BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
SIM
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ

—1—
Deixei o encontro com a Ísis Ferrari quando um relógio de rua da internacional Copacabana me informava que já badalavam dez horas da noite. Declara um conhecido meu que Copacabana “é a Tijuca com maresia”, mas não vejo assim. Na noite anterior, eu havia ingerido pelo menos um litro de Black Label e o meu corpo ainda sentia os efeitos colaterais. Após o embate com a Ísis, vagando pelo Posto 6, decidi que buscaria as verdadeiras emoções no traiçoeiro Centro da Cidade.
Sou um ébrio bissexto com muita resistência à bebida, mas confesso que o excesso de uísque de sexta-feira bloqueou as minhas memórias sobre a festa do Arena. Para ser sincero, não me recordo exatamente como cheguei em casa, sei que me vi na Lapa sem entender o porquê de estar ali, logo depois eu estava tentando acertar a chave no buraco da fechadura do meu chalé Tijucano. Enfim, sobrevivi.
—2—
Sou um noturno, me criei na caça e mesmo não sendo um bebedor nato, tenho espírito boêmio. Relatos somente com freelas impõem um ritmo muito café com bolo, tem introito, posfácio, é uma salada de frutas misturada a ilustrações de Maurício de Souza com sotaque dos quadrinhos do Chico Bento, Cascão, Mônica e Bidu. Eu aprecio, mas não é o que me satisfaz plenamente. O libertino está mais para uísque com Red Bull. O importante, no entanto, é que todos compõem essa diversidade indispensável e necessária para os fóruns, é a coletividade que cria o conteúdo para todos os gostos.
As freelas são uma opção na medida certa para os homens casados, domesticados pelo cotidiano do matrimônio, homens que precisam de situações discretas, que deslizam escondidos pelos corredores dos prédios decadentes como se fossem gatos de apartamento que se esqueceram das delícias profanas da liberdade. É um outro estilo de vida, diferente do libertino raiz. Como nunca me casei nem tive filhos, mantive-me inserido nesta existência selvagem, numa soma de décadas que caminham para marcas septuagenárias.
—3—
Quando, finalmente, cheguei ao Centro, encontrei o lendário forista Krisium e outros camaradas, todos estacionados em uma banca de jornal da Avenida Presidente Vargas que virou ponto de libertinos. Krisium havia acabado de sair do Hotel Sevilha, depois de degustar uma negra colossal que rebocou do bordel 210 da Uruguaiana.
Bati um papo com a galera da seita. A maioria dos legendários foristas antigos não mais escreve em fóruns, porém, continuam ativos esbórnia. Sou o remanescente de uma era que começou há mais de vinte anos, sou uma raridade que persiste, talvez o último dos Highlanders ancestrais que fundaram o primeiro fórum que deu origem a todos os outros como este. Não sei se me orgulho disso, mas sou o que sou, uma alma com fleuma britânica exilada nestes trópicos de manadas míopes. Resumindo, um velho mundano amado pelos sábios e odiado pelos obtusos através dos tempos.
—4—

Decidi entrar no Clube Afrodite, um lupanar clássico onde o forista de sapatilha não ousa pisar, fincado quase na esquina da hoje sombria Avenida Marechal Floriano com Rua Uruguaiana. Minha intenção seria repetir o amasso com a Júlia, mas à noite nada é tão previsível e o libertino anda sobre o fio de uma navalha que pode, subitamente, cortar as ilusões. Júlia não mostrou a mesma receptividade da primeira vez, o que me fez eliminá-la da lista. Pedi uma água mineral e prossegui contemplando o cenário.
No breu silencioso da madrugada, na penumbra do bordel, a mulher se faz alvorada. Inesperadamente, surge uma fêmea deslumbrante na pista, mulata belíssima de fazer qualquer Sargentelli ressuscitar, quando ela entrou no salão tudo entrou em estado de suspensão. Então, ela começa a se remexer, rebolando ao som do funk proibidão, respingando sensualidade por todos os lados. Acredite, forista sem fé, esse é o milagre da noite.
A mulata colou em um sujeito que exibia na mesa um balde de cerveja, acredito que ela colou mais no balde de cerveja do que no sujeito. Eu não parava de encará-la, um filete de saliva me escorreu pelo canto da boca, insisti até o momento em que ela percebeu a minha presença e sorriu. Fiz um gesto para que se aproximasse.
— Qual seu nome? — perguntei.
— Rubi. E o seu?
— Dante, me chamo Dante.
Rubi não é uma mulher comum, Rubi é um totem sexual; é um conjunto de curvas que atentam contra o pudor do mundo civilizado; tem uma bunda que só posso descrever como uma imagem indecorosa devido às perfeitas proporções esféricas. A beleza exuberante de Rubi é quase uma falta de educação. Entrevista feita, mulher aprovada, pedi uma alcova.
O Clube Afrodite possui uma suíte, que infelizmente está sempre ocupada, o que me obrigou a aceitar o quarto comum. Rubi desnuda-se e me tasca um beijo com pressão de exame de endoscopia, língua que toca na traqueia. Ficamos nos pegando em um amasso para lá de caloroso, aperto a bunda, os seios e os beijos cada vez mais fortes. Ela pede que eu me deite e aplica um boquete no meu combalido pênis que me exigiu concentração máxima para evitar a ejaculação precoce, tive que puxar à hesitante memória a propaganda do Boston Medical Group para não capitular.
Rubi fica de quatro e diz que precisa sentir um pau, foi quando ocorreu outro imprevisto. Coloquei-me por traz da garota e pasmei diante da visão que se descortinava aos meus olhos, aquele tobogã sexual achocolatado e empinado para me receber. Só Caetano foi capaz de definir, totalmente demais. Fiz o preparo e introduzi o intimidado Pikachu — o breve — naquele templo vaginal que deve guardar mais pecados do que a Betsabá.
Talvez pelo efeito residual do álcool, dei umas cinto estocadas e gozei os milhares de espermatozoides que nunca verão o amanhã. Rubi pediu uma caixinha, eu dei. Conversa rápida enquanto nos vestíamos, despedida e rua.
Caminhando pela Rua Uruguaiana que ainda fervilhava com um pagode frenético, emparelhei o meu aparelho auditivo com o celular em busca da trilha sonora que me faria prosseguir pela obscura noitada...
BB KING
Os fantasmas não dançam sob a luz do Sol.