23 de Maio de 2024 às 10:34
BEIJO

NãO SEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO




“O conhecimento é limitado, só a estupidez é ilimitada”!

—Arthur Schopenhauer



Noite. Peguei um táxi na bucólica Tijuca, numa rua sombria, em frente a um motel onde esqueletos góticos se alimentam dos restos putrefatos da cozinha. Estabelecimento tão antigo que acredito que até o Fred Krueger tenha comido alguma meretriz por lá. O Rio é uma cidade gótica, uma Gotham City tropical. No carro, uma surpresa, o som alto tocava “Sonífera Ilha”, dos Titãs.

SONÍFERA ILHA

Os pneus deslizavam velozes sobre o negrume do asfalto. Pedi ao motorista que me deixasse na Avenida Marechal Floriano, em frente à esquecida Rua da Conceição. Meu destino era o Bombeirinho, a caverna pornoerótica do Centro da Cidade.

Desembarquei do veículo. Minha relevante circunferência e porte elevado não me deixam passar despercebido à luz de uma lua cheia intimidadora brilhando no topo do céu escurecido. Meu nome? Chamam-me Dante, um gaúcho de alma carioca, um notívago, escrevo, descrevo personagens e me contam que sou adversário dos esqueletos góticos. Van Helsing também era o pior inimigo do Drácula. É um pódio que me honra.

Morte

Estou em uma fase em que me sinto totalmente saturado do sexo com garotas de programa. Não consigo mais encontrar graça em vaginas que cobram tarifa de estacionamento e onde nem sempre a vaga é certa. Leio a justificativa de foristas para só se alimentarem de sexo pago, acompanho o papo-furado de que é mais barato sair com putas do que com moças de família (o barato sai caro, já dizia a vovó), mas nada me reanima.

Acompanho os foristas que escrevem relatos todas as semanas, no enfadonho ritmo mecânico em que cabem as repetições, pois “ninguém conhece as peles tão bem como as traças” — escreveu Proust. Eu enjoei. Infelizmente, porém, ainda aprecio a aura promíscua e alegre de alguns poucos bordeis deste Rio decadente, e o Bombeirinho é um desses que me obrigo a visitar ocasionalmente.

Quando dou o primeiro passo sobre as calçadas penumbrosas e históricas da Rua da Conceição, o meu aparelho auditivo emparelha com o celular e meus tímpanos surdos são inundados por The Killing Moon, do Echo and the Bunnymen. Senti o sopro da nostalgia vindo da década de 80, quando eu frequentava a boate Robin Hood, a Circus etc.

THE KILLING MOON

Subo os degraus do velho sobrado e me vejo dentro daquela escura gruta sexual que faz a alma do Bombeirinho. Já era tarde, muitas meninas no salão, muitos homens com baldes de cerveja sobre as mesas espalhadas. Eu estava sóbrio, tratei de corrigir o problema pedindo uma Ice. Esqueletos góticos são caretas, falsos moralistas, eu sou um degenerado bem-vestido.

A velhice ainda não incinerou completamente o meu charme. Percebo uma ninfa me encarando com olhos de quem queria arrancar a minha roupa, depois que arrancasse o meu dinheiro. Nada no planeta é grátis, atualmente até o flerte cobra imposto. Camila o seu nome. Fiz a entrevista básica, respostas aceitáveis, pedi uma alcova.

Subi para o sexo já pensando em retornar ao salão, pois eu estava com mais desejo de beber e dançar do que vontade de trepar, mas respeito o ritual. Não terei muito a contar, além de confessar timidamente que Camila conseguiu arrancar meu sêmen em poucos segundos, a partir de um boquete avassalador. Paguei por uma hora e creio que fiquei dez minutos numa daquela celas de sexo do Bombeirinho.

Voltei ao salão, bebi, mexi o corpo em uma coreografia insossa, consegui me divertir sozinho. Decidi ir embora. Caminhei em direção à desolada Avenida Presidente Vargas. Emparelhado com o celular, os meus aparelhos auditivos faziam minhas botas pisarem ao som de Born to be Wild, do Steppenwolf.

BORN TO BE WILD

A lua continuava brilhando implacável sobre o manto azul-marinho. Uma presença tão forte que, se eu não fosse surdo, poderia ouvi-la sussurrando: “A vida pulsa, o libertino vive”...

Yes