RIO ANTIGO

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Cinelândia — 1952

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Lapa em 1950, ainda emergindo da decadência e do abandono imposto após os anos moralistas do Estado Novo.

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CINELÂNDIA — 1925

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CINELÂNDIA — DÉCADA DE 60

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Avenida Beira Mar com o Pão Açúcar ao fundo, em fotografia de Augusto Malta em 21/12/1906.

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Rua da Candelária / 1900

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QUE FIM LEVOU? HELP, HIPPOPOTAMUS, FOSFOBOX

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Frequentadores relembram histórias de casas noturnas que marcaram época na vida dos cariocas e receberam personalidades mundiais
Por
Maíra Rubim
— Rio de Janeiro
30/03/2024 05h30 Atualizado 30/03/2024


Foi no início dos anos 1930 que a noite carioca começou a ferver. O point era o Cassino da Urca, frequentado pela elite política e empresarial. Depois vieram gafieiras, bares, boates, danceterias, discotecas e casas de show. Teve a Black Horse, Sacha’s, Little Club, Beco das Garrafas, Le Bateau, Sucata, Hippopotamus, Dancing Days, Fosfobox, Bunker e Crespúsculo de Cubatão. Mesmo quem não conheceu, com certeza já escutou esses nomes. Nas últimas décadas do século XX, a Zona Sul viveu uma invasão de boates, que tinham as matinês para os menores de idade a as noites para os boêmios. Eram dezenas de estabelecimentos que hoje já não existem mais, estão apenas na memória de frequentadores saudosos.

— A decadência das boates no Rio está ligada a uma mudança geracional, a uma nova cultura musical e a uma busca por espaços mais democráticos de convivência e expressão artística. Os jovens buscavam lugares onde podiam encontrar DJs e bandas da sua geração. Com o tempo, o público passou a ser protagonista, criando suas próprias festas. Se as casas noturnas mais conhecidas ficavam na Zona Sul e na Barra, nos últimos 25 anos percebemos a expansão para o Centro e a Zona Norte, resgatando a tradição dos bailes black dos anos 1970 e o aumento do uso de espacos ao ar livre. Essa democracia está nos preços dos ingressos, nos gêneros musicais e na diversidade. Para mim, a boate clássica está ligada a celebridades, ingressos caros e música internacional — avalia Leo Feijó, pesquisador autor do livro “Rio: Cultura da noite”.

Em Copacabana, uma das mais famosas era a boate Help, por onde passaram diferentes gerações que jamais vão esquecer do letreiro com as perninhas dançantes em neon. O empreendimento era do espanhol Chico Recarey, conhecido como o dono da noite carioca (ele era proprietário do Scala também). A decoração tinha paredes brilhantes e carpetes. Na abertura, em 1984, a casa era considerada a primeira megadiscoteca do país. Eram 3.070 metros quadrados, divididos em dois andares, em frente a uma das praias mais famosas da cidade e do mundo. Maradona, Prince, Cazuza e Gal Costa chegaram a curtir a noite carioca no espaço, que depois ficou conhecido como o templo da prostituição no Brasil. Dois anos antes de seu fechamento, o espaço voltou a ser procurado até pela elite. Recebeu famosos como Priscila Fantin, Bruno Gagliasso e Reynaldo Gianecchini.

— Sinto muita saudade dessa época em que íamos para boates toda semana, e não faltavam opções. Marcou muito minha adolescência. Foi quando comecei a sair. Tenho várias lembranças com minhas amigas. Cheguei a ir a uma festa na Help pouco antes do fechamento. Era um lugar emblemático —recorda a advogada Débora Braga.

Em 2008, o governo estadual publicou um decreto de desapropriação para que a Help cedesse o espaço para a nova sede do Museu da Imagem e do Som. O encerramento das atividades foi em janeiro de 2010. As obras começaram no mesmo ano, e a previsão de conclusão era para o fim de 2012. Já se passaram 14 anos e até hoje o museu não foi entregue.

Entre o fim da década de 1990 e a virada do milênio, nascia a Bunker 94 na Rua Raul Pompeia, em Copacabana. Foram oitos anos até as portas se fecharem em 2006. A casa recebeu artistas como Mr. Catra, MC’s Cidinho e Doca e Black Alien. O espaço chegou a abrigar outras boates, mas logo em seguida virou uma das unidades das Lojas Americanas.

— Foram vários fatores que influenciaram o fim das boates. As noites eram muito previsíveis, eram uma espécie de clubinho. Você sabia quem ia encontrar e que músicas iam tocar. Essa geração começou a ficar cansada disso. Outra questão é que quem fazia a noite eram os promoters, que eram mal remunerados e começaram a fazer suas próprias festas —avalia o empresário Allan Sant’Anna, que era dono do site RioFesta.

Famosos, morte e banho de espuma.

A jornalista Alessandra Carneiro lembra da época em que frequentava boates na Zona Sul.

— Eu tinha carteirinha de sócia da Bunker. Estava lá toda semana, às sextas e aos sábados, por dois anos. Tanto é que ganhei essa carteirinha e nem pagava mais entrada. Dói quando vejo aquela Lojas Americanas, tanto é que nunca consegui entrar ali. Comecei e terminei namoros dentro da Bunker. São tantas histórias. A área que eu mais gostava era a de totó, rolavam campeonatos no meio da noite — recorda.

Em 2004, em um subsolo na Rua Siqueira Campos, nascia a Fosfobox. A casa permaneceu aberta por 16 anos, até 2020, quando a pandemia obrigou o fechamento. A história não acabou aí, porque ela mudou de endereço para o Santo Cristo, mas seu espaço hoje abriga a SubStation. Um dos sócios é o músico e empresário Eron Falbo, que com o empreendimento tem o desejo de resgatar o glamour do Studio 54, que funcionou por nove anos nos Estados Unidos.

— A Fosfobox, para mim, era a melhor noite da Zona Sul. O som no subsolo era muito bom. As festas que eu frequentava tinham um público mais alternativo, que sabia se jogar na pista, dançar para valer e apreciar bons DJs. Além disso, a localização era excelente. Fui muito feliz lá e tenho memórias lindas do lugar — afirma a maquiadora Nina Marques.

A fama do teatro Scala começou com seus bailes, na década de 1980. No fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, a casa era conhecida pelos banhos de espuma, que marcaram uma geração. O lugar já recebeu apresentações e nomes como Liza Minnelli, Frank Sinatra, Tom Jobim, Tim Maia, Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Gilberto Gil e Milton Nascimento, além de personalidades internacionais, como o rei da Espanha Juan Carlos e a rainha Sofia. Uma dívida acumulada de R$ 17 milhões fez a casa fechar. Hoje, o espaço, ao lado do Shopping Leblon, abriga um prédio que teve a sua obra embargada. O Scala hoje funciona no subsolo de um edifício comercial da Avenida Treze de Maio, no Centro.

— Lembro de uma noite que fui com minha amigas e tentamos entrar com vodca dentro de uma garrafa de água. O segurança achou e, depois que estávamos na festa, tivemos que pagar, acho que R$ 15, para pegar a bebida de volta — diz a administradora Melissa Bielkin.

Quem não lembra da Baronetti, no número 354 da Rua Barão da Torre, em Ipanema? Por seus camarotes circulavam os filhos de Eike Batista e passaram muitas outras personalidades, como Mick Jagger e Rodrigo Santoro. No entanto, não restam apenas boas memórias do estabelecimento, que soma uma lista de confusões registradas nas páginas dos jornais — as notícias vão de morte a vítimas de agressões e batedores de carteira. O caso mais grave foi o de Daniel Duque, de 18 anos, morto pelo policial militar Marcos Parreira do Carmo na saída da boate em 2008. Dois anos antes, o lugar já somava escândalos. Um deles foi uma confusão generalizada que se formou na porta, quando um grupo de jovens tentou espancar um homem acusado de tentar furtar o carro de um deles. Na mesma noite, houve um tumulto com pessoas que deixavam o local. A polícia foi acionada nas duas vezes. No mesmo ano, o então deputado estadual Fábio Silva (PMDB), de 27 anos, se envolveu em uma briga com Mário Bulhões Pedreira, de 26. Pedreira foi agredido pelo parlamentar e seus dois seguranças. Também em 2006, Eduardo Magalhães Reis foi espancado na porta do local.

A boate de Rick Amaral encerrou as atividades em 2017, e em 2021 o Talho Capixaba abriu uma loja no endereço.
Maioria agora é prédio residencial

No Leblon, foram marcantes as boates Bombar e Guapo Loco, onde funciona o Nido Restaurante. O espaço chegou a abrigar o restaurante Aconchego Carioca, de Katia Barbosa. Também em 2017, após 17 anos, a boate 00, que funcionava no Planetário da Gávea, fechou as portas devido a uma decisão contratual da prefeitura.

A Lagoa reuniu várias casas noturnas ao longo dos anos. O número 1.426 da Borges de Medeiros abrigou Papagaio, Resumo da Ópera, Trash, Meli Melo e Sky Lounge. Assim como no caso da 00, nada funciona no endereço na Lagoa.

— Para mim, tudo começou na Resumo da Ópera . Eu conheci o pessoal que era relações públicas da casa, e meu aniversário de 13 anos foi na matinê. Depois, foi um caso de amor pelas baotes da cidade. Minha festa de 15 anos foi uma casa noturna. A de 18 foi na Maxim's. As noites de quinta e domingo eram na El Turf — conta a assessora científica Mariana Genuíno.

A Prelude, que foi sucedida por Katmandu, Nuth Lounge e Miroir, ficava no número 1.484 da Epitácio Pessoa, e deu espaço a um empreendimento imobiliário. A Prelude nasceu no fim dos anos 1990 e por pelo menos 12 anos era uma das casas noturnas mais frequentadas da cidade: recebia cerca de 350 clientes por noite. Fechou no ano de 2012. Jovens da Zona Sul, principalmente universitários, eram maioria entre os frequentadores da casa. As filipetas eram distribuídas nas faculdades.

— Frequentávamos as noites da Katmandu. Lembro de um dia que um amigo beijou a estátua que tinha ali. Estávamos sempre em um grupo e somos amigos até hoje, sempre nos recordamos desses tempos —conta a engenheira Priscilla Dalvi.

Em 2016, o espaço chegou a reabrir como Jack Daniel’s, onde eram realizados shows de rock. A casa tinha também uma mesa de sinuca.

— Comecei a namorar um músico que se apresentava ali quando era Jack Daniel’s. Nós nos conhecemos numa noite em que ele estava fazendo um show — lembra a jornalista Cibele Lorezoni.

No mesmo bairro, mas na Avenida Lineu de Paula Machado 696, funcionava a Cozumel. O espaço hoje está em obras e será um prédio residencial.

— A Cozumel era chamada de Cozumacho porque só tinha homem. Era um lugar mínimo e lotava a ponto de não ser possível andar. Lembro uma vez que fui dar um passo para frente e não tinha para onde. Tentei voltar e já não tinha mais espaço. Fiquei em um pé só —recorda a arquiteta Bianca Rubim Fonti.

Na década de 1980, surgiu a Maxim's na Torre do Rio Sul, que encerrou as atividades antes de 2017 e cedeu espaço para uma imobiliária. No quarto piso também ficava a Fun Club, que deu lugar a uma das lojas do mall.

— Com 13 anos, eu era promoter da matinê. Todo mundo da escola tinha essa função. A gente tinha alguns benefícios e não precisava entrar na fila. Não lembro se a gente recebia algum dinheiro também. Na Meli Melo eu lembro que consegui ir na night com 14 anos. Paguei o segurança para entrar. A gente vivia nas boates — lembra a dentista Juliana Alcântara.

Uma das mais que casas que mais resistiram foi a Mariuzin, em Copacabana, que já recebeu nomes como Leila Diniz, o cineasta Domingos de Oliveira e até o craque Pelé. Em 2014, o português Mario Zuzarte, sócio-fundador da boate, deixou o negócio e abriu uma nova casa noturna na Rua do Ouvidor, no Centro. O espaço agora tem o nome New Club.

— A gente amava a Mariuzinn, mas desconfiava do que eles serviam nos drinques. Era um lugar ótimo para ir com os amigos. Depois que a gestão mudou, nunca mais voltei — completa Juliana.

Muitas outras casas fazem parte da memória dos cariocas. Teve o Studio RJ, onde hoje funciona o Boteco Praça. O Ballroom, no Humaitá, que é um condomínio residencial, assim como a Melt, no Leblon. O El Turf Gávea, que depois virou Pátio Lounge e Namastê Club, no Jockey Club, em cujo endereço constam três nomes: Inverso Gávea, academia SmartFit e Derby Bar. A Casa da Matriz, em Botafogo, virou Fonte Bar. A Casa Rosa, em Laranjeiras, está fechada desde 2014. A Le Boy, a boate mais antiga de Copacabana, conhecida como templo da noite gay na cidade, fechou em 2014 e está à venda.

Exemplo de resistência a Galeria Café, na Teixeira de Melo, em Ipanema, reabriu em 2021 após a pandemia.
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Re: RIO ANTIGO

Mensagem por vadeR »

Matrix

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Re: RIO ANTIGO

Mensagem por admirador-rj »

Mesmo hoje o Rio continua lindo, atrás de um monte de fios e pixação.
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Re: RIO ANTIGO

Mensagem por Oscaralho »

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Re: RIO ANTIGO

Mensagem por Eddie Adams »

Oscaralho escreveu: 01 Jul 2024, 00:56 Imagem
👏👏👏👏👏👏👏👏
Saber todo mundo tem um talento!
Que dizer todo mundo tem um talento especial!
Todo mundo tem uma coisa especial!

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Re: RIO ANTIGO

Mensagem por pgggato45 »

:palmas: :palmas: :palmas:
Oscaralho escreveu: 01 Jul 2024, 00:56 Imagem
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Re: RIO ANTIGO

Mensagem por gargamel »

Banho de luz "radiotermo" me deixou curioso 😆
Lá, lá, lálá lá lá, lá, lálá, lá lá
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Re: RIO ANTIGO

Mensagem por Oscaralho »

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Clássico da literatura erótica carioca direto dos anos 1990 do século XX.
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Re: RIO ANTIGO

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Rua do Ouvidor, início século 20.

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