BEIJO
NãO SEI
ORAL
NãO SEI
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
PISADA DE BOLA
Horas a fio imerso naquele aquário de misérias humanas, assistindo ao desfile de hipocrisias e testemunhando a justiça, essa senhora cega, tatear em meio a um labirinto de processos mal costurados. Ao final do expediente, eu não era um homem, era um farrapo, com a poeira da mediocridade alheia impregnada na pele.
O ritual de purificação era mandatório: um bar de beira de estrada, um copo de bebida honesta e, quem sabe, uma companhia que me fizesse esquecer que a humanidade, por vezes, é um projeto que deu terrivelmente errado.
Foi nesse estado de espírito que, no cardápio digital de prazeres avulsos, meus olhos pousaram em Lorena. A descrição era uma ode à abundância: uma novinha cheia de carnes, uma promessa de refúgio macio e acolhedor. O telefonema que se seguiu foi a isca perfeita. A voz dela era um veludo, um bálsamo de simpatia e calor que me fez acreditar que, sim, o universo me devia aquela recompensa. Cada palavra era um convite, uma garantia de que a noite terminaria em uma celebração hedonista, e não em mais um capítulo da minha já extensa antologia de decepções.
A realidade, contudo, é uma dama cruel que se delicia em rasgar nossas fantasias mais bem tecidas. O encontro foi marcado num motel barato, cujo nome piscava como um doente em fase terminal. E lá estava ela. A voz de veludo pertencia a uma figura cuja frieza faria um iceberg sentir-se uma estufa.
A novinha carnuda estava lá, ainda que pouco diferente das fotos, mas habitada por uma alma ríspida e um olhar de peixe morto. O "acolhimento" do telefone se transmutou em uma sequência de monossílabos grosseiros e uma postura de quem me fazia um enorme favor. A mentira se revelou quando ela tentou, com a sutileza de um trator, alterar o valor combinado, e a canalhice se manifestou em seu desdém absoluto por qualquer coisa que não fosse o dinheiro em sua mão.
Ela não era uma profissional, era uma fraude. Uma amadora no grande palco do desejo, desprovida de qualquer arte, de qualquer lampejo de autenticidade. E ali, de pé naquele quarto fétido, a decepção se converteu em uma fúria gelada. A ofensa não era pela tentativa de golpe, mas pela quebra da liturgia, pela profanação de um ritual que, para mim, é sagrado. Por um instante, uma violência primitiva, o desejo de apagar aquele sorriso cínico com um soco, borbulhou dentro de mim.
Mas eu, um veterano da vida, respirei fundo. Afogar-me em sua mediocridade seria a derrota final. Ajeitei a roupa, dei-lhe as costas sem uma palavra e fui embora, deixando-a com sua própria insignificância. A noite foi um fracasso, um prejuízo no livro-caixa do prazer.
Mas, ao sair, eu não estava derrotado. Estava apenas com mais uma história para contar, uma cicatriz amarga que serviria de lembrete: no teatro da vida, até a mais promissora das peças pode ser arruinada por uma péssima atriz.