BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
SIM
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
—John Milton
A noite é um destino, você pode escolher vivê-la ou submergir nos sonhos imateriais e inúteis que o sono proporciona. Sempre escolhi vivê-la, talvez por sofrer de uma insônia incurável desde muito jovem. Sábado, no entanto, recebi o telefonema de um amigo recém-divorciado, estava na fossa, me convocou para encontrá-lo no Jardim Botânico às três horas da tarde. Compadecido pelo seu estado emocional, fui.
O ponto de encontro foi na parte alta do Jardim Botânico, próximo ao Horto. A tarde ensolarada mostrava-me que a claridade do dia, ao contrário da penumbra noturna, é somente o prefácio irrelevante da existência. Escolhemos duas cadeiras em um pé-sujo, molhamos o bico com uísque de frente para árvores centenárias e não paramos mais. Meu amigo, com o coração desidratado pelo fim do casamento, encheu a cara. Por solidariedade, me vi na obrigação de acompanhá-lo. A noite seria a nossa ventura.
Conversas, desabafos, confissões, anoiteceu sem percebermos. Meu camarada queria continuar a inebriante jornada de purificação da falência matrimonial, pediu-me que o levasse para um bordel, sugeri que antes fôssemos para a Lapa. Ébrios e trôpegos, entramos num táxi e partimos em direção aos arcos icônicos do cenário carioca.
Acredite, forista sem fé, realmente tropeçávamos nas próprias pernas. Decidimos parar no antiquíssimo restaurante Capela para hidratar mais um pouco.

— Garçom, desce o Black Label — eu já estava me sentindo como um dos personagens do filme “Se beber, não case”.
Em certo momento, aqueles ladrilhos cor bege do restaurante assemelharam-se a um mosaico em movimento. Pedi ao meu parceiro para darmos um rolé, respirar um pouco, antes que entrássemos em coma alcoólico. Pagamos a conta e ganhamos a Avenida Mem de Sá. Multidões sentadas em beiras de bares, multidões se movimentando em bloco, solitários a procura de si mesmos, mulheres buscando incautos, enquanto eu e o meu amigo tentávamos apenas não despencar da própria altura por incentivo da embriaguez. O cheiro de luxúria misturado ao caos formava a imagem do Diabo nos dando boas-vindas.
Empurrados pela turba, continuamos seguindo o fluxo, mas Carlota (o apelido do meu amigo) escutou um som transbordando de uma boate e começou a gritar em frenesi.
— Dante, ouve, ouve. Caralho, Dante! É a Tiazinha.
UH! TIAZINHA...
Sou surdo, só ouvi chiados, mas o que Carlota escutou foi um som quase de museu, era o Vinny cantando “Tiazinha”. Meu amigo me puxou pelo braço, quase arrombou a porta da boate e entramos. Histérico, foi para o meio da pista, cantou, pulou e caiu. Sim, afeiçoado forista, ele caiu. Dois jovens o ergueram em socorro enquanto ele xingava a força da gravidade de filha da puta.
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— Dante, preciso comer gente. Como é que você diz? Preciso do aconchego úmido e morno de uma vagina.
— Carlota, não temos condições físicas nem de equilíbrio para nos deslocarmos. Vamos entrar num puteiro ali na frente, eu conheço.
— Tem buceta lá? Se não tiver buceta, cu serve. Estou com nostalgia da imoralidade.
A Lapa atualmente é um bordel a céu aberto, mas não mapeei com segurança todos os pontos onde a promiscuidade aceita pagamento em dinheiro. Minha cabeça girava como se estivesse em oposição à rotação do planeta, mas fiquei firme. Não me embriago fácil, mas nesse dia foi overdose. Carlota caminhava hesitante, como se buscasse apoio imaginário na invisibilidade do ar. Finalmente, entramos na pista da Up House.
Não me perguntem que horas eram, o relógio se transformou em um enigma intraduzível preso ao meu pulso. A boate cheia, funk nas alturas, mulheres rebolando, uns gringos perdidos... Carlota alvoroçou-se.
— Porra, Dante. Bocetas! Bocetas! Dúzias de bocetas! Agora, sim!
Não consegui mais beber, a tendência era que eu expelisse a próxima dose, mas Carlota foi ao bar e pegou outra dose de Black. Nossos corpos sacudiam, não pela música, mas pelos efeitos deletérios do álcool, uma introdução ao delirium tremens. Parados, para evitar qualquer ameaça de tombo, nos ambientamos, reconhecemos o território e em menos de vinte minutos Carlota elegeu sua presa. Na verdade, ele escolheu duas e subiu com as duas.
— Vai na fé, Carlota.
— Ter fé no meu pau hoje em dia é complicado. Ele me fez um herege.
Não prometi esperá-lo, ele não fez questão que eu o esperasse e nos despedimos.
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Sinto uma pancadinha nas costas, giro o pescoço e me deparo com Keila, a mulata maravilhosa com quem saí duas vezes (incluindo um pernoite na minha casa).
— Opa, menina. Você sumiu?
— Tava dando um tempo, resolvendo minha vida.
Engatamos conversa, ela estava de saída, cumpriu seu turno. Aproveitei para propor outro pernoite, já que ela estava indo embora.
— Vai pagar quanto, amor? — direta, mas afetuosa
Combinei o valor de três programas da casa, Keila vale a despesa. Ela topou. Subiu para se vestir, saímos. No céu, as estrelas ecoavam o brilho de um passado há milhões de anos luz de distância; ao encarar os minúsculos astros, o que eu via era o vazio pálido do esquecido. Diante daqueles pontos brilhantes, acervos de mundos e momentos extintos, eu e Keila éramos sombras. Sinalizei para um táxi, entramos em um motel e ejaculei espermas que, como a luz viajante das estrelas, não se materializariam para a vida. Adormeci quando o dia raiava, pois existo em dias sem prefácio, aguardando o noturno epílogo que jamais prevê como será o fim.