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Tópico da PONTO DE RUA

R. Gomes Freire (entre Av. Men de Sá e R. do Rezende), Lapa
Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ


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GINA
POSITIVO
40 MINUTOS
VALOR: R$100.00
25 de Maio de 2025 às 09:08
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO






Sempre fui um notívago. Mas não desses modernos que tiram selfie com a insônia. Não. A minha insônia é ancestral, como se Adão tivesse me legado esse fardo ao ser expulso do paraíso. Eu preciso mais da vertigem do que do êxtase. O gozo, para mim, é um subproduto da adrenalina — nunca do sexo.

Para completar, sou um sujeito pacato, desses que parecem ter aposentado o coração, mas o tédio... ah, o tédio me mata. O tédio me arranca a pele aos poucos, um sádico bêbado arrancando as asas de um morcego.

A noite já estava indecente quando desembarquei na Lapa. A Lapa. A Lapa é a grande prostituta da cidade — e, como toda prostituta, esconde uma santidade escandalosa. Meu inferno particular com um toque de neon. E mesmo odiando rotina, lá estava eu, mais uma vez, sentado no mesmo maldito canto do mesmo maldito bar: o Bacurau.

Pedi o de sempre. Uísque. Sempre ele. E depois outro. E outro. E aí, quando a visão começa a ficar bonita, não é porque o mundo melhorou — é o malte queimando a realidade até que ela vire poesia.

A essa altura, anestesiado, meio feliz, meio morto, paguei a conta. Saí para a rua, um cão sem dono. Sem direção. Como os caras que dormem no meio-fio e conversam com fantasmas. O frio cortava tudo: a carne, os ossos, o passado.

Na madrugada, nada precisa fazer sentido. E talvez por isso tudo faça um pouco. Você só está ali, respirando, tropeçando, existindo como um erro bem-acabado.

Há uma comunhão estranha na noite: o mendigo, o bêbado, a puta, o poeta — todo mundo irmanado na escuridão. Mesmo assim, mesmo nesse abraço de trevas, a solidão ainda te encontra, te aponta o dedo e ri da sua cara. E a gente vai, arrastando esse fardo de existir, como quem carrega um corpo que não pediu para nascer.

Fui andando sem rumo até cair na Gomes Freire, dobrando ali na esquina da Rua do Resende, onde a noite escorre mais espessa. É o tipo de lugar em que putas e travestis se misturam sem cerimônia, numa democracia pansexual onde o desejo é rei e cada um escolhe o que quer de acordo com o próprio apetite.

*****

Vi uma puta. Escolhi.

Era negra, magra, linda. Usava um conjunto de ginástica barato e um short tão curto que me tirou o fôlego. Tinha curvas que fariam tremer qualquer igreja próxima. Ela brilhava naquela calçada como um aviso de perigo — e mesmo assim, fui.

O tesão me bateu como um soco. Não pensei duas vezes. Eu estava a pé. Sem carro, sem desculpa. Só com vontade. Andei até ela e perguntei o nome.

— Gina. E o seu?

— Dante. Me chamo Dante.

— Aquele do Inferno? —
ela riu e silenciou, como quem não se atreve a demonstrar mais cultura além da que já exibiu.

Fiz a entrevista padrão, o velho ritual que todo putanheiro conhece de cor — meia dúzia de perguntas só para fingir que existe alguma conversa antes da transação.

Gina respondeu tudo com uma franqueza quase militar. Não era só o sexo — era o ofício, o ganha-pão, o jogo. Estava ali para isso, inteira, afiada, com aquele olhar de quem já viu homens demais tentando parecer alguém especial.

Falava como quem entende de mercado. E eu era só mais um freguês pronto para deixar as últimas notas murchas da carteira no altar daquela bunda.

Perguntei onde ela queria me levar...

— Hotel Estadual — disse, como quem indica o purgatório mais próximo.

Claro. Sempre o Estadual.

Aquele lugar só não entrou na Divina Comédia porque o verdadeiro Dante teve o bom senso de morrer antes de conhecer. Se tivesse passado por ali, o inferno dele teria um quarto com ar-condicionado quebrado, lençol manchado e uma camisinha mofada na gaveta.

*****

Juntos, eu e Gina entramos na alcova.

Sim. Gina beija. E como beija. A língua dela parecia uma serpente treinada direto das aulas particulares de Satã. Não era só um beijo — era uma invasão, uma expedição arqueológica até o fundo do meu esôfago.

Beijar aquela mulher era como engolir pecado em estado líquido. E eu deixei. Com gosto.

Putas de pista não têm tempo para versos. Trabalham por produção, como operárias de uma linha de montagem. Sabem que cada minuto gasto com um sujeito como eu é dinheiro que poderia estar entrando com outro.

Então não me espantei quando Gina desceu como um míssil — boca faminta, prática, direto ao serviço. Chupava como quem tem hora marcada e aluguel vencido. Era eficiente. Fria. Uma profissional do esgotamento masculino.

E aqui, caro leitor, é onde o romance acaba.

Gozei. Rápido. Ridiculamente rápido.

Foi um desses gozos tristes que não merecem trilha sonora.

Paguei. Ela saiu antes mesmo que eu encontrasse a cueca.




ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RAZOáVEL RAZOáVEL
Jonas, The Creator 25/05/2025 15:07

Sensacional 👏🙌

Josh 25/05/2025 14:16

Relato fenomenal!

Brand 25/05/2025 09:36

muito bom!

membro, Big Boss, Pica_de_Cavalo, Brand, Detonador, PauloCesar, Makaveli, Bob Construtor, Geraldinho, Quaqua, Holmes, OBoleta, Nomade, Wilson00, Jucabar, Josh, Random, Jonas, The Creator, Estarossa, Sued, Yami Mysterio, Rebecca Magrini, Mulato Roqueiro curtiram esse relato.
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PAOLA
POSITIVO
40 MINUTOS
VALOR: R$200.00
22 de fevereiro de 2024 às 17:33
BEIJO

NãO SEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

DISSE QUE FAZ

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO







1 - CARNAVAL ERRADIO

O táxi percorria caminhos sinuosos, desviava-se das retenções carnavalescas na única noite em que me atrevi a explorar a atmosfera noturna do reinado de Momo. Olhando pela janela do automóvel, observei foliões caminhando como zumbis pelas ruas ermas do Centro da Cidade sem imaginar o que viria para mim. Senti saudades dos carnavais da Discoteca Help — em Copacabana — das mulheres seminuas naquela arena congelada pela decoração da década de 80. A Help foi meu ponto preferido para exercitar-me no carnaval durante muitos anos.

Admito, devo ser ruim da cabeça ou doente dos pés, pois odeio samba, pagode e derivados. Como sempre cito, sou uma alma britânica exilada neste subúrbio do mundo. Tomei a decisão, no entanto, de me arriscar em uma das noites dedicadas a pierrôs e arlequinas. Infelizmente, a minha ideia revelaria toda a sua complexidade no decorrer dos fatos.

— Olha, vou ter que deixar o senhor por aqui, no máximo um pouquinho mais a frente. O que o senhor prefere? — o taxista me corta os pensamentos com a súbita notícia.

Meus olhos giraram pelo entorno e entendi que o sujeito queria me largar na esquina da Avenida Rio Branco com a Avenida Presidente Vargas, quando havia solicitado que me deixasse o mais próximo possível da Lapa. Recusei-me a desembarcar naquele ponto tão distante do meu objetivo.

De má vontade, o motorista executou manobras protelatórias e me avisou que daquele novo local não passaria. Estávamos na esquina da Rua do Ouvidor com a Primeiro de Março, não se escutava nem o som de grilos na região e os vaga-lumes haviam fugido, um vácuo, uma avalanche de silêncio vagando pelas penumbras assombradas dos antigos sobrados.

— Motorista, não consegue me deixar um pouco mais perto da Lapa? É muito arriscado descer aqui e estamos muito longe dos Arcos. Estou vendo que tudo está livre mais à frente — tentei argumentar.

— Não dá, não, senhor. Se eu for mais perto, posso acabar não conseguindo sair, são muitas ruas fechadas.

Reclamei com o indivíduo, aleguei que a atitude era inaceitável, mas não teve jeito. Fui desovado como um cadáver desavisado numa região que poderia ser comparada ao deserto do Saara depois do anoitecer. Restou-me registrar o momento com uma foto e só existiam placas iluminadas para fotografar, foi quando captei a imagem de outro andarilho solitário, talvez, também, desovado por algum taxista.

Não me restou alternativa, eu precisava caminhar na esperança de descobrir sinais de civilização. Emparelhei o celular com os meus aparelhos auditivos e deixei que a o som do Moby servisse como bussola, me guiando entre as sombras.

EXTREME WAYS Dancinha

Esticando as pernas em passos largos, como uma avestruz fugindo de algum incógnito predador. Atravessei a despovoada Esplanada do Castelo, que nos causa a ideia de ser um arremedo inóspito da Praça Vermelha de Moscou, depois segui pela Avenida Antônio Carlos, entrei pela Presidente Wilson, passei em frente à vetusta Academia Brasileira de Letras — onde saudei a estátua do finado Machado de Assis, que pareceu assustado ao me ver andando por ali, naquelas horas temíveis. Circundei a ilha verde do Passeio Público, e finalmente alcancei os mundanos Arcos da Lapa. Deparei-me com um oceano desmedido de gente. Compreendi o porquê de o taxista não ter me desembarcado naquela área.

2 - PAGÃOS

Deixei que a música continuasse inundando os meus ouvidos, me blindando dos ruídos coléricos da multidão. Fui me esgueirando entre homens e mulheres com pouca roupa, quase triturado por aquela aglomeração humana que buscava sentido para a vida em uma festa sem sentido. Acredite, forista sem fé, eu vestia o meu tradicional uniforme escuro de caça, um corvo rompendo a massa de cores psicodélicas.

CASTING SHADOWS Dancinha

Atente-se a esta informação, meu companheiro de jornadas, existem bares e casas de música na Lapa que atualmente ostentam mulheres de programas a procura de gringos e que até aceitam brasileiros na hora da xepa. Nisso, a Lapa guarda certa similaridade com a filosofia que imperava na extinta Help. Mapeei alguns pontos e sigo esse roteiro promíscuo quando minhas botas pisam sobre as calçadas da Avenida Mem de Sá.

Inauguro a minha peregrinação pela Rua Gomes Freire, no trecho que compõe os arredores da Rua do Rezende, já encontrei muitas meninas dos trashes ali, além de outras de categoria mais sofisticada. Há travestis na área, mas cada andarilho que busque o melhor encaixe para o próprio prazer. A presença intensa da turba em trajes que fariam corar Pedro Álvares Cabral deixava pouquíssimo espaço para a respiração, mas fui desbravando o terreno como um feroz bandeirante a procura de esmeraldas.

Como sempre ocorre, subitamente percebo uma presença que em atrai, uma presença que me pareceu familiar, uma lembrança de tempos remotos e melhores do que os atuais. Uma morena colossal, de coxas cavalares que se emendavam a uma bunda vastíssima transbordando-se em pequenas polpas de pele através do shortinho sumário que usava. Aquela bunda, não tenho dúvidas, mexe com a lei da gravidade e deve até influir nas questões climáticas do planeta.

Tive a certeza de que conhecia a mulher. Aproximei-me devagar, ela estava rodeada de outras garotas e eu ainda estava sóbrio, fator que me trava um pouco. Ao chegar mais perto, lembrei-me de quem se tratava, era a morenaça Paola, antiga funcionária do saudoso Clube 31, que ficava em uma ruela às margens da Rua do Acre. Sentindo-me intimidado pela timidez, custei a decidir abordar a mulher, mas acabei me jogando e falei com ela.

— Oi. Lembra de mim? — entrei com a canastrice.

Paola reagiu como se tivesse levado um susto, me olhou com estranheza e respondeu...

— Ai, que susto, garoto! Não, não lembro. Você é quem?

— Você não trabalhou lá na 31? — cometi a indiscrição absoluta.

— Ih, trabalhei, mas há muiiiiiiito tempo.

— Pois é, mas eu ainda me lembro de você. Ainda trabalha em algum local?

— Trabalho. Aqui — finalmente, a resposta que trouxe a esperança.

Ofereci pagar uma bebida, ela aceitou e pediu que eu pagasse também para as amigas. Fazer o quê? Paguei. Conversamos, mas ela não me abriu muito sobre os rumos que tomou após sair do Clube 31. Houve um breve momento em que me invadiu uma pequena dúvida sobre a certeza de que aquela era realmente a Paola que conheci ou se a morena estava assumindo um papel aleatório visando a um ganho em cima de mim, mas eu já estava em um caminho sem volta. Prossegui.

Sabendo que Paola estava na Lapa trabalhando, fiz uma proposta, mas ela expressou uma contraproposta, pechinchei e acertamos uma rapidinha por duzentos reais no Hotel Estadual, quase ao lado de onde estávamos. No fim, foi uma rapidinha literalmente, a menina me abocanhou num boquete sobrenatural e gozei em sua boca sem ter tocado direito nela. Estirado na cama, só tive tempo de pagar, ver a garota se vestir e me deixar no quarto como quem deixa uma vítima de assassinato.

Aproveitei para tirar um cochilo. Ao acordar, me lavei, paguei a conta e só me restou ir embora.

3 - APENAS O FIM

Avistei um táxi parado próximo ao hotel...

— Trabalhando, motorista? Me tira daqui?

— Já é. Pra onde?

Entrei no táxi, os primeiros raios do Sol buscavam as criaturas da noite com ânsia de incinerá-las.

— Toca pra bucólica Tijuca — ordenei.

Amanhecia na velocidade dos pneus, mas o amanhecer é somente o prefácio dos homens comuns. O libertino é um navegante a bordo de um navio fantasma, persegue portos que se movem, vive quando a adrenalina pulsa. É quando anoitece que as páginas da existência revelam o clímax de todas as histórias. Um libertino nunca é luz, é sombra.

Deixei que a playlist do meu celular elegesse aleatoriamente a trilha sonora do trajeto...

FLY AWAY

Se a vida é finita, o desejo é perpétuo. Yes
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
BOA BOA
SuperTuga 26/02/2024 09:35

" Aquela bunda, não tenho dúvidas, mexe com a lei da gravidade e deve até influir nas questões climáticas do planeta."
Excelente... vou levar essa descricao para a vida 😂😂😂😂

Josh 25/02/2024 02:50

Mais um belo relato. Sempre curto ler suas aventuras pela noite. Muito bom!

Nego Dengo 23/02/2024 11:23

Eita essa te derrubou com duas sopradas Dante rs

Barbosa82 22/02/2024 23:47

Lapa no Carnaval eu só recomendo pra quem realmente gosta do agito. Ainda bem q tudo correu bem com a Paola!

Cerveja 22/02/2024 21:47

Só aventura heim. Teus relatos com cara de vai dar merda são os melhores. Hehehe. Também já gozei algumas vezes antes da penetração e foi tão bom que nem fez falta.

membro 22/02/2024 20:44

Galera, agradeço quem se deu ao trabalho de curtir e comentar mais esta página do meu diário. Gosto de pensar que não escrevo somente para foristas e consumidores de sexo, escrevo para leitores, para bons leitores. Então, deixo esse elogio a vocês, parabéns por serem bons leitores e obrigado por me prestigiarem.

MuriloRJ 22/02/2024 20:35

Sempre que leio os relatos do Dante, me pergunto se um dia eu conseguiria ser corajoso para desbravar a esmo, pois eu não teria o lastro e confiança de anos de experiência.

Dante, como sempre, gerando entretenimento com palavras e aventuras. Obrigado!

Saulo Top 22/02/2024 18:11

"— Ai, que susto, garoto! Não, não lembro..."

Quase infartou a menina kkkkkkkkkk

KchorrãoTijuca 22/02/2024 17:48

Sensacional relato,como sempre, conterrâneo Dante,a menina domina a arte do oral pois o nocauteou rapidamente 🙂

membro, abobrinha, Cerveja, Saulo Top, Senior69, Sued, MuriloRJ, Geraldinho, Jucabar, pgggato45, Yami Mysterio, Pajé, ViciadoEmPeitudas, Brand, Barbosa82, Quaqua, alceuvc, Alicia Ferrari, Brutus, Rai, Detonador, Nego Dengo, Digboy, Mulato Roqueiro, Josh, miltinho, SuperTuga, Wilson00 curtiram esse relato.
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RAILDA
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VALOR: R$600.00
05 de Junho de 2023 às 10:08
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

DISSE QUE FAZ

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

Este relato é o marco do início de uma pausa a que precisarei me impor na colaboração para o fórum devido a demandas profissionais inadiáveis que me consumirão tempo e muitos neurônios nos próximos meses. Por mais que eu escreva com facilidade, isso sempre toma o meu tempo, desvia o meu foco, um fator que agora terei que manter cem por cento operante a partir de hoje. Esta pausa, no entanto, chega em um momento oportuno, pois estou enjoado de escrever sobre garotas de programa e sobre sexo pago. Como não escrevo por fórmulas prontas, escrever sem a motivação necessária me cansa.

Gosto da noite e das aventuras que ela me proporciona. Como escritor e como jornalista, sempre me identifiquei com a proposta dos fóruns que registram essa estranha relação entre homens e putas. Apesar das decepções que vivenciei por diversas vezes com messalinas e com foristas, sou um desses personagens que persiste, pois o meu prazer em descrever a boemia e o hedonismo é maior do que o despeito e o desrespeito daqueles ou daquelas que tentam azedar o chope.

Por este ser o meu último relato antes do intervalo que me vejo obrigado a fazer, serei breve. Consegui administrar meu tempo até aqui, pois aprecio demais colaborar com o Arena, é algo que faço com espontaneidade e alegria, mas a tentativa de administrar o tempo gerou uma bola de neve de tarefas e agora tenho que cumpri-las para conseguir retornar ao saboroso convívio deste espaço.

Não, não sumirei do Arena. É apenas uma pausa nos relatos.

..................

Quando deixei a Up House, estava frustrado. Saí para me presentear no meu aniversário e a noite estava sendo uma sucessão de desastres e de conjunções carnais incompletas. Eu não sabia, mas sexta-feira, 02 de junho, comemora-se o Dia Internacional da Prostituta. Que coincidência estranha...

Voltei a perambular pela Avenida Mem de Sá. De repente, me vi em frente a um lugar chamado Cabaré da Jacke. Se tem cabaré no nome, eu entro. Definitivamente, não estava com sorte, o Cabaré da Jacke é um desses lugares “plurais”, não correspondia à minha busca para fechar a noite.

De volta a Mem de Sá, vagando como um fantasma arrastando as correntes dos dissabores. Exausto, parei em um bar com o nome de Lapa 24h, na Praça João Pessoa. Sentei-me e pedi um Black, não tinham. Manda uma Salinas — foi a solução.

Nunca me ocorreu a desconfiança de que estar sozinho chamasse a atenção alheia. Pois chama, de acordo com a minha própria experiência. Havia mulheres no bar, havia muitas mulheres no entorno do bar. Se uma câmera desse uma panorâmica na área, é possível que eu fosse uma das poucas almas solitárias naquele cenário.

Não sei reagir adequadamente quando me encaram, sou um tímido incurável. O que fiz? Dei um sorriso para a mulher que me encarava e ela me sorriu de volta. Ousei e fiz um sinal para que ela se aproximasse da minha mesa, a garota cochichou com as outras meninas que a acompanhavam e veio ao meu encontro.

— Pode beber comigo? — convidei.

— Está bebendo o quê?

— Cachaça.

— Cachaça, não. Posso pedir uma caipirinha?

— Claro.

— Qual seu nome?

— Dante, me chamo Dante. E o seu?

— Railda.

Demorei para entender o nome, de tão exótico causava interferência no meu aparelho auditivo. Railda tinha sotaque forte, é baiana e não negou que estava ali a trabalho.

— Olha, não gosto de brasileiro, mas vi você sozinho... Não gosto de ver ninguém sozinho.

Há quanto tempo eu não ouvia essa frase de uma puta: “não gosto de brasileiro”.

Não se tratava de uma mulher necessariamente bonita de rosto, mas é dona de um corpo de tirar o fôlego de quem vê. O sotaque e os gestos conferiam a ela uma dose atraente de sensualidade. Sem pressa, conversou por um bom tempo comigo, até que perguntou se eu iria “querer um carinho”.

— Quanto é para passarmos a noite? Vou precisar dormir.

— Até que horas? — ela me pergunta.

— Sei lá. Até acordar e tomar um café.

Railda consultou o relógio, lançou os olhos para os cálculos matemáticos e me respondeu.

— Posso fazer por 600.

Considerei o valor bem razoável. Na verdade, me surpreendi, era uma pechincha.

— Então vamos agora. Pode ser? — perguntei.

Railda assentiu e perguntou para onde iríamos.

— Aqui perto, Hotel Estadual — informei.

Ela se levantou e avisou as amigas.

— Você está de carro? — perguntou-me.

— Não. É perto, podemos ir caminhando.

E fomos, de mãos dadas, em direção ao hotel que adotei na velha Lapa. O resto da história foram os raios de sol penetrando pelas brechas da cortina, fustigando o meu rosto e me fazendo abrir os olhos inchados após a fusão de corpos que me fez gozar duas vezes. Ave, Railda.
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
BOA BOA
Papai Noel 06/06/2023 15:09

Disse que não aceitava a minha parada, mas vai dar uma parada.
Também não vou aceitar.
É quase um impasse mexicano.

membro, Jucabar, pgggato45, Senior69, Digboy, PauloCesar, ViciadoEmPeitudas, Bart, chinchila, Barbosa82, Papai Noel, Gatitus, Nomade curtiram esse relato.
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JUCI
NEUTRO
120 MINUTOS
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29 de Dezembro de 2022 às 11:37
BEIJO

SIM - NãO GOSTEI

ORAL

NãO SEI

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO




A APRESENTAÇÃO

Sou um flâneur, um fruto da minha solidão vocacionada, adoro caminhar longas distâncias e cultivei uma preferência pessoal por explorar as ruas e vielas do Centro do Rio. Infelizmente, a realidade mudou, o Centro se decompôs e o índice de assaltos aumentou consideravelmente, mas ainda me arrisco a degustar desse meu prazer trivial ocasionalmente. Sempre fui afeito à adrenalina, na minha envelhecida maturidade o vício da aventura avultou-se, nunca combinei muito com freelancers, tenho a mania da escolha visual, somente as termas, as boates e as ruas perdidas da cidade fornecem a matéria-prima que me sustenta. Prefiro a caça ao delivery.

Passei a escrever menos no Fórum, relato pouquíssimo as minhas andanças urbanas por perceber que a maioria dos foristas contemporâneos carrega um perfil muito distante do meu, são mais convencionais, gostam de café com bolo, se arriscam menos e não possuem a necessidade da abordagem e da sedução, que são essenciais à minha libido. Ao mesmo tempo, são poucos os TDs que me convidam à leitura, não gosto de histórias lineares ou telegráficas, isso não combina com a busca do sexo. Este relato que escrevo agora, não pretendia registrá-lo, penso que provavelmente não será do interesse da massa dos foristas. De qualquer forma, eis-me aqui tecendo a narrativa, talvez pelas características inusitadas que me proporcionou.

O ENREDO

Há tempos que venho mapeando a região da Lapa, lá eu colhi espécimes femininas de extrema delicadeza e qualidade, algumas vieram para o fórum após eu induzi-las, outras preferem insistir nas emoções da pista. Descobri alguns pontos ao ar livre, como a Rua do Rezende, a própria Av. Men de Sá, o Bar do Baiano na Rua da Relação e umas poucas casas de música onde as “promoters” estão sempre dispostas a ouvir propostas indecentes. Nos últimos dias, me arrisquei em mais uma pesca de piranha na região do aqueduto.

A Av. Gomes Freire é uma das referências com maior concentração de gente no entorno da velha Lapa revigorada, por algumas vezes observei um boteco onde pude reconhecer rostos familiares das termas e de algumas das nossas autônomas. Meu faro continua apurado para detectar mulheres com potencial de empatia. A calçada comprimida de corpos humanos não me impediu de alcançar o balcão do bar e pedir uma dose de Black Label.

— Não tem, chefe. Só tem Teacher's. Serve? — informa o balconista que parecia um polvo de 20 tentáculos servindo à multidão.

Aceitei a oferta a contragosto, a bebida veio em um copo de geleia, o que me parece ser a última moda na Lapa. O primeiro gole desceu amargo, mas dilatou minhas pupilas. Voltei para a calçada, liguei o radar e fiquei na observação. Trinta minutos depois, surge uma morena, dessas que a gente chama de jambo, entubada em um minivestido branco, coxas grossas, boca carnuda, e bunda tobogã. Já na terceira dose de Teacher's, não posso afirmar se era uma mulher realmente bonita, pois cumpri a fase alcoólica em que chamamos urubu de “meu louro”. Apresentava-se atraente. Ela também foi até ao balcão do botequim e retornou com uma garrafa verde de cerveja, estava sozinha e fiquei na dúvida se esperava alguém. Analisei-a por uns vinte minutos até me decidir a abordá-la. Sou tímido, mas o álcool faz do meu Dr. Jackyll um Mr. Hyde.

— Boa noite, me desculpe por incomodá-la. É que estou há poucos dias no Rio, você sabe me dizer onde é bom para aproveitar a noite?

Confesso que forcei tanto um sotaque falso de turista que a menina deve ter pensado que a minha última frase seria “ET phone home”. A moça me lançou um olhar panorâmico e mantendo a fisionomia impassível sussurrou a resposta surpreendente.

— Sei, sim. Os motéis no final dessa rua são bons.

— Como assim? — devolvi perplexo.

— Anjo, estou trabalhando. São 250 reais. Interessa?

Acredite, forista sem fé, putas e libertinos se atraem como mercúrio.

— Pode ser que me interesse — respondi, relevando a objetividade frígida da menina — qual seu nome?

— Juci. Sou dominadora. Aviso logo, porque é o meu estilo.

Dominadora... naquele momento, não entendi bem o que ela quis dizer, mas nunca havia saído com uma dominadora e a minha mórbida curiosidade implorou-me para que eu aceitasse o convite. Juci sugeriu os motéis no final da Gomes Freire, mas eu apontei para o Hotel Estadual, próximo de onde estávamos. Ela concordou.

O DESFECHO

O quarto é simples e sem firulas, preparado para uma trepada pragmática. Entramos, avancei para beijá-la e pressenti que não estava com uma dominatrix, mas com uma sádica, Juci mordeu-me o beiço com a força de um caranguejo hidrófobo, fiquei paralisado e mudo de dor até que ela me libertasse daquela pinça dentária. Com a boca dolorida, preferi não arriscar mais beijos até o fim do programa.

Tiramos a roupa, ela entrou no banho, eu fui em seguida. No retorno, ela me ordena que eu chupe sua boceta, digo de passagem que a vagina da Juci parecia cabeça de maestro de orquestra sinfônica, dotada de uma vasta cabeleira ornada por pentelhos rebeldes. Pedi que se deitasse para que eu pudesse chupá-la.

— Não, deitada não. Ajoelha e me chupa — instruiu com voz autoritária.

Não estava gostando daquilo, mas me ajoelhei mergulhando o rosto naquele tufo de pentelhos negros e grossos. Juci não gemia, urrava com um tom masculinizado, meu pobre Pikachu começou a só querer que o tempo terminasse para voltar intacto à bucólica Tijuca.

— Deita — Juci me dá a nova ordem.

Deitei-me, ela veio por cima e começou a roçar a chana no meu combalido pênis. Estava gostosão, a fricção daqueles pentelhos, o choque da estática arrepiante que a esfregação causava na minha virilha, foram as minhas últimas sensações antes de ver Juci erguendo a mão e sentar-me um tabefe na cara com a potência de Hércules. Neste ponto, afeiçoado forista, suponho que saí do ar por uns dez segundos, primeiro vi estrelas, depois sonhei que estava sendo recebido por São Pedro às portas do Paraíso, então me lembrei de que sou ateu e comecei a reabrir os olhos. Só tive tempo de ver Juci erguer novamente a mão direita, um reflexo traumático me fez saltar para o lado e cair da cama junto com ela.

No chão, ela me lançou um olhar desafiador e prendeu a minha cabeça em uma chave de perna que quase esmagou meu pescoço, temi ser vítima de algum golpe ou roubo. Comecei a balançar os braços freneticamente, como se estivesse sufocando, Juci me soltou. Apressei-me em pedir arrego.

— Juci, me perdoe, mas vou encerrar aqui. Esse estilo não é pra mim.

— Ah, meu bem, só trabalho assim, eu avisei. É assim que tenho tesão.

Paguei a despesa, fui lavar o rosto e vi minha bochecha com mancha de rosácea. Deixei o hotel, fui caminhando a esmo e esbarrei com o Bar das Quengas. Pedi um Black Label e dessa vez o garçom fez a minha vontade. Das caixas de som vazavam os acordes de “Michael Douglas”, do João Brasil. Puxei um guardanapo, saquei minha caneta do bolso e comecei a rascunhar a estranha e inédita desventura que vivi. Não se preocupe, se eu contasse essa história para mim mesmo, também não acreditaria. É preciso viver.

MICHAEL DOUGLAS

Libertine-se... Dancinha
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
RAZOáVEL RAZOáVEL
Pica_de_Cavalo 01/01/2023 08:55

Que piranha escrota. Isso foi um assalto. Tu falou que não era do RJ, ela se aproveitou.

Confesso que pensei que tu iria reverter a situação e daria uns tapas na meretriz.

Belo texto. Melhor sorte na próxima.

Shadz22 31/12/2022 20:20

Que isso dante, 500tão pra da neutro......... vai na mãe de santo pra se benzer kkkkkkkk

Inbroxavel 31/12/2022 08:41

Porra isso foi um pg ou uma luta UFC?

Sued 30/12/2022 00:31

Mestre Dante kkkkkkkkkkk...a Jaci é bem selvagemzinha , e manda muitoooo né Mestre ....kkkkkk....pediu arrego né Mestre...ou era isso , ou ir pro IML ....kkkkkkkkkkkk
SuperSensacional TDzaçoooooooo....

Barbosa82 29/12/2022 23:16

Eita Dante! Garota violenta essa Juci hein? Confesso q não gosto desse estilo dominadora. Agora o relato foi sensacional,mostrou a realidade da Lapa atual e dos tipos de garotas q atendem por aqui. Show!

Alicia Ferrari 29/12/2022 15:35

Saudadinhas de ler seus tds

KingPin 29/12/2022 15:23

Pqp irmão KKKkkk rindo alto

Felipe_BR 29/12/2022 15:02

"caranguejo hidrófobo" kkkkkk
Mas pq relato neutro e não negativo?
Parece alguma coisa foi positiva, fiquei na dúvida....

Lex Luthor 29/12/2022 14:18

Dante você é o cara mais raiz que eu já li relatos, sensacional kkkkkkkkkkkk

pgggato45 29/12/2022 13:27

Dante , você não foi sem querer ao ringue de MMA? Boas festas que 2023 venham mais aventuras desse libertino, abraços.

Mayara Rios 29/12/2022 13:27

Apesar do fight da moça o relato é de pura coragem....rs

Mayara Rios 29/12/2022 13:24

😳😳😳

Jucabar 29/12/2022 12:45

Caralho; se fosse comigo iria dar BO!!! Como iria explicar a marca do tabefe no meu rosto em casa??? 😳

Saulo Top 29/12/2022 12:26

Socorrooooo......kkkkkkkkkkkk. Eu tô passando mal......kkkkkkkkkkkkkkkk. Me ajudem, por favor.....kkkkkkkkkkkkkk

Mestre Dante, eu te amo......kkkkkkkkkkk

"...tenho a mania da escolha visual, somente as termas, as boates e as ruas perdidas da cidade fornecem a matéria-prima que me sustenta. Prefiro a caça ao delivery..."

Pensei que só eu fosse assim, aqui no fórum. 👏👏👏👏👏👏

Prometi que não faria relato este ano, mas novamente, transformei uma civil em puta. Em janeiro vou relatar, prometo.

No momento estou na minha casa de praia e a família está toda aqui e tal, mas acho que vcs vão gostar. Foi melhor do que o TD com a vendedora de doces.

Mestre Dante, estava com uma saudade gigantesca de ler seus TD's.

Y@N 29/12/2022 12:11

Grande Dante , tdzao irmão não deixe de relatar e com essas aventuras q saem as melhoras histórias . Parabéns desejo tudo de bom pra ti q 2023 vc não perca essa essência de lobo solitário .

Bad Brain 29/12/2022 12:01

Hahahaahah! Dante meu caro, que história maravilhosa, acredito que mais para nós leitores do que para o escritor, hahahaah! O inusitado me fascina, a dor me repele, mas a experiência e a memória fica pra sempre, parabéns meu caro, mais pela generosidade em compartilhar essa aventura conosco do que pelo acontecimento em si.

Dionizio_RJ 29/12/2022 11:59

Pqp kkkkk a ppk da Jaci parecia cabeça de Maestro. Não tenho mais essa valentia, prefiro a vida delivery com riscos minimizados. Mas admiro a ousadia e mais ainda as histórias que rendem. Nao deixe de escrever, pois é sempre um prazer ler os seus relatos.

Brand 29/12/2022 11:45

Dante raiz tomando uns tabefes kkkkkk

Brand, Dionizio_RJ, Bad Brain, Y@N, Saulo Top, Jucabar, Mayara Rios, Digboy, pgggato45, Lex Luthor, Felipe_BR, KingPin, Alicia Ferrari, PrefeitoComeCu, LP come queto, Veronica Carbone, thurin, Aquaman, Barbosa82, Sued, Crystal Pimenta, Wolfgang, Jonta, Inbroxavel, membro, Geraldinho, Pica_de_Cavalo, Michael Corleone, ViciadoEmPeitudas, Caçador_07, Passion, schusk, Raio Azul curtiram esse relato.
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HORAS DE SEXO
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VALOR: R$250.00
02 de Outubro de 2021 às 10:04
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

Um libertino é um desajustado social, afirmo isso pelo meu próprio exemplo, um homem que já ultrapassou a meia-idade, celibatário, sem filhos, um misantropo. Nunca me casei. Como você imagina os julgamentos que desperto, afeiçoado forista? O cidadão ou a cidadã tradicional me conhece deve pensar: tem algum problema; é maluco; ou, muitas vezes, é gay. Não é fácil ser um libertino legítimo como eu sou, chegar em casa e estar sozinho, planejando futuras fugas, locais que possam despertar alguma nova emoção após tantas emoções já vividas, sonhar com o encontro com uma mulher que me cause impacto. Seria uma vida vazia se eu não a preenchesse em outros aspectos, sou um leitor voraz, um cinéfilo faminto, mas nada supera a libido que sempre me empurra para o abismo da luxúria. O libertino é um ser diante de abismos, ama o risco e é nesse risco que encontra o sentido da própria existência.

Preferia ter batizado este tópico como “Lapa”, mas tive receio de que uma referência genérica não cumprisse o padrão do fórum. A verdade é que me refiro a rua Gomes Freire, mas a Lapa inteira se tornou um celeiro de promiscuidade. Confesso que não sou um habitué dessa nova Lapa submersa em luzes de neon, frequentei a Lapa mais antiga e decadente, onde o ponto do frenesi era o forró do Asa Branca nos fins de semana e a boate Dominó, mais à frente, na Men de Sá; o Circo Voador com a Orquestra Tabajara aos domingos. Lembrei-me de uma época em que, sem dinheiro, eu esperava algum promoter do Asa Branca distribuir convites na entrada da casa. A Lapa sombria dos travestis, das putas de segunda classe, dos pés-sujos mal frequentados, essa foi a Lapa dos meus primeiros passos lascivos. A nova Lapa passei a frequentar há pouco, fui mapeando, estudando a sua geografia tortuosa, me ambientando nos guetos e tive a certeza de que a prostituição floresce ali como as gigogas nos pântanos. E não é necessário entrar na boate Up para conquistar a convicção, basta observar os bares com mulheres rebolativas na entrada, insinuando-se como chamarizes para homens incautos; olhares furtivos de ninfetas em roupas que exalam erotismo; a sede do álcool; os olhos turvos das fêmeas embriagadas e monetizadas. A Lapa voltou a ser uma grande cafetina, camuflada, mas impudica.

Após algumas semanas consecutivas explorando os recantos mais obscuros, as esquinas mais desregradas, as calçadas mais voluptuosas, os bares mais dissolutos, decidi marcar um território e me colocar como isca. Sentei-me em uma das mesas de rua que ficam na Gomes Freire entre a Men de Sá e rua do Rezende, local de intensa concentração de mulheres e outros bichos. Quando estava a caminho da área escolhida, passei na porta de um caquético sobrado onde um rapaz barbado, de cueca e espartilho, convidava quem o encarasse para subir, uma longa escadaria vermelha fazia o fundo de sua presença exótica. Não, não me acometeu nenhum interesse em conhecer aquela entrada do inferno. A Lapa do libertino é feito desses vãos, pequenos portais, às vezes imperceptíveis aos olhos desatentos, que nos levam a universos ainda não descortinados.

Não seria exagero afirmar que a Gomes Freire é o coração da Lapa, a concentração humana por metro quadrado é quase sufocante. Encontrei uma mesa livre e me acomodei. Comecei a pensar que seria difícil ver e ser visto naquela posição engolfada pela multidão ao meu redor. Pedi uma cerveja, duas, três, quatro. Sim, é neste ponto que as pupilas se dilatam, o mundo reluz, o feio fica bonito, o impensável se reverte em cogitação, o impossível desaparece do dicionário. Ébrio, o melhor estado para um libertino. É preciso libertar a mente para libertar a alma. Reparei em uma ou outra mulher que transitava rastreando as mesas, não sei se buscando lugar ou vítimas, fiquei atento. Eu precisava de um corpo quente naquela noite, de uma textura nova e fresca, eu necessitava de uma vagina como o vampiro que saliva por uma jugular. Embriagado, mas atento, não perdi a entrada glamurosa da loira emoldurada por um curtíssimo vestido branco, com um decote em V que exibia parte dos seios sedosos e estufados, as pernas torneadas cobertas por uma penugem loira oxigenada tornava a sensualidade natural da mulher quase irresistível. Ela vinha acompanhada de uma amiga, sondavam um lugar vago para acomodarem-se enquanto eu me vi hipnotizado pelas pernas incomparáveis daquela vênus platinada.

Sentaram-se não muito distante de mim. Só de olhar a garota meu combalido pênis despertava do formigamento e começava a dar sinais de vida. Fiquei encarando a loira sem trégua, até que nossos olhares finalmente se cruzaram, num gesto tresloucado ergui o copo como fizesse um brinde, ela desviou os olhos. Pense, estimado forista, o que poderia ter calculado uma mulher ao ver um homem velho, sentado sem companhia em uma mesa da Lapa, erguendo um copo em sua direção? Patético. Não me condeno, toda tentativa é válida. Não desisti, continuei encarando mesmo sem retorno. Decorrido uns 20 minutos, ela e a amiga pagaram a conta e se levantaram, ao sair, cruzando a minha mesa, foi ela que me encarou. Eu poderia ter esboçado um sorriso, feito um gesto qualquer, dado uma piscada, mas fiquei gélido como um corpo em rigidez cadavérica. Afoito, sinalizei para todos os lados a procura do garçom, eu precisava pagar a conta, eu precisava segui-las.


****


Paguei a conta sem perder as presas de vista. Levantei-me estabanado e acelerei o passo em perseguição àquelas loiras pernas reluzentes. De algum bar emergia uma batida na voz de Lady Gaga.

Lady Gaga - Bad Romance

— Dante, como você consegue lembrar desses detalhes? — perguntaria aquele forista chato, cismado comigo, com tiques de stalker.

— O que resta a um velho, afeiçoado forista, que não seja a obsessão de preservar a própria memória?

As duas continuavam numa rota que parecia pré-determinada e para o meu azar entraram em um desses bares com música, lotadíssimo. Fui atrás. Dez contos de entrada e lá estava eu, no meio de uma muvuca sem fim. A galera se esganiçava cantando “Deixa Acontecer” (o destino me aplicando pegadinhas).

Deixa acontecer

Para não ficar deslocado, ia rebolando meu corpo dissonante para conseguir deslizar entre a multidão, tentando não perder a loira da mira. Claustrofóbico, me dei conta de que não conseguiria ficar muito tempo naquele ambiente. Nessa altura, eu transpirava litros. Só vi uma saída, a cartada definitiva. Saquei um dos meus providenciais cartões de visita, embrenhei-me corajosamente pela selva de gente e abordei a mulher.

— Queria muito falar com você. Não é cantada, mas como aqui será impossível para conversar, posso deixar meu telefone?

— Não é cantada?! — a loira deu uma risada sexy que eriçou todos os meus pentelhos — A gente pode conversar agora, mas estou trabalhando.

Sim, forista sem fé, provava-se novamente a egrégia teoria, libertinos e putas se atraem como mercúrio.

— Podemos sair daqui? — perguntei.

Ela cochichou com a amiga e eu deixei o lugar escoltado por aquele deslumbre feminino. Na rua, pedi duas cervejas para um sujeito que vendia no isopor e a loira topou sem criar caso, o que me fez considerá-la ainda mais interessante.

— Você está trabalhando em quê? — indaguei me fazendo de idiota.

A loira frisou os olhinhos em um sorriso que quase me provocou ejaculação precoce.

— Você sabe...

— E rola tudo? — prossigo tateando.

— Só sei fazer assim, com tudo.

Novamente, meu combalido pênis estremeceu numa simulação de abalo sísmico.

— Quanto?

— Trezentos.

— Eu estou com duzentos e cinquenta aqui. Pode ser?

A loira me olhou de cima abaixo e balançou a cabeça concordando.

— Como vim beber, estou sem carro. Tem algum local próximo que você conheça?

— Tem o Hotel Estadual. Dá para ir a pé.

Lado a lado, partimos em direção ao tal Hotel Estadual, na rua do Rezende. Arrisquei dar a mão a loira e ela até se aproximou de mim, se mostrando muito receptiva. Lembrei-me de que não perguntei nem o seu nome.

— Ivana. E o seu?

— Dante, me chamo Dante.

E das caixas de som de um boteco desaguava um som moderno e estranho...

Dance Monkey

— É aqui — Ivana aponta o hotel com face decadente.

No melhor prefácio do sexo, nos olhamos e colamos os lábios em um beijo que percorreu a jornada do meu imaginário até alcançar o real enroscar das línguas em sede. Entramos...


****


Na recepção do Hotel Estadual me veio a impressão de já ter estado ali. Na nossa frente havia um gordinho pegando a chave do quarto, estava com uma travesti, dessas que, se eu não estivesse com uma loira hollywoodiana ao meu lado, poderia pensar que o gordinho se mostrava mais bem acompanhado. O quarto básico emanava uma aura retrô, a loira foi para o banheiro e eu iniciei o ritual de me despir. Ouvi gritos de uma mulher que parecia estar no clímax do ato sexual, algo tão intenso que foi capaz de me excitar. Liguei o rádio do quarto, só consegui sintonizar em uma estação de pagode que tocava uma batida do grupo Revelação...

Coração Radiante

A loira saiu do banheiro emoldurada por uma lingerie de ressuscitar Lázaro. Que visão, capaz de comover o pênis mais indiferente. Enquanto ela se aproximava, o som do Revelação invadia a alcova...

O que mais quero é te dar um beijo
E o seu corpo acariciar
Você bem sabe que eu te desejo
Está escrito no meu olhar
O teu sorriso é o paraíso
Onde contigo eu queria estar
Ai, quem me dera se eu fosse o céu
(Você seria o meu luar)
Só pra mim
(Como as ondas são do mar)
(Não dá pra viver assim)
(Querer sem poder te tocar) Eu te quero só pra mim


Alisei os pelinhos loiros das coxas grossas da loira, ela puxou minha cabeça de encontro a sua vagina cheirando a lavanda, puxei a ponta da calcinha e dei uma linguada que arrepiou a menina. Ela se agacha e me beija oferecendo sua língua à minha traqueia. Foi neste instante que me conscientizei da minha sorte, foi quando a vida ganhou sentido. O libertino é um tipo de Indiana Jones em busca do templo perdido, o tesouro almejado é a boceta ainda intocada por ele.

Corpos se roçando, o pau esbarrando nu da chaninha úmida da mulher, braços enlaçando troncos, pernas se embolando na pretensão de um nó cego. A garota se esgueirou pelo meu tórax, deslizou pela minha barriga ovalada, alcançou a virilha e abocanhou meu pau com a fome de uma piranha do rio São Francisco. Sim, meu valioso leitor, ela começou o boquete por uma mordida leve no meu pênis para depois curá-lo com seus lábios mornos e ágeis. Quando percebeu que poderia me levar a ejaculação precoce, Ivana montou em meu tronco e introduziu meu pau em sua vulva sem pensar na camisinha. Caralho! Eu me deixei levar, a loira demonstrava estar excitadíssima, talvez efeito do álcool que havia consumido. Ela rebolava em cima de mim, gemia, me trazia a boca para me beijar em frenesi. Resistir é inútil. Ejaculei até a alma.

Após o incêndio da insanidade sexual, ficamos deitados, nos acariciando. Dormimos para o dia nascer feliz. Yes


ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
BOA BOA
calberto 04/10/2021 15:44

fantástico ! É quase um manual putanhesco de um dia e uma área que já não mais renderiam bons frutos mas .... Com um olho clinico de alguém experiente e 250 pilas na mão ... a coisa muda !
Parabens !!

ZezinhodasTermas 03/10/2021 11:42

Dante, você é o cara !!!! Isso é um TD de uma lenda putanhística !!! Um dos poucos foristas que tem credibilidade em qualquer fórum e um dos poucos que em mais de vinte anos de putaria, aí da nós brinda com td's desse porte !!! PQP !!!! Só tem um porém, quando penso em voltar a postar, vem o amigo com um TD desses... Vou continuar quietinho na minha rsrsrs. Parabéns, Mestre.

Saulo Top 02/10/2021 14:35

"...alcançou a virilha e abocanhou meu pau com a fome de uma piranha do rio São Francisco...". Kkkkkkkkkkkk. Socorro...kkkkkkkkk

pgggato45 02/10/2021 12:31

Bela foto da bunda da moça.

safra73 02/10/2021 12:05

Que bunda, Dante! Parabéns! Persistência, perseverança e $250,00 sempre rendem bons frutos kkkk

membro, Dionizio_RJ, pgggato45, Zinedine Zidane, Saulo Top, The Who, Brand, alan26272829, calberto curtiram esse relato.
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