14 de Outubro de 2022 às 00:20
CONTOS DO NOEL - TINHA QUE SER
HO HO HO
O dia era uma quinta-feira. Saí de um enrosco sensacional, embarco no elevador rumo ao andar térreo e encontro uma dama queridíssima quando passamos pelo seu andar. Fomos colocando o papo em dia enquanto a acompanhava até onde pegaria a condução rumo ao seu lar. No meu retorno parto para uma missão assumida poucas horas antes: levar a melhor pipoca das redondezas à outra estimada menina. Apesar da demora, missão cumprida.
Nesse ínterim, já estava acompanhado do confrade Az, pois tínhamos combinamos de retornar ao local onde eu o tinha levado semanas antes. E assim o fizemos, caminhando e proseando pela Av. Rio Branco. Chegando lá, nos dirigimos à parte da boate, peguei uma bebida e antes que pudéssemos sentar, surge Agatha. Mal pude apreciar sua beleza, ela e Az se atracaram aos beijos e virei um misto de voyeur com castiçal nessa hora. Quando os lábios de ambos se distanciaram, sentamos os três para conversar, mas logo sugeri o outro ambiente, que era mais apropriado para isso.
O papo fluiu muito bem, assuntos dos mais diversos rolaram. Agatha é divertida, inteligente e articulada, o que fez o interesse por ela aumentar ainda mais. "Mas ela estava com o Az", diriam alguns. Eu sei disso. Mas fica a dica para uns e a constatação para outros: também sei que sou filho da puta. Então joguei umas marimbas discretas, outras, nem tanto, algumas a deixaram sem graça (
segundo as próprias palavras, mas todas foram rechaçadas. Me senti o Lúcifer na série homônima em suas investidas contra a detetive Decker. Bom, já que meus esforços eram infrutíferos (
por diversas razões que não vou enumerar agora), anunciei minha retirada. Achei por bem aceitar a justa derrota.
Ao contrário de Agatha, que estava inconformada que (sic) "alguém tão legal" não encontrasse uma menina. Ah, ela pediu. Mesmo sabendo que não mudaria o rumo do jogo (
que, sem saber, entrei sem chances de vitória, conforme o Az descreveu em seu TD), desferi mais uma cartada. O máximo que consegui foi um sorriso e seu olhar sendo desviado, exatamente como antes.
Foi então que ela saiu e retornou com uma menina que eu já tinha conhecido na minha visita anterior à casa, Dandara: uma falsa magra, bonita, de cabelos encaracolados e uma boca gostosa de beijar. Ficamos os quatro conversando até o momento em que fui ao bar buscar a bebida. Qual não foi minha surpresa ao ver Dandara subindo com um cliente quando voltei. Sentei com os pombinhos, olhei para Agatha e seu olhar já se desculpava pela reclamação que não precisei fazer.
Ela disse:
- Peraí que vou trazer outra, só um instante!
- Não precisa!
- Claro que precisa!
- Meu anjo, só vai piorar. O que acontece uma única vez, raramente acontece uma segunda vez; mas se acontecer, vai ter uma terceira. Melhor não!
Fui solenemente ignorado e lá foi ela mais uma vez, retornando com outra menina. Dessa vez trouxe a Layla, morena baixinha, cabelos negros na altura do pescoço e pele macia. Nos cumprimentamos e refizemos o quarteto. Papo vai, papo vem, o consumo de álcool me obrigou a ir ao banheiro. Na volta - surpresa! - Layla estava em outra mesa com outro cara. Foi o suficiente pra mim. Se antes me senti como Lúcifer, agora me sentia como Jesus, só que sendo negado por três Pedros diferentes.
Agatha não escondia a decepção em seu semblante. Bom, falta de aviso não foi.
Peguei minhas coisas, me despedi da jovem frustrada e do portador de um sorriso eterno, paguei minha conta e minutos depois estava na Av. Rio Branco com destino ao Bar do Zezé. Caía uma leve garoa. À essa altura do campeonato, você que está lendo deve estar pensando
"só faltava essa, ser negado três vezes e ainda pegar chuva, é muito azar". Como diria o
Dante, aí é que você se engana, forista sem fé. A fina chuva que mal tocava minha pele não veio como uma pá de cal nesta aventura, mas, sim, para lavar minha alma e me preparar para o que viria a seguir.
Ao chegar na esquina da Rio Branco com a Rua do Rosário, lembrei que era onde ficava a nova casa que o Martins (
que eu conheci semanas antes em outra ocasião) estava trabalhando, o
Club 21. Já que estava devendo uma visita para conhecer o local, alterei a rota e fui. Na porta do local, avisto um rosto conhecido e o cumprimento:
- Fala, Valmir! Tudo na paz?
- Qual é, Barba? Beleza?
- Como tá a casa?
- Encerramos já.
- Ah, não sacaneia. É sério?
- Sério.
- Porra, mas são 23h ainda ...
- Pois é, movimento hoje foi fraco, 'tamo' começando, sabe como é ...
- Foda ... Martins tá aí?
- Tá sim, quer falar com ele?
- Sim.
- Peraí que vou chamar.
Valmir manda um áudio pro Martins, que demora um pouco mas desce.
- Fala, Noel. Como você está?
- Chateado, né? Vim aqui fazer uma visita mas já tá fechado.
- Vamos lá em cima pra você conhecer a casa.
- Tá. Bora.
E subimos. Na escada, ele me apresenta uma menina que já estava de saída e cujo nome não me recordo. Mais um lance de escadas e chegamos à recepção e logo vamos ao salão, razoavelmente amplo com um "fumódromo" em um dos cantos (
que apelidei carinhosamente de 'câmara de gás'). Não sei como era a casa antes, mas estava tudo com cheirinho de novo.
Ficamos por ali papeando até que perguntei sobre o plantel.
"Ainda tem umas meninas aí que já vão descer. Vem cá que te apresento", foi a resposta dele. Voltamos para a recepção e logo aparece a
Leandra. Morena, cabelão cacheado, magrinha, ideal pro
MRio e
LP (
e quem mais gostar de meninas com esse biotipo, claro). Nos cumprimentamos e ela pede licença, vai pegar suas coisas para ir embora. Logo em seguida vem descendo outra menina, de chinelo, calça jeans e camisa de time. Baixinha, coxas grossas, bunda redondinha:
Fernanda é o seu nome.
Nos apresentamos e ofereci o rosto para os tradicionais beijinhos na bochecha. Ela segura meu queixo e manda um beijaço de língua. Já era, fui fisgado. Ao ver a cena, Martins fala:
"Noel, se tu quiser pode subir.". Olho pra Fernanda e nem precisei perguntar se ela topava, pois já estava agarrada ao meu corpo mordendo os lábios. Por conta do horário, avisei que seria só meia hora, mas que serviria como um trailer, o filme mesmo a gente ia protagonizar depois. Fiz os acertos e subimos.
Como ela já estava de banho tomado, me adiantei logo. Enquanto me lavava, fomos trocando uma ideia. Ao terminar, já pulo do box direto pros braços dela e sou recebido aos beijos, que, aliás, merecem um destaque: poucas vezes tive um encaixe de beijo como esse. E o elogio à sua boca e língua se estendem também ao oral que ela logo começou e é arrebatador. Pensei em muita coisa ruim pra não me esvair logo, mesmo sabendo que o tempo era curto, mas achei por bem segurar.
Depois de maltratar o Pequeno Rudolph, ela vem até mim. Me sento com ela no colo e ficamos aos beijos. Que entrega ela tem. Peço pra ela se deitar e me dirijo ao seu sexo. Agarrado às suas coxas roliças, caio de boca e ela já suspira. Sua buceta carnuda parecia pedir que minha língua a explorasse, e foi o que fiz. Fiquei me deliciando ali um tempo, até que ela procura minha mão, entrelaça os dedos e aperta firmemente. Chupo com mais vontade e logo ela goza, gemendo e se contorcendo.
Voltamos aos beijos, abraçados, numa pegação deliciosa. Não arrisquei nada por achar que nosso tempo estava por terminar, o que foi confirmado ao chamarem com a tradicional batida na porta. Aos risos e beijos, nos vestimos e comentamos sobre o que tinha acabado de acontecer. Mesmo rápido, mesmo no improviso, mesmo fora de horário, foi muito bom. Ainda mais pra mim, considerando o que tinha passado mais cedo. Fomos saindo, encontramos o Martins e descemos. Ali perto tem um churrasquinho na esquina e ficamos ali aguardando ela pegar o Uber junto com Leandra, que estava esperando para irem embora juntas. Enquanto o carro dela não chegava, contei de forma resumida a saga que foi até eu parar ali. Fernanda olha pra mim e diz:
- Sabe porque tudo isso aconteceu e agora a gente está aqui?
- Não, me diga.
- Porque tinha que ser.