BEIJO
SIM - NãO GOSTEI
ORAL
NãO SEI
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO

Caos. A Lapa estava um caos, só consegui estacionar o Sucatão no trecho mais remoto da Avenida Gomes Freire. Para me aquecer, não gosto de ficar na parte de maior burburinho, os arredores dos Arcos, prefiro caminhar e buscar os botecos próximo à Rua Ubaldino do Amaral.
Somos uma ampulheta, aos poucos vou me percebendo uma das vítimas do etarismo. Já não me sinto confortável dentro de ambientes juvenis, me constrange. Chegará o dia em que me sentirei mal dentro de uma boate de swing, sendo observado por olhos reprovadores como se fosse um vovô pervertido. A areia escorre alvejando nossos cabelos, murchando nossa face e deformando o nosso corpo. Para piorar, há os que nem se tornam mais sábios com a idade, emburrecem.
Dos botecos de raiz que ainda restam, o Beco da Noite exibe um cartaz com os dizeres “Passo o Ponto”; o Bar das Quengas, que não se encaixava no título Boteco raiz, está permanentemente fechado; restaram-me alguns bares da Rua da Relação e o Araujolandia, na esquina da Ubaldino do Amaral com Rua do Rezende, foi onde fiz meu pouso.

A vida de um libertino é feita de estranhas surpresas. De repente, emerge das caixas de som uma música que eu não conhecia, a voz era do João Nogueira e a letra capturou imediatamente a minha atenção.

JOÃO NOGUEIRA
Enfeitei a mesa com um copinho de Salinas, uma garrafa de água mineral e uma porção generosa de fritas. Fiquei como eu gosto, contemplando e filosofando, portanto, nunca me ofendo se me chamam de filósofo de botequim, é no pé-sujo que nascem as maiores correntes filosóficas. Certa vez me questionaram se eu não me entedio de andar sozinho pelas noites mundanas, confesso que já aconteceu, mas é raríssimo. Amigos para a boa boemia são tão raros como os amores perfeitos, termina sendo mais produtivo para o notívago fazer voos solos. Estranhamente, sou uma boa companhia para mim mesmo.
Do Rio Grande do Sul, fui jogado criança na bucólica Tijuca, um bairro que era cercado de cinema por todos os lados. O cinema não foi um simples lazer, o cinema foi um amigo que cultivei por muitos e muitos anos, as salas de projeção foram o meu templo, a estufa onde me desenvolvi, de onde desabrochei. Ter atravessado a existência pelos cinemas da Tijuca moldou o meu olhar, influenciou a minha escrita, me formou como pessoa. Viver na Tijuca era existir muito mais no abstrato do que no concreto. Cresci na interseção entre a fantasia e a realidade. Sou mais personagem do que indivíduo.
De forma indecorosa, todo esse meu magnífico fluxo de pensamento foi interrompido, cortado por uma bunda rebolativa que magnetizou o meu olhar e os olhares alheios de metade da rua. A bunda parecia ter vida própria, se aprendesse a falar dominaria o mundo, parecia flutuar, sem pertencer a um corpo, sem pertencer a ninguém, até que se notasse a extensão de cabelos dourados a emoldurando a partir do cóccix de uma mulher alta e indiferente à plateia que a acompanhava com os globos oculares esbugalhados.
Desesperado, pedi a conta. Eu queria segui-la, eu necessitava saber qual seria o seu paradeiro final. Aquela bunda me fez salivar, certamente me causaria um grande desgosto e arrependimento se eu não a conhecesse mais de perto. Assim que me levanto, outro hit nostálgico transborda pelas caixas de som do botequim...
B-52
Fiquei sem saber se corria atrás daquelas nádegas indefectíveis ou se dançava para comemorar o meu estado ébrio. A aventura continua...

Meu aparelho auditivo, sempre aleatório, engata com o celular e os acordes de Eletric Light Orchestra assumem o controle do meu ouvido...
ELETRIC LIGHT ORCHESTRA
Iniciei a perseguição, fui atrás daquele rebolado, daquelas nádegas que subiam e desciam em um compasso que se assemelhavam a dois pistons de um motor erótico. Foquei naquela bunda milagrosa como se não houvesse amanhã. O estranho é que eu não conseguia enquadrar o conjunto, meus olhos ignoravam a mulher e se fixavam somente na bunda. Que bunda...
A garota caminhava rápido e eu ia arfando atrás, quase sem fôlego, mais movido pelo desejo do que pelas pernas. Entra aqui, sai ali, para, compra um cigarro num boteco, prossegue determinada, cai na Mem de Sá e finalmente entra na UP House. Não gostei muito da estação final, mas fazer o quê? Putas e libertinos se atraem como mercúrio, já dizia o sábio Caetano, o idoso mais idoso dos bordeis carioca.
Entrei na boate logo após a bunda. A UP está sempre morna antes da alta madrugada e é desse jeito que estava quando cheguei. Percebi que precisaria esperar a menina se montar antes de voltar para a pista. Pedi uma Corona, sentei-me em um canto e contemplei o salão.
A cidade mergulhava aos poucos nos perigosos enigmas da madrugada, o mundo adormecia e acordava derramado em sua amplidão esférica, o planeta continuava a girar em torno de um tempo infinito, mas jurado de morte. E eu ali, no meio dessa intriga do cosmos, esperando uma puta aparecer.
Ela surgiu e saltei como uma rã querendo engolir a borboleta, fui abordá-la. Marise o seu nome, loira de longos cabelos cacheados, olhos de tons esverdeados, boca carnuda, mas tudo isso ficava em segundo plano diante do seu rabo de descomunal perfeição emoldurado por um microscópico biquini. Fiz a entrevista básica para descobrir no quarto que as respostas não foram sinceras.
Pedi uma alcova. Considero os quartos da UP ruins para o preço que cobram, mas é o que tinha. Não me estendo em experiências negativas. Quando entramos no aposento, pedi que a menina se despisse completamente, me acomodei na cama, sinalizei para que ela ficasse de quatro para os meus olhos e confirmei que aquela bunda era um milagre materializado no corpo feminino. Infelizmente, a qualidade das nádegas não acompanha o desempenho, a moça beija com meia boca, não deixa botar dedo em lugar algum, tem paranoia do pau encostar na sua vagina sem estar plastificado. Ou seja, um péssimo encontro. Saí decepcionado antes de terminar o programa, mas ficou a visão da bunda incomparável.
Ganhei as ruas, o meu aparelho de surdez emparelhou na trilha aleatória do meu celular e fez Kim Carnes ronronar Bette Davis Eyes nos meu ouvido.
BETTE DAVIS EYES
A noite de um libertino é mais longa do que a noite daqueles que dormem. A partir de agora, qualquer aventura é possível...