02 de Junho de 2025 às 22:51
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

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REPETECO

SIM

Sim, voltei. Voltei como voltam os pecadores ao altar da perdição. Voltei como um cão ferido retorna à casa onde apanhou. Volto sempre que o encontro é mais do que carne — é abismo, é salvação. E assim foi com Camila.

Ah, Camila! Uma menina de olhos brilhantes, que transbordam uma ternura quase perversa. Camila não é uma mulher. Camila é uma vocação. Um destino. Ela se dá com a entrega mística de uma santa indecente. Cada gesto é uma confissão de amor e lascívia. E o pior — ou o melhor — é que ela gosta de agradar. É uma devota da volúpia alheia. Tem a paciência que só as mulheres mais nobres conhecem.

Para revê-la, atravessei outra vez a Leopoldo Bulhões — aquela artéria em chamas do Rio de Janeiro, onde o asfalto sangra e o ar cheira a pólvora. Os homens passam por lá como quem assina a própria sentença. Mas Camila... Camila justifica qualquer imprudência. Ela redime até a bala perdida. Se a cidade nos mata com sua violência, Camila nos mata de outro jeito — de gozo, de ternura, de uma paixão tão funda que chega a doer no osso.

E, confesso: morri um pouco nos braços dela. Morri de prazer, de susto, de assombro. E voltei. Porque só os mortos de verdade resistem à tentação de Camila.

Que mulher! Uma aparição! Uma dessas criaturas que não se contentam em ser bonitas — precisam ser fatais. Camila não passa, ela acontece. Um furacão de carne e pecado, dessas que arruínam casamentos, fé, e até a moral do mais íntegro dos indivíduos. É uma heresia de salto alto.

Ela abriu a porta — não era uma mulher, era uma revelação. Surgiu com uma lingerie, dessas que não escondem: insinuam, denunciam, atiçam. E mesmo antes de qualquer toque, eu já estava em pecado. Camila não caminhava: ela desfilava como quem conhece o próprio veneno. E me levou, feito cordeiro ao matadouro.

Ali, nua — e eu digo nua como quem diz “sagrada” — ela revelou toda a sua exuberância, um corpo esculpido por algum deus tarado da antiguidade. Deitei-me como um homem velho que esquece a própria vergonha. E ela — santa depravada, mártir do prazer — entregou-se com uma devoção profana. Sua boca fazia de mim um réu em júri celestial.

"— O altar é o cu."

Lembrei-me dessa frase sacrílega de Sade como quem reza um Pai-Nosso às avessas. Camila oferecia-se com um desprendimento que beirava a pornografia — ou a loucura. E quando cavalgou sobre mim, quando se transformou em amazona selvagem, não havia mais razão, nem moral, nem Deus no quarto. Só pele, suores e o escândalo sublime do desejo.

E eu — pobre homem gasto, vencido, vencido! — gozei como quem se desfaz da arma do crime. Espalhei sobre os lençóis a última esperança de uma linhagem que não virá. Milhares de espermatozoides mortos sem glória. Mártires sem causa. Todos caídos na batalha do prazer.

E, confesso: foi uma morte feliz.