BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
SIM
Ah, Camila! Uma menina de olhos brilhantes, que transbordam uma ternura quase perversa. Camila não é uma mulher. Camila é uma vocação. Um destino. Ela se dá com a entrega mística de uma santa indecente. Cada gesto é uma confissão de amor e lascívia. E o pior — ou o melhor — é que ela gosta de agradar. É uma devota da volúpia alheia. Tem a paciência que só as mulheres mais nobres conhecem.
Para revê-la, atravessei outra vez a Leopoldo Bulhões — aquela artéria em chamas do Rio de Janeiro, onde o asfalto sangra e o ar cheira a pólvora. Os homens passam por lá como quem assina a própria sentença. Mas Camila... Camila justifica qualquer imprudência. Ela redime até a bala perdida. Se a cidade nos mata com sua violência, Camila nos mata de outro jeito — de gozo, de ternura, de uma paixão tão funda que chega a doer no osso.
E, confesso: morri um pouco nos braços dela. Morri de prazer, de susto, de assombro. E voltei. Porque só os mortos de verdade resistem à tentação de Camila.
Que mulher! Uma aparição! Uma dessas criaturas que não se contentam em ser bonitas — precisam ser fatais. Camila não passa, ela acontece. Um furacão de carne e pecado, dessas que arruínam casamentos, fé, e até a moral do mais íntegro dos indivíduos. É uma heresia de salto alto.
Ela abriu a porta — não era uma mulher, era uma revelação. Surgiu com uma lingerie, dessas que não escondem: insinuam, denunciam, atiçam. E mesmo antes de qualquer toque, eu já estava em pecado. Camila não caminhava: ela desfilava como quem conhece o próprio veneno. E me levou, feito cordeiro ao matadouro.
Ali, nua — e eu digo nua como quem diz “sagrada” — ela revelou toda a sua exuberância, um corpo esculpido por algum deus tarado da antiguidade. Deitei-me como um homem velho que esquece a própria vergonha. E ela — santa depravada, mártir do prazer — entregou-se com uma devoção profana. Sua boca fazia de mim um réu em júri celestial.
"— O altar é o cu."
Lembrei-me dessa frase sacrílega de Sade como quem reza um Pai-Nosso às avessas. Camila oferecia-se com um desprendimento que beirava a pornografia — ou a loucura. E quando cavalgou sobre mim, quando se transformou em amazona selvagem, não havia mais razão, nem moral, nem Deus no quarto. Só pele, suores e o escândalo sublime do desejo.
E eu — pobre homem gasto, vencido, vencido! — gozei como quem se desfaz da arma do crime. Espalhei sobre os lençóis a última esperança de uma linhagem que não virá. Milhares de espermatozoides mortos sem glória. Mártires sem causa. Todos caídos na batalha do prazer.
E, confesso: foi uma morte feliz.