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Tópico da [TERMAS] FEITIÇO DO TEMPO

R. do Santana, Centro
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CRUELLA
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12 de Dezembro de 2021 às 01:01
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REPETECO

TALVEZ

Tenho preferência por me vestir com roupas de tons escuros, é um hábito que adquiri no frio do Sul, meu berço. Vestir-me de preto não combina muito com o calor carioca e me faz um Zorro tropical, mas hábitos são difíceis de quebrar. Há alguns anos, tornei-me insone. Não é incomum, durante a semana, eu só conseguir adormecer na alta madrugada, sou obrigado a passar pela solidão noturna lendo, assistindo filmes, escrevendo (como agora) ou me aventurando em arriscadas incursões urbanas. Na última sexta-feira, peguei o carro e ganhei as ruas sob sombras e penumbras. Mergulhar na madrugada do Rio é como dançar no fogo.

ABERTURA

Dirijo sem rumo, planejando ir à Boate Mosaico, mas logo mudei de ideia. Lembrei-me de um point onde fazia meses que eu não pisava, o bordel Feitiço do Tempo, que também fica aberto durante a madruga. Acelerei o Sucatão, que rompeu o asfalto com um grito de leão faminto e solitário. Não havia trânsito nem movimento pelas calçadas. Sentado ao volante, eu cortava o vento e o silêncio até que alcancei a Praça da Cruz Vermelha. Ousei parar diante do sinal vermelho, um adolescente de pele clara se aproximou da janela do Sucatão falando com a voz alterada.

— Aê, tio, passa uma grana, passa uma grana — o tom era de exigência.

Olhei para o cinzeiro do Sucatão, estava abarrotado de moedas, enchi o punho com algumas delas e despejei nas mãos do moleque. O semáforo passou para verde, soltei a embreagem e disparei em direção a rua Vinte de Abril. Escutei um grito furioso se perdendo na noite.

— Eu pedi dinheiro, não pedi esmola, seu FILHO DA PUUuuutaaaaa.

Eu já ia longe e vi a imagem do rapaz se desvanecer pelo retrovisor. Estacionei próximo à rua do Senado e percebi que o sobrado do Feitiço do Tempo estava fechado. Fui caminhando, encontrei um botequim aberto e tentei me informar no balcão.

— Acabou o puteiro?

— Eles saíram daí, tão lá na rua do Santana.

Retornei ao Sucatão e tracei o novo percurso. Ao entrar na rua do Santana, vejo um sobrado com bolas coloridas penduradas na entrada. O Feitiço do Tempo mudou de endereço pela terceira vez. Parei o Sucatão na primeira vaga que vi e desembarquei. O novo ponto do puteiro é menos caído. Por fora, o sobrado passa imagem de limpeza e antes que eu subisse os lances de escada, vi um casal entrando no bordel. Um detalhe estranho, mas não me liguei muito à situação.

Quando finalmente piso com minhas botas na boate, cheguei a me arrepiar ao ouvir Gypsy Woman. O lugar realmente está mais arrumado, mantiveram as luzes de vela sobre as mesas e a decoração das paredes com discos de vinil agora ganhou o reflexo do brilho de um globo espelhado pendurado no teto. A surpresa é que vi cerca de 5 casais espalhados pelo salão, talvez aquecendo antes de entrarem no swing do Mistura Certa. Confesso que, neste momento, senti falta de uma boa companhia para visitar o swing que tanto gosto.

GYPSY WOMAN

A trilha emendou com La Bouche mandando Be My Lover. Não imaginem que tenho memória privilegiada, minha memória é péssima, mas anotei tudo nas notas do celular.

BE MY LOVER

Uma mulher surge na pista, seu corpo dançava junto com o efeito estroboscópico da iluminação, corpo de falsa magra, curvas vertiginosas emolduradas por um collant amarelo e fosforescente. Os cabelos compridos e negros escorriam pelos ombros da garota e exibiam um chumaço branco de fios que destacavam o rosto bonito de traços finos. Congelei acompanhando os movimentos da menina.

Velho cansa de ficar de pé, então busquei uma mesa estratégica e me acomodei. Fiquei tentando flertar com a mulher de cabelos com fios brancos até que ela percebeu os meus olhares e se aproximou.

— Oi, posso te fazer companhia? — ela me perguntou.

— Claro.

Ela se sentou ao meu lado, usava um perfume forte, mas agradável, desses que marcam a presença. Aqui começa a cena inusitada, a virada do enredo, aquilo que alguns foristas qualificam como “toque de humor”, mas que são fatos inusitados que ocorrem para quem se lança na vida real.

— Qual seu nome? — perguntei antes que ela perguntasse o meu.

— Cruella e o seu?

Não consegui responder porque comecei a rir, o nome me despertou um surto de gargalhadas, como se estivessem me fazendo cócegas. A menina reparou e ficou me olhando com um sorriso de Monalisa, o que piorava o meu descontrole. Mas isso foi só o começo de outra história que se desenrolaria. Por quê não deduzi que o nome da mulher seria Cruella? Aquele jeito de vilã da Disney caminhando pela boate, os fios brancos contrastando com os cabelos negros, tudo tão óbvio que não me dei conta.

— Você ainda não me disse o seu nome — ela insistiu.

— Dante. Meu nome é Dante.

VINHETA

— Dante? Você não é aquele que escreve sobre a casa, não. É?

— Por quê? — fiquei meio bolado com a pergunta, mas inclinado a confirmar.

— Cara, o dono daqui é doido para conhecer esse Dante.

— Pois sou eu — confirmei.

— Peraí — a menina sumiu por uma porta camuflada.

Dois minutos depois ela retorna com um sujeito baixinho, careca e com os braços abertos insinuando que me daria um abraço. Ele me abraçou.

— Caralhooooo, mano. Você é o Dante que escreve no GPArena?

— Sim, sou eu — respondi ressabiado, com a minha irritante timidez.

— Caralhooo, mano. Sou teu fã. Pode pedir o que quiser beber, é por conta da casa. Tu é foda, mano — o sujeito se sentou do meu lado direito e a puta do lado esquerdo.

O gordinho entabulou uma conversa em que me fez revelações surpreendentes. Contou-me ser formado em Filosofia, que era professor, mas cansou de tudo e abriu o bordel em sociedade com um amigo que trabalha com segurança privada e que está mais feliz agora porque ama a noite e o contato com as garotas de programa. Não interrompi a história, fiquei de ouvinte quase o tempo todo, falando somente quando ele me perguntou se eu era escritor, a pergunta de nove entre dez pessoas curiosas sobre a minha profissão. Quando revelei que curtia beber Corona, acredito que ele mandou vir umas cinco garrafas em sequência. No fim da conversa, me intimou a subir com a Cruella, oferecendo boas referências e ordenando que a menina caprichasse. Fui para uma alcova que, talvez, ele tenha mandado preparar quando soube quem eu era, tinha cama de casal, um lençol novo e um cheiro de incenso no ar.

Cruella tirou a roupa e exibiu um corpo afrodisíaco, mulheraço. Veio me beijando, me empurrou na cama, praticamente arrancou a minha calça e só faltou soltar em cima de mim os 101 Dálmatas. Abocanhou meu combalido pênis em um desses boquetes raríssimos que fazem o pau latejar e ameaçar a ejaculação precoce. Não foi apenas uma ameaça, gozei litros na boca da menina, que ficou me encarando e engoliu cada gota dos meus bolorentos espermas sem demonstrar qualquer pudor. Foi um programa expresso.

Quando desci, não vi mais o baixinho filósofo. Fiquei sem saber se devia pagar alguma coisa, como nem Cruella nem o gordinho apareceram, desci os degraus do sobrado ao som de Nirvana. Dei uma última olhada e a casa estava cheia, algo inacreditável se me contassem.

NIRVANA

Entrei no Sucatão, respirei fundo, girei a chave e o motor roncou como o leão que desperta depois do torpor de quem devorou a caça. Acelerei. O relógio da Central do Brasil brilhava com seus ponteiros incessantes apontando para o amanhã. O tempo segue, eu envelheço, mas ainda estou vivo e me chamam Dante. Ligo o rádio e sobrevoo o asfalto.

SWEET DREAMS
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RAZOáVEL RAZOáVEL
Dionizio_RJ 13/12/2021 08:10

Mais uma do Zorro Tropical, belo TD.

Papai Noel 13/12/2021 01:29

Parabéns por mais um belo relato, Dante
Como não podia deixar de ser, mais um personagem sui generis e pitoresco pra sua infindável galeria, o baixinho filósofo.

Frank_Jaeger 12/12/2021 11:30

Essa Cruella tem número? Pois alguém precisa descobrir

Senior69 12/12/2021 09:20

Exelente, como sempre!

LP come queto 12/12/2021 06:07

Uai, confrade, enfim conseguiste voar de 1ª classe após apresentar teu famoso passaporte! Excelente relato, como de costume!!! Só um pouco de asco ao ler o termo "...bolorentos espermas..." mas... não tira o brilho do episódio kkk

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LAURA
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18 de Julho de 2021 às 13:59
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Ontem me prometi não sair de casa, resistir à agonia de ficar enclausurado em um sábado à noite. Escolhi filmes, li um livro, comi uma pizza, mas nada disso foi suficiente para aquietar o espírito libertino. Eu precisava de alguma aventura ou, ao menos, da tentativa de me aventurar. Digo a você, afeiçoado forista, estou na fase da terceira idade em que durmo pouquíssimo, sou invadido constantemente por uma inquietude noturna que não me permite ficar aconchegado na atmosfera caseira. Vesti meu velho uniforme libertino (sim, libertinos são como heróis, usam uniformes), geralmente um vestuário em tons escuros, chamei um táxi (estou com a carteira de motorista vencida) e pedi para o piloto tocar para a rua do Senado. Passou-me pela cabeça ir para a Mosaico, na Vila Mimosa, mas fazia tempo que eu não visitava o Feitiço do Tempo. Decidi o meu destino.

Quanto mais o veículo se aproximava do Centro, mas a paisagem ia se tornando árida, deserta, silenciosa. As lâmpadas de vapor de mercúrio refletiam um cortejo de pálidas luzes amareladas, o asfalto nos conduzia pelo velório do vazio. Logo após a Praça da Cruz Vermelha, uma arena rodeada por velhos prédios carcomidos, pedi que o taxista parasse. Preferi ir a pé pelo resto do caminho. Finquei minhas botas na calçada, pisei firme e calmo, com a serenidade dos que conhecem os recantos furtivos e traiçoeiros da madrugada. Coragem não significa violência, mesmo porque violência muitas vezes significa covardia; coragem é sinônimo de ousadia e na maior parte das vezes é o contraponto à violência. Ninguém percorre tranquilo as ruas do Centro, mas a região da Cruz Vermelha é próxima à Lapa, também pontuada por bares e pés-sujos que compõe a fauna do local.

O Feitiço do Tempo é um inferninho que teve sua origem no entorno da Central do Brasil, depois o proprietário se uniu a um outro empreendedor e unificaram a firma nos arredores da rua do Senado. Neste último sábado, quando entrei na boate, tive uma surpresa que me deixou boquiaberto, o bordel está emplacando um perfil original, virando marca. Subi os degraus do antigo sobrado e quando entrei no salão tudo continuava iluminado à luz de velas, mas com velas estilosas. Do corte de luz, brotou a criatividade. A iluminação elétrica se restringia a umas poucas luzes coloridas colocadas em cantos estratégicos da pista. Avistei quatro casais, provavelmente se aquecendo antes de partirem para o Swing do Mistura Certa. De puteiro, o Feitiço do Tempo pescou a ideia de se firmar como boate temática de flash back. Achei genial.

Quando ainda estava buscando uma mesa para armar o meu acampamento, começou a tocar uma música de um passado muito distante (1987), meu melhor passado. Admito, colega forista, quando sou pego de surpresa com esses elementos que nos lançam para trás, fico a beira de me emocionar. Reconheci a música, reconheci a voz, reconheci a época. Patrick Swayze cantando She's Like the Wind. Acredite, forista sem fé, foi neste ponto uma garota chegou perto de mim e me puxou para dançar. Morena, alta, corpo esguio que denunciava as curvas de uma falsa magra, cabelos longos presos com rabo de cavalo, um olhar intenso e sexy. A última vez que me lembro de ter dançado música lenta com uma puta foi na finada Discoteca Help, que fazia uma sessão romântica às 3h da madruga.

SHE'S LIKE THE WIND

Digo a vocês, foi foda. Que momento. Aquele corpo quente colado no meu, os passos lentos em que nos orbitávamos, as mãos dela acariciando a minha nuca, os acordes que transbordavam pelas caixas de som. O coração do velho precisou ser forte. De repente, do nada, ela me beija na boca. E aqui eu quebrarei toda a elegância do texto para poder descrever o pensamento que quase saltou nu da minha mente. Puta que pariu. Que beijo. Que cena. Nessas ocasiões é que me convenço de que a vida libertina é maravilhosa. Ainda existe magia, estimado forista. Permanecemos na pista quando o DJ emendou com Kate Bush.

KATE BUSH

— Dante, como você consegue lembrar desses detalhes? — Perguntaria o forista incrédulo.

Impossível é esquecer, meu cético camarada. E se algum forista se mostrar insatisfeito com este relato, se considerá-lo repleto de informações inúteis, descartáveis e afirmar que eu não falo do principal, o que poderei responder? Lamento pelo humano estéril que você se tornou, meu caro. O prazer está na percepção do abstrato.

Sentei-me com a mulher que me levou por uma viagem que irei me recordar até o último suspiro. Revelou-me que seu nome é Laura, tomamos umas cervejas, conversamos, namoramos e decidi convidá-la à alcova. Pedi que nos deixassem no quarto por uma hora e meia. O fim desta história resumo com sussurros, gemidos e orgasmos. Fui feliz. Girl7
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RAZOáVEL RAZOáVEL
Kanella 20/07/2021 10:25

Vc é PHODA! Seus relatos são demais!

Shadz22 19/07/2021 16:32

Brabo!! Isso ai meu camarada,nossa satisfação é impar,só nos sabemos nossos gostos,desejos e vontades,o principal é nos satisfazemos,Se ficou satisfeito foi ótimo!!!!

Random 19/07/2021 00:56

Porra! Que noite magica hein camarada.
Tive que fazer o login só pra curtir esse relato maravilhoso.

masterx 18/07/2021 14:53

Nossa cara! você deveria ser escritor está perdendo tempo o comentário foi demais Dante.

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TATIANA
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04 de Maio de 2021 às 22:02
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Os ponteiros do relógio da Central do Brasil marcavam perto das 19h desta terça-feira quando estacionei o Herbie (fusca) próximo a rua do Senado. O trânsito fluía sem represas e a viagem foi tranquila. Admito que estou um pouco de saco cheio da dissimulação opressiva das frees, preferindo dar um intervalo nos terrenos que conheço na palma da mão, os bordeis. Digo a você, afeiçoado forista, também esgotei um pouco a paciência para ler TDs com freelances, estamos numa fase de muita exaltação e pouca realidade nos relatos. Reconheço que eu mesmo tenho julgado o a puta mediana como se fosse ótima. A corrente de bajulação contamina. Escolhi visitar o Feitiço do Tempo, um trash onde a mulher é feita da mais pura verdade promíscua.

Ainda mantenho alguns hábitos da minha terra natal no Rio Grande do Sul, apesar do meu coração carioca, gosto de usar botas e uso. Quando caminhava em direção ao puteiro, um cracudo olhou para os meus pés e para a minha bengala como quem tivesse encontrado um pote de ouro. Apertei o passo, atravessei voando a entrada festiva do cabaré (cheia de bolinhas coloridas penduradas), subi mancando os degraus do sobrado e alcancei a pista. Não vou ocultar de você o que aconteceu nesse exato momento, uma situação que marejou meus olhos, fiquei com uma baita vontade de chorar, uma onda de nostalgia me esbofeteou sem piedade. Quando cheguei à boate estava tocando uma música do Ritchie, sucesso nos anos 80: “Transas”.

Transas

Transas” poderia ser um hino libertino, um libelo para solteirões sem filhos como eu. Sou um homem que viveu boa parte da juventude e dos grandes amores nos anos 80, talvez por isso eu tenha sentido uma emoção fortíssima quando esbarrei com a voz do Ritchie num prostíbulo que tem a pretensão de ser temático. Sentei-me num canto, acomodei minha bengala entre as pernas e finquei minhas botas na cadeira que sobrava à minha frente. Fiquei viajando com a música, pedi uma dose de Salinas e engoli num só gole. Pedi outra dose, mais outra. A música havia terminado, mas a felicidade surgiu diante dos meus olhos embaçados, linda, vaporosa, fugidia. Sim, a embriaguez conquistou os meus inquietos pensamentos.

A grande virtude dos trashs são as belíssimas negras que, em uma ou outra ocasião, encontramos neles. Tatiana estava coberta por um biquine que precisava ser examinado ao microscópio para que pudéssemos notá-lo. Seminua, me avistou antes que eu a avistasse. Veio em minha direção, pediu licença, tirei as botas da cadeira e ela se sentou.

— Oiii. Qual seu nome?

— Dante — mal terminei de me apresentar, ela me tasca um selinho na boca e seduz este velho ranzinza.

Papo rola, faço a entrevista básica e convido à alcova. Dentro da masmorra tiro a roupa enquanto ela diz que vai pegar sua bolsa. Tatiana retorna sem o biquíni e eu, bêbado, fico maravilhado com aquela pele temperada em ébano. Beijos, amassos, sarradas, meu habitual roteiro erótico plenamente retribuído. Tatiana pede que eu me deite e avisa que aplicará um boquete. Não sei o que aconteceu, estimado leitor, com 30 segundos de boquete eu gozei.

— Nossa! Tá gozando igual adolescente — diz Tatiana.

Fiquei meio zonzo pela gozada intensa misturada ao efeito da cachaça. Levantei-me trôpego, dei uma caixinha pra menina, vesti a roupa e voltei para o local onde o Herbie estava estacionado. Aciono o motor do fusquinha ancestral, invoco o acelerador e deslizamos pela av. Presidente Vargas de volta à bucólica Tijuca. Que saudade dos anos 80.

Fim. Piscada
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Jucabar 05/05/2021 06:43

Belo TD confrade, e em especial o destaque na trilha sonora e na lembrança dos anos 80, o qual tb sou eternamente fã!!!

peixotarado 04/05/2021 23:59

DANTE , E MUITO BOM LER SEUS RELATOS, POIS COM ELES EU APRENDO MUITA COISA.
E VC SABE QUE ADMIRO VC , COMO UM GRANDE POETA E PORQUE NAO UM ESCRITOR , CRIANDO HISTÓRIAS REAIS , NUM MUNDO REAL E AS VEZES MAGICO.
VC MERECE UM SELO DE AUTENTICIDADE .
E SOBRE O TD , VC FOI BEM, APENAS SE DEIXOU LEVAR PELA BELEZA DA PRETA.
EU JA PASSEI POR ISSO. AS PRETAS TEM MEU RESPEITO ELAS SAO SEDUTORAS MESMO.
PARABENS PELO RELATO ..

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ANA
NEUTRO
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17 de Março de 2021 às 22:14
BEIJO

NãO SEI

ORAL

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NãO

Creia-me, estimado forista. Venho saindo com meninas que atendem por conta própria, dando preferência as que possuem local. A minha colheita tem sido de boas experiências, um saldo positivo e surpreendente para quem antes priorizava como preferência às termas. Apesar disso, nunca me sinto totalmente satisfeito, falta sempre algo que a minha natureza sexual exige desde que o sexo deixou de ser um mistério para mim. Sim, na juventude o sexo ainda guarda aquela aura de mistério, um elemento que contribui para a nossa excitação incontrolável, mas é na fase mais madura que precisamos encontrar um afrodisíaco que substitua o mistério que se extinguiu. No meu caso, eu substituí o mistério pela adrenalina, pela aventura, pelas fronteiras desconhecidas.

Se em tempos remotos a grande façanha humana foi cruzar oceanos em busca de novos horizontes, de novos continentes, para o homem moderno a maior proeza é se enveredar por experiências sexuais que nos renovem, que nos façam sentir o pulsar do corpo, do existir. Não nego, afeiçoado forista, tenho a necessidade de farejar mulheres como tubarões farejam sangue. É a caça que me excita, o desafio.

Estou trocando de carro, mas até que se formalize um desconto a que tenho direito para o meu novo veículo fiquei dependente de táxis, até duas semanas atrás. Um porteiro da minha rua, com necessidade de dinheiro extra, me ofereceu seu automóvel para alugar enquanto espero o desembaraço do meu imbróglio burocrático. Aceitei a proposta e aluguei a viatura do porteiro, um fusca bem cuidado, cor de vinho, com rodas de modelo antigo e rádio com toca-fitas e entrada para CD. Não sou afeito a luxos, prefiro ser prático. A verdade é que um fusca andando pelas ruas chama mais a atenção do que um BMW último modelo. É o que estou reparando nos meus rolés ocasionais.

Sábado à noite, beirando a madrugada. Fiquei na dúvida se seria conveniente sair durante este período de toque de recolher, mas a minha inquietação noturna me lançou às ruas. Para quem possuía um Corolla, entrar num fusca é um experimento quase claustrofóbico. O carro não tem ar-condicionado e o rádio é um provedor de estática. Como não possuo fitas cassetes dignas de utilização, levei uns CDs para não dirigir no silêncio. Encaixo a chave na ignição, piso na embreagem, aciono o acelerador e o fusquinha grita agudo, como se despertasse de um sono secular. Os pneus se movem e ganhamos o negrume do asfalto. A partir de agora, qualquer aventura é possível...

Ligo o rádio e introduzo um CD qualquer. A música invade a cabine, inunda meus ouvidos e faz meu coração acelerar empolgado. A voz de Annie Lennox faz o lobo velho e adormecido que me habita reagir a inércia que tenta domesticá-lo.

Sweet Dreams

O sangue ainda pulsa, eu estava de volta aos sete mares em busca de alimento para a minha alma sem direção. O roteiro noturno de um Rio interditado pelo vírus não nos deixa muitas opções. Peguei a Praça da Bandeira, entrei na Rua Ceará, a minha primeira visita seria ao território onde os homens que mijam em pé: A Vila Mimosa.

Senti dificuldade com a direção do Herbie (o fusca), em determinados momentos parecia que guiava uma carroça puxada por cavalos indomados. Aos poucos, fomos ganhando confiança um no outro, o afeto foi surgindo, até que deslizávamos em harmonia pelos recantos sombrios da cidade. Custei a conseguir estacionar o pequeno fusquinha. Rebelde e de volante pesado, as manobras me custavam um suadouro intenso. Assim que acomodei o carro, pisei com minhas botas gaúchas sobre os paralelepípedos da zona, território sagrado dos libertinos.

Fiquei em dúvida se estava na Mimosa ou no deserto do Saara. Havia tão pouca gente no lugar que era possível dizer que não havia ninguém. O único movimento vinha dos caminhões saindo e entrando do frigorífico. O céu cinza, o ambiente melancólico, tudo fazia com que eu me sentisse personagem de um romance policial, um detetive em busca da loira má. Não demorei muito na Vila, voltei para o fusca e partimos para a Lapa.

No caminho, o CD exala outro som que me empolga. Pitty cantando “Pulsos”. A guitarra faz meu envelhecido coração vibrar junto com os acordes, abro mais as janelas e não me seguro. Cantei.

“Tenta achar que não é assim tão mal, exercita a paciência, guardo os pulsos pro final. Saída de emergência...”

Pulsos

Você está certo, forista sem fé. O sentimento de existir me invadia, me puxava para fora do corpo, me ressuscitava. Direi algo que poderá parecer um clichê, mas a noite é mágica. Enquanto alguns dormem, outros acordam.

Alcancei a Lapa, me enveredei pela Rua do Rezende na esperança de avistar as mariposas no ponto em frente ao hotel Andorinha. Nada. Estacionei o Herbie, agora com mais facilidade. Deixei o carro e fui caminhar. O boteco da esquina estava com meia porta aberta. O silêncio no entorno encobria a atmosfera com um tom sepulcral. Imaginando que não cruzaria com nenhuma Lei Seca, pedi uma dose da Salinas. Sorvi a cachaça como os Deuses sorvem a ambrosia. Imediatamente, as luzes ficaram mais brilhantes, as vozes mudas se tornaram audíveis. Tomei outro gole e foi quando a vi, a mulher rara de despudorada, flamejante e fugaz: a felicidade.

Das caixas de som do botequim emergiu uma música que eu não escutava há anos: Summertime, com Janis Joplin. Os acordes fizeram a noite ganhar um clima underground naquele pé-sujo com lâmpadas florescentes e homens naufragados.

Summertime

Percebi que não conseguiria nada na Lapa anestesiada por estes tempos hostis. Retornei ao fusca e deslizamos para outros territórios. Pego a rua 20 de Abril e quando me aproximo da rua do Senado vejo balões e a entrada de um sobrado com circulação de vida inteligente. Veio-me a sensação de descobrir um planeta após vagar pela escuridão fria do universo. O Feitiço do Tempo desafiava decretos e imposições, estava aberto.

Alojei Herbie no meio-fio e caminhei em direção àquela colônia mundana. Recebo uma comanda e subo os degraus infinitos. Quando entro no salão, me deparo com um ambiente escuríssimo, as mesas iluminadas por velas, poucos clientes e um número razoável de meninas que eu não conseguia identificar se eram humanas devido ao breu que encobria o lugar. Um cenário de taberna da Idade Média. Sinto dificuldade para enxergar em locais pouco iluminados, fui tateando para encontrar um assento. Esbarro em uma menina que me explica a falta de luz elétrica.

— Bebê, senta ali. A Light cortou a luz, mas o dono já acertou e eles devem religar daqui a pouco.

Sentei-me. Como eu disse, não conseguia enxergar muita coisa, via vultos, alguns arredondados e outros esguios. Uma senhora quase idosa se aproximou, minhas pernas tremeram, perguntou se eu queria beber alguma coisa, pedi uma cerveja. No terceiro latão, uma magrinha jeitosa acomodou-se ao meu lado. Bonita de rosto, mas o corpo de faquir. Naquela altura do campeonato, não importava muito, tudo era divino, tudo era maravilhoso. Sim, forista sem fé, Belchior transbordava das caixas de som para explicar por que o nome do bordel é Feitiço do Tempo. E ao som de “Apenas um rapaz Latino-Americano, iniciei o diálogo comercial com a magrinha.

Feita a entrevista básica, decido subir à alcova. Quarto pequeno, estilo cabine, dava para escutar a trilha sonora que vinha da boate. Cauby Peixoto cantava “Bastidores”. A alcova mergulhada nas trevas absolutas. Como conseguiria transar sem enxergar meu combalido pênis e ouvindo Cauby como som ambiente? A magrinha disse que ia pegar suas “coisas” e voltava logo. Fiquei ali, jogado na escuridão, com receio de ser currado. A porta se abriu, só reparei por causa de um fecho de luz de vela que entrou junto com a magrinha. Ela tira a roupa e me espantei um pouco com as costelas salientes da garota, parecia uma daquelas fotos de figuras famintas da Etiópia. Tentei não me concentrar naquilo. A magrinha avançou para o ataque, foi tirando minhas roupas, beijando meu peito, apertando minha bunda, perguntando do que eu gostava com um tom meio satânico. Não nego, amigo forista, aquilo me assustou.

De repente, a vela apaga, fui lançado novamente à escuridão sem nem sequer saber onde minhas roupas estavam. Senti uma boca no meu pau, quis acreditar que era a magrinha, tentei apalpar a cabeça da menina e encontrei os cabelos. Talvez, haja quem goste, mas a sensação de trepar no breu absoluto não me foi muito agradável para mim. Eu tentava agarrar a magrinha e só abraçava o ar. Foi como sodomizar um fantasma. Comecei a sentir um comichão nas costas, havia alguma coisa no colchão. Formigas? Até hoje não sei. Do nada, senti a magrinha sentar no meu pau, era como se eu estivesse transando com a mulher invisível. Não enxergava nada. Só sensações. A garota se remexia em cima de mim e eu lembrei que poderia usar a lanterna do celular para clarear as trevas, o problema é que não fazia ideia onde teria ido parar as minhas roupas. A magrinha saiu de cima, senti novamente a boca no meu pau. Alguns segundo de boquete e ela me pede.

— Me come de quatro.

Eu ouvia a voz, mas sem saber de onde vinha. Parecia um filme religioso, em que o personagem ouve a voz de Deus, mas não o vê. Tentei achar a menina para comê-la de quatro, palmeei o colchão com receio de ser picado por algum inseto. Depois de uns quarenta segundos, esbarrei em algo que não sabia se era a perna ou o braço da garota, pois ambos tinham a mesma espessura. Fui acompanhando o contorno e finalmente esbarrei com alguma coisa que se assemelhava a uma vagina. Mais quarenta segundos para conseguir colocar a camisinha. Posicionei meu pau, já um pouco exausto da busca, e o introduzi naquela cavidade morna e úmida. Eu poderia estar fodendo com um melão que não saberia. Não havia uma ponta de luz dentro da cabine. Ouvi a menina gemer, imaginei que tinha acertado o alvo. Gozei e é provável que meus espermatozoides ainda estejam perdidos e assustados naquela escuridão.

Fui tateando pela cabine inteira até encontrar a minha calça, tirei o celular do bolso e acendi a lanterna. Foi quase uma reencenação bíblica da Gênese. Faça-se a luz! Eu me vesti e fui me guiando pelas sombras das velas que escorriam nas paredes. Ao pisar no salão, tocava “Como eu quero”, na voz da Paula Toller, algo um pouco mais contemporâneo. As putas, que mostravam saber de cor todas as letras, faziam coro.

“Longe do meu domínio, você vai de mal a pior. Vem que eu te ensino a ser bem melhor...”

Desci as escadas e reencontrei a rua. Respirei profundamente. Alegria de ver as lâmpadas de vapor de mercúrio, pálidas e tristes, se refletindo no Herbie. Acionei o motor, as luzes brilhantes do Relógio da Central serviram de bússola. Insiro um CD e a música transborda. Evanescence com Lithium...

Lithium

O sangue pulsava, o coração tocava ao ritmo da bateria e a euforia tomou conta de tudo. Não duvide, a partir de agora qualquer aventura é possível... O libertino vive. Yes
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RAZOáVEL RAZOáVEL
Saulo Top 18/03/2021 16:51

Gente, eu to passando mal.....kkkkkkkk

Nobre, Dante, seus relatos são os melhores. Cultura, aventura, adrenalina e muita diversão. É como se eu estivesse vivendo tudo que vc passou. É incrível.

Alicia Ferrari 18/03/2021 12:43

Hahahaha pausa pro almoço e me deparo com esse td kkkkkkkkk ri tanto que esqueci até de comer Kkkkjkk bom demais kkkkkk

Fazzo Casanova 18/03/2021 12:43

Blz Brand!!

Brand 18/03/2021 11:55

Porra, faltando luz kkkkkk muito bom. Fazzo, ja troquei o link la :)

jimmyy 18/03/2021 11:48

Narrativa excelente, mas um dia passei na casa a noitinha me cobraram ozoio da cara, 22 reais por uma cerveja e um Coca-Cola, fora que as mulheres pareciam urubu em cima de carniça, ao invés de chamar pra conversar, bater um papo, vem com o famoso " vamu fuder " e era um tal de paga uma cerveja, um quente, poxa tu é pão duro, nem um boa noite primeiro tá de sacanagem. Preferi andar até a rua da conceição que é trash TB longe pra cacete , mas as minas são mais educadas

Fazzo Casanova 18/03/2021 06:13

Mestre Dante como sempre com uma narrativa aventuresca e cheia de emoção!! Tem até trilha sonora!! Apenas a ultima musica esta com o link errado, o correto do Evanescence é https://www.youtube.com/watch?v=PJGpsL_XYQI. Abraços!

Razorblade 18/03/2021 01:36

Como sempre meu mestre dando uma aula de como escrever um texto interessante! Muito bom Dante!

membro, Brand, Alucard, Predator, melzas, Razorblade, Fazzo Casanova, Matheus99, Alicia Ferrari, Lupo, schusk, Saulo Top, Rickyba40, alan26272829, Michael Corleone curtiram esse relato.
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DARA
POSITIVO
30 MINUTOS
VALOR: R$100.00
19 de Agosto de 2020 às 00:45
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM

Na remota década de 1990, eu namorava uma pernambucana que residia em uma espécie de cortiço nos arredores da Central, na Rua Barão de São Félix, próximo à Camerino. Praticamente, morei com ela naquela área, a ponto de quase ser renegado pela minha família, que se fazia repleta de preconceitos anacrônicos. Foi uma dessas paixões sexuais que me consumiram durante a vida. Posso afirmar a você, afeiçoado Forista, a paixão sexual é mais grave do que o amor romântico. O amor romântico pode causar depressão, mas a paixão sexual nos domina, subjuga todos os nossos sentidos. Recordei-me disso enquanto caminhava em busca de um bordel que eu havia conhecido na mesma rua Barão de São Félix um pouco antes do advento da pandemia, o puteiro foi batizado com um nome interessante: Feitiço do Tempo. Nada mais sugestivo para um estabelecimento que ficava aos pés da Central do Brasil, sob o imponente Big Ben carioca.

Andar pela região da Central é algo semelhante a um safári, uma empreitada cheia de perigos e surpresas. Quando alcancei o endereço da casa, encontrei a porta fechada e um pedaço de papel colado na madeira.

“A Feitiço do Tempo mudou para a Rua 20 de Abri com Rua do Senado, perto do Campo de Santana.”

Não era longe, mas também não ficava próximo de onde eu estava. Eu teria que atravessar aquela selva entre a Central e a rua Frei Caneca. Indiana Jones talvez tivesse desistido, eu não. Fim de tarde, me embrenhei pela rota habitada por camelôs, PMs hostis, guardas municipais entediados e uma multidão que vinha num contrafluxo de ansiedade para embarcar nos trens que a conduzia a lugarejos distantes. Algo muito mais eletrizante do que Frodo tentando chegar a Mordor em o Senhor dos Anéis. Quando alcancei a tal esquina da 20 de Abril com rua do Senado, reconheci o estabelecimento, ele existia antes da Feitiço do Tempo na Barão de São Félix. Deduzi que ocorreu uma fusão ou a casa foi comprada. Para não entrar de cara limpa, fui até um boteco na esquina da Frei Caneca e pedi uma dose de Salinas, a minha favorita. Não fiquei em uma única dose, alcancei a quarta, foi quando a vi, bela, vaporosa, fugidia: a Felicidade. Acredite, Forista sem fé, a Felicidade não é um estado de espírito, é um copo de cachaça.

Anoiteceu. Subi os degraus do sobrado da nova Feitiço do Tempo. No antigo endereço, a decoração se resumia a uns relógios de cartolina colados pela parede, fui esperando as piores cafonices imagináveis. Creia, estimado Forista, quando pisei na pista da boate estava tocando “Minha estranha loucura”, na voz de Alcione. Alguns clientes espalhados, acompanhados de baldes de cerveja, ousavam cantarolar a letra em paralelo com a Marrom. Cheguei a supor que aquele cenário pudesse ser uma reunião de suicidas, foi quando terminou Alcione e entrou Emílio Santiago com “Saigon”. Não foi a primeira vez que ouvi Emílio Santiago num puteiro, saber disso causava mais perplexidade a minha combalida alma libertina. Fiquei com receio que todos sacassem uma arma ao mesmo tempo e dessem um tiro na cabeça, deixando nas mesas do cabaré cartas de despedida do terreno inferno cotidiano. Talvez tivesse sido melhor esse desfecho do que testemunhar o fim de “Saigon” com Emílio Santiago e o começo de “Nada Além de uma Ilusão” com o Nelson Gonçalves. Definitivamente, eu não estava num puteiro, estava num flash back de doentes terminais. Após o impacto musical, passei a observar as mulheres presentes. Poucas mulheres, a maioria com pinta de figurante em filme do Zé do Caixão, nem a cachaça ajudou a flexibilizar as minhas expectativas. Foi quando começou a tocar José Augusto com “Aguenta Coração” que eu avistei uma das mulatas mais colossais que já encontrei na minha precária existência. Alta, com uma bunda imensa e de textura impecável, o rosto bonito, o cabelo cacheado, lábios carnudos, coxas torneadas e magníficas. A mulher era uma escultura em bronze. Ela me deu uma encarada e corri para me aproximar.

– Qual seu nome? – Perguntei.

– Dara. E o seu?

– Dante. Você bebe?

No que ela respondeu que sim, eu já providenciei dois latões de antártica e conversamos um pouco. Fiz a tradicional entrevista, todas as respostas me animaram. Chamei à alcova. Irei compreender se você considerar tudo o que é dito aqui como um exagero retórico, a fé é um privilégio da criatividade e não da dúvida. O que eu posso dizer é que quando a mulher tirou a roupa na minúscula cabine da Feitiço do Tempo, o tempo parou. O corpo da mulata era um oceano, olhar para aquela vagina depilada e dotada de um clitóris em relevo foi como ver o mar pela primeira vez. O cheiro de mofo do quarto ganhou status de aroma de maresia. Dara não me deu espaço para respirar, caiu em mim num boquete rapel que me causava a sensação ininterrupta de estar despencando num abismo de deleites. Depois disse que me daria um banho de gata e saiu me lambendo todo até me entregar a boca num beijo de cinema. A garota não era só corpo, era língua, saliva, mel uterino. Descomunal. Uma loucura. Incrédulo Forista, quando Dara ficou de quatro, perdi o fôlego olhando para aquele rabo que só pode ser medido em hectares. Respirei fundo e meti. Que delícia. A menina gemia como gata no cio, rebolava, empinava-se como se fosse quebrar a coluna cervical. Gozei. Gozei horrores. Gozei parte da alma naquele muquifo perdido entre o Campo de Santana e a Cruz Vermelha. Foi uma daquelas gozadas que parecem uma pequena morte. Estirei-me nocauteado naquele colchão recheado de ácaros.

Paguei a conta e não esperei a menina retornar ao salão. Quando comecei a descer as escadas, ouvi a voz de Dusek mandando "Nostradamus"...

“O dia ficou noite
O Sol foi pro Além
Eu preciso de alguém...”


Ganhei as ruas, onde qualquer aventura é possível...
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RAZOáVEL RAZOáVEL
membro 20/08/2020 21:10

Afeiçoado, DNDDANADO2, acredito que seja possível que ela não trabalhe mais por lá. Se você leu meu TD, percebeu que estive na casa antes do início da pandemia. Muita coisa deve ter mudado desde então. Abraços.

dnddanado2 20/08/2020 19:31

Dante meu amigo, estive nessa casa hoje 20/08/20 e me falaram que essa Dara ñ trabalha lá...ñ entendi nada...abraços

Saulo Top 19/08/2020 16:59

Dante, tu és foda!
Amo seus relatos. Fico deglutindo cada palavra....kkkk
Chorei de rir tbm...kkkkk

Random 19/08/2020 15:23

"Estirei-me nocauteado naquele colchão recheado de ácaros."

Ri pra caralho kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

pauloamaranto 19/08/2020 11:01

Relato perfeito! como sempre Dante conseguiu criar o clima perfeito em seu relato!

membro, Yojiro, Random, Mandioquinha, Saulo Top, alan26272829, Predator, jjdurao curtiram esse relato.
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