirou todo e elogiou o perfume. De repente, me beijou a boca quase com violência e deu uma dentada no meu lábio inferior. Acredito que não doeu porque eu estava anestesiado por oito chopes.
Deslizou o corpo para baixo e abocanhou Pikachu — o breve. Não sei se foi a bebida, não sei se a garota estava com alguma substância na língua, mas viajei naquele boquete, tipo onda mesmo. Eu não estava mais no colchão sujo jogado no chão de um sobrado em ruínas, me senti hospedado no Hotel Fasano. Com certeza, Eva tem mestrado e doutorado em boquete. Fiz força para não ejacular os litros de chope ingeridos no boteco. Ela percebeu que eu segurava o gozo, pegou a camisinha de posto de saúde, encaixou no meu combalido pênis e montou em meu tronco.
Eva quicou, se esfregou, gemia, arranhava meu peito com uma das mãos e apertava a minha perna com a outra. Em um ato mediúnico, jorrei todos os capítulos da novela das oito naquele lençol surrado. Pedi cinco minutos para recuperar o fôlego. Eva perguntou se eu pagaria em dinheiro ou pix, provando que a tecnologia invadiu até os pontos de rua. Paguei e dei caixinha.
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Começava a anoitecer, o céu estava com um tom inebriante. Deixei que o meu aparelho auditivo emparelhasse novamente com o celular...
RADIOHEAD
O som de Radiohead arrepiou os meus pentelhos. Eu estava feliz demais.