04 de Maio de 2025 às 09:51
JAQUELINE
https://www.solarium.com.br/
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM


É por isso que eu ainda escrevo...



*A INTRODUÇÃO


Por pura sorte, não sou pai nem avô, mas recebo muitas mensagens no privado de quem diz me admirar e uns poucos comentários bacanas como o que mostro acima. E eu agradeço. Fico sempre muito honrado. São esses Foristas generosos que me fazem adiar a aposentadoria definitiva, mas...

Estou ultrapassado para os fóruns sobre sexo pago. Confesso: sou um defunto digital. Caminho por entre tópicos como um fantasma sem código-fonte. Venho de um tempo que já foi — e, se querem saber, foi um tempo com mais verve!

O que nos falta agora são Foristas com F maiúsculo — figuras quase míticas, capazes de nos inspirar como profetas de um templo. Foi por esses iluminados, esses apóstolos da controvérsia e do talento, que me cadastrei num fórum há mais de vinte anos, como quem entra para uma seita movido pela fé no verbo. Foi com eles que aprendi.

Atualmente, poucos querem aprender — os neófitos já nascem prontos, ainda na incubadora, com diploma, opinião formada e um ego do tamanho do útero. O pior — o verdadeiramente sórdido — é que se roem de ressentimento diante do talento.

Vi fóruns nascerem com pompa e morrerem com peidos. Sumiram! Evaporaram como virgens num baile funk! Os que sobraram, no mínimo, estão na UTI de alguma UPA empoeirada do subúrbio.

Mas agora tudo é passado — um passado com cheiro de formol. Deixo que eles, os cadáveres, confirmem da cova rasa onde repousam suas vaidades fracassadas, que eu ainda vago pelas madrugadas — feito um espectro luxurioso — em busca do intrépido, do impossível, do quase divino desafio do orgasmo. Porque gozar, meus nobres, é o último prazer permitido aos pecadores.

Ainda escrevo, ainda deliro, ainda escandalizo. Porque se há algo mais ultrapassado do que eu, é a inteligência. E, ainda assim, me orgulho de não lhe ter perdido.

Na minha aurora nos fóruns muitos Foristas eram críticos mordazes, mentes afiadas como navalha em garganta de cafajeste. Hoje, perdeu-se a heresia, perdeu-se o escândalo. Restou a genuflexão.

As nossas memórias morrem conosco, como amantes trancadas num porão. Por que então não as deixar registradas com pompa e glória? Não se trata de quantidade, que é coisa amorfa para contadores e estatísticos. O que sobrevive e constrói a sua marca é a qualidade, meu caro. A qualidade, esta sim, é póstuma, é mortuária, é eterna.

Obcecados pelos likes da invariável corriola, afloram os Foristas de vitrine, vomitam duzentos relatos com a mesma estrutura de um arcabouço fiscal, como se copulassem com carimbos; enquanto outros reciclam palavrões com a mesmíssima posição de sempre dentro do texto; e há aqueles que descrevem o sexo com a frieza asséptica de um telejornal da BBC. Afrontando essa corrente, eu insisto, sim, insisto com minhas emoções em carne viva, com minhas narrativas shakespearianas, carregadas de pulsação, suor e almas aos berros! Porque para mim, cada relato é uma ópera. Uma aventura inimitável. Um crime passional contra a mediocridade.


*O RELATO


Recebi o convite de um amigo que está indo embora do Brasil com uma felicidade feroz — dessas que não apenas sorriem, mas escarram. Ele não parte, ele escapa. Convidou- me para ir à Solarium, no que respondi sem cerimônias...

— Não tenho dinheiro.

No que ele retruca:

— Eu tenho.

E lá fui eu, em um inusitado 0800.

A Solarium é uma casa pequena — pequena a ponto de parecer ainda menor por dentro, como se ocultasse seus segredos num espaço claustrofóbico, úmido de desejo e desilusão. Fica perto da Lagoa Rodrigo de Freitas, uma isca apetitosa para os gringos. Eu a frequentava mais quando o preço da perdição era acessível. Agora só volto graças a um patrocínio, quase como um velho ator que retorna ao palco por um cachê tardio. E como todo lugar pequeno, ali não se pode fingir por muito tempo — a embromação não têm onde se esconder.

O acaso é um brincalhão. Entrei na pista e tocava Poker Face. Nada como Lady Gaga para embalar uma cena que já nasceu constrangedora. Meus olhos, treinados pela lascívia, foram rápidos — quase sórdidos — ao flagrarem aquela mulher dourada alvorecendo na pista da boate como uma aparição carnal, dessas que anunciam o pecado antes de o cometermos.

LADY GAGA

Jaqueline é uma loira gaúcha de uma beleza crepitante — dessas que não apenas nos ferem, mas nos fazem arder em febre. Tão irresistível que, se um dia tivesse filhos, os meninos arrancariam os próprios olhos com as mãos trêmulas, num gesto bíblico de desespero, como filhos de Jocasta, apenas para não sucumbirem ao chamado incestuoso. Porque Jaqueline não caminha — ela desfila como a própria perdição, com a inocência criminosa das santas que inspiram adultério.

A mulher, sensível e experiente, percebeu meus olhos famintos — olhos de excomungado à beira da recaída — e veio. Sentou-se ao meu lado com a autoridade das tentações. Seu corpo roçou o meu num ato que desafiava a biologia e a moral. Meu combalido Pikachu — criatura que há tempos vivia entre a letargia e o luto — ergueu-se. Um milagre? Talvez. Ou quem sabe apenas o amparo de anjos errantes, bêbados, desempregados, que ainda se comovem com a carne vencida de um homem vencido.

Submeti-me, com a solenidade de um viúvo desconfiado, à entrevista cansativa que todo homem lúcido faz antes do mergulho na devassidão. Era uma gaúcha, uma conterrânea — e só essa palavra já parecia carregar um sotaque de sensualidade. Porém, mesmo sendo de graça, o inferno cobra caro depois. Não convém cair em armadilhas com o entusiasmo de um seminarista. Mas as respostas da menina — ah, as respostas! — vinham como suspiros de um diário proibido. Correspondia a todas as minhas expectativas mais impublicáveis. Pedi uma alcova, não como quem pede um quarto, mas como quem assina um testamento.

Estivemos quarenta minutos na alcova — tempo regulamentar para o pecado — mas a rendição da carne se deu nos primeiros quinze, logo após o estalo da fechadura. Foi quase uma ejaculação precoce, dessas que envergonham até os mortos. Mas como resistir? Os beijos da gaúcha não eram beijos: eram investidas vorazes, famintas, como se eu fosse um cordeiro entregue a uma sucuri em abstinência. Havia nela uma urgência que só conhecem as mulheres que beijam como se devorassem o próprio destino.

E confesso, com a vergonha dos adúlteros e o alívio dos condenados que encontram prazer na própria sentença: gozei enquanto a beijava. Sim, gozei — e ela, diabólica, me aplicava uma masturbação viril, quase insidiosa, como quem sabe que a queda de um homem começa pelas pontas dos dedos. Foi como se eu invadisse o Éden — não como Adão, mas como um intruso, um forasteiro libidinoso, aceito no paraíso apenas para ser expulso logo em seguida, com o gozo ainda escorrendo como prova do crime.

Não sei ao certo quanto o meu amigo gastou naquela noite — perdemos a conta entre um copo e outro de uísque, tragado como se fosse uma ambrosia amarga.

Eu puxei quarenta minutos de penitência e êxtase no quarto, isso sem contar o valor da entrada bico seco, que já ultrapassava os cem reais com o cinismo dos preços de bordeis cinco estrelas. Espero sinceramente que tenha lhe sobrado algum dinheiro para a viagem — ou ao menos para um último uísque no Free Shop, como quem brinda a própria falência com estilo. Eu encerro por aqui. Porque, francamente, todo homem precisa saber a hora exata de sair de cena.