[TERMAS] MOSAICO - INFO

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[TERMAS] MOSAICO - INFO

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https://extra.globo.com/noticias/rio/na ... 42525.html


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Já eram mais de 15h quando um grupo de mulheres entre 20 e 26 anos começou a chegar à boate Mosaico, na Vila Mimosa (VM), na Praça da Bandeira. Ainda com cara de sono, elas começam a se preparar para mais uma noite de trabalho. A casa, de três andares, toda preta e com muitas luzes vermelhas e roxas destoa dos bordéis mais simples que circundam a região. Lá o programa custa R$ 300 a hora, enquanto na rua meninas chegam a cobrar R$ 50.

O estabelecimento foi escolhido pela cantora Valesca Popozuda como cenário para o seu novo clipe “Desce um gin”, que será lançado no próximo dia 2 de março. Na produção, a cantora surgirá dançando com algumas garotas de programa que trabalham na própria casa e vai aparecer com uma roupa igual à da prostituta Vivian, interpretada pela atriz Julia Roberts no clássico “Uma linda mulher”.

Mas, diferentemente do sonho de princesa da icônica personagem do filme, garotas de programa ouvidas pelo EXTRA dizem que estão correndo dos homens que querem bancá-las e fazer com que “mudem de vida”. Apesar de não ser a realidade de todas as prostitutas na cidade, muitas vezes sem outra oportunidade profissional e sujeitas a situações de violência, essas meninas dizem gostar do que fazem e são donas do próprio nariz.

Há pouco mais de um ano trabalhando na Vila Mimosa, Cléo Medeiros (nome fictício), de 19 anos, passou a fazer programas quando recebeu um convite de uma amiga que já trabalhava na noite:


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— Queria ter minha independência. E morria de curiosidade de saber como era esse mundo. Na quarta-feira, fiz R$ 900, mas como tenho filho e outras despesas, a grana já foi quase toda. A gente consegue faturar muito, mas o dinheiro voa. Às vezes tem cliente que chega aqui e não faz nada. Teve um executivo que se deitou na cama e quis só assistir a “Titanic”. Adorei, porque o programa foi triplicado — conta Cléo, embora a rotina para a maioria seja diferente.

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Enquanto Cléo conversava com o EXTRA, outra garota entrou no quarto-camarim. Era Mirela Gonzales, de 26 anos. Loura e com corpão, foi logo vendendo o serviço.

— Quer uma consulta? Aqui sou tipo psicóloga sexual. Escuto os caras, transo e também posso ser acompanhante. Estou no ramo há dois anos. E cheguei à boate sozinha, com a cara e a coragem. Gosto do que faço e não tenho esse lance de querer ser princesinha. É muito bom ser dona do nosso corpo e fazer o que a gente quiser — diz Mirela, que estuda Engenharia Civil. — Para a família e os conhecidos, digo que trabalho com eventos.

A vida dupla não se restringe às garotas que trabalham na VM. Até um dos sócios da casa esconde da família o seu próprio negócio. Inácio, de 42 anos, como pediu para ser identificado, é comerciante, casado e com filhos.

— Não gosto de falar muito da minha família. Para minha mulher, sou apenas dono de um bar. Mas sou sócio daqui há uns dois anos — revela o empresário, que cobra R$ 30 para os clientes entrarem na casa: — Tudo é revertido em consumação.

Popozuda na Vila Mimosa

A presença da Popozuda na Vila Mimosa parece ter levantado a autoestima das garotas do reduto de prostituição. Segundo Ranna, de 22 anos, que trabalha ali desde os 18, a cantora foi muito simpática com todo mundo:

— Ela deu uma levantada na bola das mulheres que trabalham aqui na Vila Mimosa. Até eu cheguei a dançar no palco da boate com ela. Sou de uma família de prostitutas, e essa é minha vocação — acredita Ranna, revelando, no entanto, um dos lados perigosos da profissão: — Minha avó e minha mãe foram garotas de programa. Infelizmente, na época da minha avó, as garotas não se protegiam e ela acabou sendo infectada pelo vírus HIV.

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Valesca, que conheceu a Vila Mimosa no dia da gravação, diz que gostaria que a região voltasse a se tornar um reduto da boemia carioca.

— A Vila Mimosa é aquele lugar de que todo mundo ouve falar e tem vontade de saber como é. Foi a minha primeira vez e me senti à vontade. Me remeteu muito ao antigo Rio de Janeiro e me traz lembrança boas. Escolhemos o local como cenário para gravar meu novo clipe justamente pela boemia que transcende por lá. Espero que as pessoas assistam ao clipe e tenham vontade de visitar o local — explica Popozuda.
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Re: [TERMAS] MOSAICO - INFO

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Em meio ao pandemônio do ano de 2020, se há uma boate com boas chances de atravessar a crise atual, essa boate é a Mosaico, incrustrada à margem da internacional Vila Mimosa. E a possibilidade de sobrevivência não se dá à toa ou por clichês promocionais, como ocorre em todas as outras casas que ainda estão de pé. A Mosaico conta com a mente inquieta de um dos seus gestores, talvez o mais proativo e criativo entre os proprietários de termas no Rio.

Conhecido por Eliseu entre os foristas, foi o único capaz de causar aglomeração com direito a manchete no Jornal Extra com uma fórmula simples, que nem se pode chamar de original, mas que inovou com potência nuclear este período de marasmo sanitário. A ideia do Eliseu para turbinar a casa foi convocar um show da pornô Elisa Sanches. Deu certo. Deu mais do que certo. Gente saindo pelo ladrão no dia do acontecimento.

O histórico de promoter do Eliseu é antigo, foi o primeiro proprietário de casa a oferecer condições especiais e descontos para atrair a presença de foristas para a Mosaico, além de ser um sujeito de um carisma fora de série e de coração generosíssimo. Na esteira da boa relação com os foristas, criou a Red Light, uma casa que ainda mantém a aura de lenda, mesmo após anos do seu fechamento. Para completar o currículo, ressuscitou a 65, que mofava entregue ao esquecimento antes que ele a reabrisse. Criou uma série de festas temáticas originais, inventou um “cartão de crédito” para foristas poderem degustar as meninas pagando depois (não faltaram os caloteiros), realizou aniversários de foristas em grande estilo (o meu inaugurou a ideia) e sempre tratou os foristas com a maior deferência, entendia o forista como formador de opinião e recebia todas as críticas como oportunidade de melhorar o atendimento das casas que gerenciava. Sinceramente, nunca vi surgir outro Eliseu, nem mesmo uma reprodução dele em menor escala. Talvez, o panorama do mercado sexual estivesse melhor se outros Eliseus tivessem aparecido.

A única casa que tenho ido esporadicamente é a Mosaico, principalmente porque a boate conta com um espaço aberto onde me sinto um pouco menos exposto ao risco de qualquer vírus. É a única casa que também vai mantendo um movimento regular e com desfile de mulheres interessantes.

As iniciativas promocionais do Eliseu são copiadas por todos os outros gestores de casas, do Centro ao subúrbio. Na falta de criatividade, preferem chupar a ideia alheia, mas com eles parece não funcionar com tanto sucesso. Moral da história: uma boa cabeça faz diferença em tempos bicudos.
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