O QUE IMORTALIZA UM FORISTA? O STATUS, A PRODUÇÃO OU A BIOGRAFIA?

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O QUE IMORTALIZA UM FORISTA? O STATUS, A PRODUÇÃO OU A BIOGRAFIA?

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O QUE IMORTALIZA UM FORISTA? O STATUS, A PRODUÇÃO OU A BIOGRAFIA?


Ontem, 30 de junho, fechou-se o mês do meu aniversário, mais um outono e inverno vencidos. Feito o balanço, gastei consideravelmente menos do que no ano passado, quando dei exclusividade para uma a única mulher que conheci aqui pelo Arena. Neste junho de 2023, retornei aos trashes com intensidade, peguei uma ou outra mulher de pista, encontrei-me com duas putas camufladas do Tinder, estive pouquíssimas vezes nas grandes Termas e creio que só saí com uma freela (Nicole Borges). Imaginem, nessa jornada gastei menos do que em junho de 2022.

Tenho um pequeno orgulho besta, se me permitem confessar, nasci no mesmo mês em que Machado de Assis veio ao mundo, também não tive filhos, compartilhamos do mesmo signo e fico pensando se a conjuntura astral influencia no meu amor pelas palavras e pela psicologia humana. Não sou um escritor observador como foi Machado, sou um autor que participa da realidade sobre a qual escreve, é dela que vem a minha munição. Para este gênero de experiência escrita, existe até uma denominação, é o estilo gonzo (lembra gozo, né?). O estilo gonzo se origina no jornalismo (além de professor, sou jornalista, como Machado também foi) e é definido, segundo os manuais, como a “narrativa literária de vivências e descobertas pessoais em situações extremas ou de transgressão”.

Eu componho, não copio do google qualquer parte dos meus relatos, o google é que me busca depois. Não transformo o texto em um hieroglifo pós-moderno, repleto de figurinhas e emojis, prefiro o registro que provoca a imaginação, não aquele que se impõe à imaginação. Por algum milagre, neste país de milhões de analfabetos funcionais, conquisto alguns leitores que são bons leitores. Narrando as perdições da vida mundana, de certa forma, deixo uma contribuição cultural que possui qualidade e originalidade. Modéstia à parte, faço parte de uma linhagem de foristas que não mais existe e sempre espero motivar o nascimento de novos membros da estirpe que se foi.

É difícil para o Dante, este meu alter ego que funciona como um correspondente do inferno, escrever sobre o que escolhe vivenciar. Em todas as épocas existiu uma forte caretice nos fóruns (um estranho contrassenso), pois há foristas que possuem TDs, estão na lista dos dez mais, se pensam antigos na pista, mas não possuem biografia e consequentemente só conseguem crer nas fronteiras das limitações em que transitam.

Como eu disse acima, pertenço a outra linhagem de libertinos, já saí com muitas mulheres que fazem ponto na rua, criei uma comunidade no Orkut (sim, sou velho) sobre a Vila Mimosa que alcançou cerca de 10 mil membros; promovi encontros históricos na zona; fui cercado e ameaçado de agressão por uns mal encarados que souberam e não gostavam da comunidade sobre a VM; já entrei em boate gay de Copacabana atrás de uma bissexual maravilhosa e vivemos noites de tirar o fôlego; já namorei prostitutas viciadas, levei putas agressivas para dentro da minha casa; fiz uma infinidade de ménages, troca de casais; já entrei em um sauna gay por engano (acredite se quiser); virei mil e uma noites na extinta Discoteca Help, de onde saí com mil e uma mulheres que caçavam gringos; já subi a favela do Tuiuti atrás de uma puta pela qual me apaixonei; já entrei no complexo do Chapadão atrás de uma mulata que só aceitou sair comigo se eu fosse buscá-la; subi até o topo do morro do Salgueiro para encontrar uma passista que fazia programas; quase fui parar na Inglaterra atrás de uma acompanhante gaúcha que me arrebatou pela paixão e que conheci em uma linha cruzada; namorei uma puta que morava perto da Central do Brasil, saí com putas que faziam ponto na Central do Brasil; tive um caso com uma atriz pornô que alugou uma casa na Mimosa; atravessei a Praça Mauá em muitas madrugadas, entrando nas boates, nos hotéis, beijando meretrizes e me misturando a uma fauna noturna que que foi exterminada pelo “Museu do Amanhã” (eu preferia o ontem). Por aí vai...

O forista que não vive, por incapacidade ou pelas próprias limitações, sente dificuldade em acreditar naquele que vive. Eu vivo (já vivi mais, hoje a idade começa a pesar).

Neste último dia de junho, aproveitei o dinheiro que sobrou da minha farra de aniversariante e me programei para ir em duas casas: Up House e Mosaico, as duas que funcionam pela madrugada e eu saí de casa muito tarde para a despedida do mês. Foi no caminho que me entreguei a essas reflexões e decidi erguer este tópico com parte do texto que também está em um dos relatos que escrevi.

Hoje, o que torna um forista um genuíno forista? A quantidade do catálogo que expõe ou a qualidade da biografia que constrói junto com o catálogo que expõe?

Talvez, as duas maneiras de experimentar a libertinagem definam um forista, sendo que um deles entende o fórum somente como um depósito de relatos e o outro compreende o fórum como um registro com características históricas, a crônica de um lado oculto da vida cotidiana que pulsa freneticamente por trás do biombo da hipocrisia. A questão é que o forista que apenas produz relatos sente dificuldade para acreditar (ou mesmo simpatizar com) no forista que vive o que escreve. Ser ou não ser? eis a questão — preconizava Shakespeare. :hum:
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Re: O QUE IMORTALIZA UM FORISTA? O STATUS, A PRODUÇÃO OU A BIOGRAFIA?

Mensagem por membro »

Admito, com um certo constrangimento, que atualmente leio poucos TDs, dos poucos foristas que me chamam a atenção. Também não saio curtindo relatos de forma vazia como vejo fazerem, não me interessa parecer o Tio Simpaticão que curte tudo e todos. Agora, eu curto o que me agrega algo quando leio. Prefiro valorizar o conceito e a curtida para que de fato seja uma curtida.

Vejo foristas escreverem TDs como se fossem prontuários da UTI de algum hospital. Tem TD que eu leio que parece ter sido escrito pelo Spock, tal a falta de emoção. Entendo que ninguém precisa ser o Ernest Hemingway para escrever um relato, mas alguma emoção há que se transmitir após uma relação sexual. Do contrário, prefiro ler bula de remédio.
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Alain Scorpio
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Re: O QUE IMORTALIZA UM FORISTA? O STATUS, A PRODUÇÃO OU A BIOGRAFIA?

Mensagem por Alain Scorpio »

Crudelíssimo!!!

Me lembrou que quando a Blitz estourou com "Você não soube me amar", nós, adolescentes pamonhas, ficávamos repetindo "Mas realmente... Eu preferia que você estivesse nua" com a voz e a "emoção" do Doutor Spock!!!
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