BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
DISSE QUE FAZ
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ

Sinto compaixão pelos descrentes que não se aventuram, pois se eu não ousasse flanar pelas ruas do Centro, jamais teria descoberto Eva.
Entardecer de uma sexta-feira que virou ponte para o feriadão, o que não impediu o movimento pelos arredores da Rua Uruguaiana, onde fui vítima de um camelô vigarista que praticamente me obrigou a comprar dois perfumes falsificados. Fique atento, afeiçoado forista, todo cuidado é pouco.
Fui cumprir o meu ritual de almoçar no Coliseu, rodízio onde há muitos anos sou habitué. Mesas vazias, escolhi o melhor lugar. Um casal a minha frente me impressionou pelas curvas psicodélicas da mulher jovem que acompanhava um coroa gordo e com semblante mal-humorado. Começo a maratona de ingestão de massas calculando qual seria o meu rumo após o banquete.

Quase botando canelones e talharim pelos ouvidos, pago a conta e salto para as ruas pesando uns dez quilos a mais. Entro na Casa Cavé para um café e uma sobremesa, após a nova degustação decido caminhar para os lados da Praça Tiradentes tomado pelo desejo de reencontrar Eva.
Tarde amena, aconchegante, apesar do peso da comida ainda não digerida. Caminhei devagar pela sempre deserta Rua da Carioca. Sinceramente, considerei difícil reencontrar a garota que me proporcionou um dos meus momentos épicos de deleite, mas a esperança é a última que morre — dizem.
Segui a rota da tarde em que me deparei com Eva e não deu outra, a encontrei no mesmo ponto, com a mesma amiga e com a mesma roupa sexy. Ela frisou os olhos como se tentasse me reconhecer e sorriu. Sorri de volta. O reencontro se concretizava.
— Oi, meu bem. Voltou ou está perdido? — Eva me lança o rascunho do convite.
— Voltei por você — respondo com a cretinice do cafona.
Eva não diz mais nada. Pega a minha mão e me puxa para dentro dos escombros arquitetônicos onde atente. Por uma fração de segundos, lembrei-me que Machado de Assis começou sua jornada de glória naquela região, como funcionário de uma gráfica, antes de se tornar o mito que o eternizou. O grande mestre certamente me censuraria se observasse o meu mergulho na decadência lúbrica.
O quarto sombrio, o colchão encardido coberto por um trapo que se fazia de dublê de lençol, Eva novamente me dizendo que eu não precisava tirar a roupa, bastava arriar a calça e me deitar. Desta vez, ela já avançou me beijando intensamente, mordia meus lábios, lambia o meu rosto, se esfregava em minha virilha, me xingava. Desceu a boca e deslizou a língua pelas minhas pernas, chupou meu saco gemendo, abocanhou meu pau e iniciou o boquete com aquela boca que deve ser uma serial killer de pau. O boquete de Eva nos exige muito esforço para não gozar em menos de 30 segundos. Fui forte, lancei meus pensamentos para as cotias e gatos do Campo de Santana e consegui atrasar o fluxo inevitável da minha seiva.
Eva ergueu-se subitamente, montou sobre o meu corpo e quicou freneticamente, arqueando o corpo, lançando os cabelos para trás e gemendo alto. Toda aquela situação reproduziu o clímax excitante do nosso primeiro encontro. Eva é uma especialista em provocar orgasmos. Em menos de um minuto ejaculei todos os capítulos de Breaking Bad.
— Vai me dar caixinha, né? — a menina me intimou.
Puxei mais cinquenta reais e somei ao cachê.
Quando descia as escadas rangentes, fui acometido por uma ponta de cãibra, coisas de velho. Retornei às ruas mancando como Keyser Söze e me recordei de uma cena fantástica do filme “Os Suspeitos”, quando Söze executa a mulher e os filhos para mostrar que não poderia mais ser ameaçado pelos seus inimigos. Dizem que a arte imita a vida, eu digo que a arte inspira a vida.

Retorno ao trabalho e ao meu breve exílio. Até...