BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
ABERTURA
Dirijo sem rumo, planejando ir à Boate Mosaico, mas logo mudei de ideia. Lembrei-me de um point onde fazia meses que eu não pisava, o bordel Feitiço do Tempo, que também fica aberto durante a madruga. Acelerei o Sucatão, que rompeu o asfalto com um grito de leão faminto e solitário. Não havia trânsito nem movimento pelas calçadas. Sentado ao volante, eu cortava o vento e o silêncio até que alcancei a Praça da Cruz Vermelha. Ousei parar diante do sinal vermelho, um adolescente de pele clara se aproximou da janela do Sucatão falando com a voz alterada.
— Aê, tio, passa uma grana, passa uma grana — o tom era de exigência.
Olhei para o cinzeiro do Sucatão, estava abarrotado de moedas, enchi o punho com algumas delas e despejei nas mãos do moleque. O semáforo passou para verde, soltei a embreagem e disparei em direção a rua Vinte de Abril. Escutei um grito furioso se perdendo na noite.
— Eu pedi dinheiro, não pedi esmola, seu FILHO DA PUUuuutaaaaa.
Eu já ia longe e vi a imagem do rapaz se desvanecer pelo retrovisor. Estacionei próximo à rua do Senado e percebi que o sobrado do Feitiço do Tempo estava fechado. Fui caminhando, encontrei um botequim aberto e tentei me informar no balcão.
— Acabou o puteiro?
— Eles saíram daí, tão lá na rua do Santana.
Retornei ao Sucatão e tracei o novo percurso. Ao entrar na rua do Santana, vejo um sobrado com bolas coloridas penduradas na entrada. O Feitiço do Tempo mudou de endereço pela terceira vez. Parei o Sucatão na primeira vaga que vi e desembarquei. O novo ponto do puteiro é menos caído. Por fora, o sobrado passa imagem de limpeza e antes que eu subisse os lances de escada, vi um casal entrando no bordel. Um detalhe estranho, mas não me liguei muito à situação.
Quando finalmente piso com minhas botas na boate, cheguei a me arrepiar ao ouvir Gypsy Woman. O lugar realmente está mais arrumado, mantiveram as luzes de vela sobre as mesas e a decoração das paredes com discos de vinil agora ganhou o reflexo do brilho de um globo espelhado pendurado no teto. A surpresa é que vi cerca de 5 casais espalhados pelo salão, talvez aquecendo antes de entrarem no swing do Mistura Certa. Confesso que, neste momento, senti falta de uma boa companhia para visitar o swing que tanto gosto.
GYPSY WOMAN
A trilha emendou com La Bouche mandando Be My Lover. Não imaginem que tenho memória privilegiada, minha memória é péssima, mas anotei tudo nas notas do celular.
BE MY LOVER
Uma mulher surge na pista, seu corpo dançava junto com o efeito estroboscópico da iluminação, corpo de falsa magra, curvas vertiginosas emolduradas por um collant amarelo e fosforescente. Os cabelos compridos e negros escorriam pelos ombros da garota e exibiam um chumaço branco de fios que destacavam o rosto bonito de traços finos. Congelei acompanhando os movimentos da menina.
Velho cansa de ficar de pé, então busquei uma mesa estratégica e me acomodei. Fiquei tentando flertar com a mulher de cabelos com fios brancos até que ela percebeu os meus olhares e se aproximou.
— Oi, posso te fazer companhia? — ela me perguntou.
— Claro.
Ela se sentou ao meu lado, usava um perfume forte, mas agradável, desses que marcam a presença. Aqui começa a cena inusitada, a virada do enredo, aquilo que alguns foristas qualificam como “toque de humor”, mas que são fatos inusitados que ocorrem para quem se lança na vida real.
— Qual seu nome? — perguntei antes que ela perguntasse o meu.
— Cruella e o seu?
Não consegui responder porque comecei a rir, o nome me despertou um surto de gargalhadas, como se estivessem me fazendo cócegas. A menina reparou e ficou me olhando com um sorriso de Monalisa, o que piorava o meu descontrole. Mas isso foi só o começo de outra história que se desenrolaria. Por quê não deduzi que o nome da mulher seria Cruella? Aquele jeito de vilã da Disney caminhando pela boate, os fios brancos contrastando com os cabelos negros, tudo tão óbvio que não me dei conta.
— Você ainda não me disse o seu nome — ela insistiu.
— Dante. Meu nome é Dante.
VINHETA
— Dante? Você não é aquele que escreve sobre a casa, não. É?
— Por quê? — fiquei meio bolado com a pergunta, mas inclinado a confirmar.
— Cara, o dono daqui é doido para conhecer esse Dante.
— Pois sou eu — confirmei.
— Peraí — a menina sumiu por uma porta camuflada.
Dois minutos depois ela retorna com um sujeito baixinho, careca e com os braços abertos insinuando que me daria um abraço. Ele me abraçou.
— Caralhooooo, mano. Você é o Dante que escreve no GPArena?
— Sim, sou eu — respondi ressabiado, com a minha irritante timidez.
— Caralhooo, mano. Sou teu fã. Pode pedir o que quiser beber, é por conta da casa. Tu é foda, mano — o sujeito se sentou do meu lado direito e a puta do lado esquerdo.
O gordinho entabulou uma conversa em que me fez revelações surpreendentes. Contou-me ser formado em Filosofia, que era professor, mas cansou de tudo e abriu o bordel em sociedade com um amigo que trabalha com segurança privada e que está mais feliz agora porque ama a noite e o contato com as garotas de programa. Não interrompi a história, fiquei de ouvinte quase o tempo todo, falando somente quando ele me perguntou se eu era escritor, a pergunta de nove entre dez pessoas curiosas sobre a minha profissão. Quando revelei que curtia beber Corona, acredito que ele mandou vir umas cinco garrafas em sequência. No fim da conversa, me intimou a subir com a Cruella, oferecendo boas referências e ordenando que a menina caprichasse. Fui para uma alcova que, talvez, ele tenha mandado preparar quando soube quem eu era, tinha cama de casal, um lençol novo e um cheiro de incenso no ar.
Cruella tirou a roupa e exibiu um corpo afrodisíaco, mulheraço. Veio me beijando, me empurrou na cama, praticamente arrancou a minha calça e só faltou soltar em cima de mim os 101 Dálmatas. Abocanhou meu combalido pênis em um desses boquetes raríssimos que fazem o pau latejar e ameaçar a ejaculação precoce. Não foi apenas uma ameaça, gozei litros na boca da menina, que ficou me encarando e engoliu cada gota dos meus bolorentos espermas sem demonstrar qualquer pudor. Foi um programa expresso.
Quando desci, não vi mais o baixinho filósofo. Fiquei sem saber se devia pagar alguma coisa, como nem Cruella nem o gordinho apareceram, desci os degraus do sobrado ao som de Nirvana. Dei uma última olhada e a casa estava cheia, algo inacreditável se me contassem.
NIRVANA
Entrei no Sucatão, respirei fundo, girei a chave e o motor roncou como o leão que desperta depois do torpor de quem devorou a caça. Acelerei. O relógio da Central do Brasil brilhava com seus ponteiros incessantes apontando para o amanhã. O tempo segue, eu envelheço, mas ainda estou vivo e me chamam Dante. Ligo o rádio e sobrevoo o asfalto.
SWEET DREAMS