HELP NOSTALGIA
HELP NOSTALGIA
A Help, saudoso e difamado inferninho — um épico de Copacabana. Cravada na Avenida Atlântica, a boate confrontava o oceano com altivez, sem jamais esconder sua vocação libertina. Templo preferido das garotas de programa e dos gringos em peregrinação por aventuras sexuais, serviu-me, em muitas madrugadas, como refúgio e abrigo para os meus delírios solitários.
Por dentro, era uma festa psicodélica. Guardava proporções de um Coliseu, com paredes revestidas de lantejoulas azuis e uma pista iluminada por estroboscópios refletidos em globos espelhados do tamanho de luas interiores. Sobreviveu à virada do século como um cenário fossilizado dos anos 80, congelado no tempo, vibrando sob o som de um hedonismo fora de época. Hoje, demolida, está prestes a renascer — ironicamente — como o Museu da Imagem e do Som. Ali jaz a luxúria, morna e mineral, sepultada sob um mausoléu de concreto e saudade.
Foi entre amazonas, caçadores e forasteiros que ela surgiu da arena erótica e me pediu uma cerveja. Morena e bonita. Não neguei a gentileza. Bebemos e conversamos por um tempo. Em certo momento, a jovem disse que não queria trabalhar naquela noite, e me convidou para nos sentarmos na areia e esperar o Sol nascer. Estranhei o convite, mas aceitei.
Acomodados na praia, me ocorreu que eu sequer sabia seu nome.
— “Brisa” — ela disse.
Imaginando tratar-se de um nome de guerra, perguntei o verdadeiro.
— “Brisa” — repetiu, sorrindo, e mostrou a carteira de identidade, com registro na Bahia.
E foi então que compreendi — que força milagrosa carrega a natureza. Ela floresce em desertos, sopra alento nos porões da humanidade, e, vez ou outra, inspira uma prostituta a abdicar da grana apenas para ver o dia nascer ao lado de um homem qualquer.
E ali, com um beijo delicado, a alvorada se banhou no mar.
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Mulato Roqueiro Verified
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- Registrado em: 03 Jan 2016, 22:44
Re: HELP NOSTALGIA
Curioso, já bati papo com uma mulher de Copa chamada Brisa mas, ali naquele bar da esquina da Atlântica com a Praça do Lido, em uma tarde do domingo. Na época ela estava com os cabelos louros, certamente pintados. Pelo relato do Velho Escriba, tratamos com a mesma pessoa. Nomes incomuns não cabem em duas pessoas diferentes.
E tenho boas lembranças de um carnaval na Help, no Baile Uma noite em Marrakesh, na terça-feira gorda de 2003. As garotas pensando que eu era gringo e, nem quando eu mandava um inglês de putanheiro elas percebiam o sotaque. Por fim, eu revelava a verdade e mesmo um tanto decepcionadas, nenhuma delas me tratou mal. Até me davam um beijinho na despedida.
E saí com uma garota de lá em janeiro de 2010 na penúltima noite da Help que, segundo informações, seria a última. Não foi. Como não tinha mais grana para a aventura e estava cansado da noite anterior, perdi a última noite da Help.
Deixou lembranças... e das melhores.
E tenho boas lembranças de um carnaval na Help, no Baile Uma noite em Marrakesh, na terça-feira gorda de 2003. As garotas pensando que eu era gringo e, nem quando eu mandava um inglês de putanheiro elas percebiam o sotaque. Por fim, eu revelava a verdade e mesmo um tanto decepcionadas, nenhuma delas me tratou mal. Até me davam um beijinho na despedida.
E saí com uma garota de lá em janeiro de 2010 na penúltima noite da Help que, segundo informações, seria a última. Não foi. Como não tinha mais grana para a aventura e estava cansado da noite anterior, perdi a última noite da Help.
Deixou lembranças... e das melhores.
Baby eu lamento, mas não tenho tempo, prá sentir as tuas dores. As minhas eu já não aguento.
Cazuza
Cazuza