BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
Sábado. Muitas vezes aprecio sair sozinho pelas noites dos fins de semana, sentar-me num bar qualquer e tomar meu uísque, livre para pensar e transitar por onde eu quiser. Perdi um dos meus pontos favoritos para essa prática, o finado Bar das Quengas, que fechou as portas recentemente.
Quem me acompanha, sabe que sou um insone crônico. Li que pessoas com insônia, como a que me afeta, morrem mais cedo, mais um motivo para que eu aproveite as horas noturnas que me servem como palco. Escolhi parar em um bar na esquina da Rua da Relação com a Henrique Valadares, na parte remota da Lapa, mais para os lados da Cruz Vermelha. Fui com a esperança de encontrar o Baiano, uma espécie de garçom cafetão, mas ele não trabalha mais no local e o perdi de vista.
Fiquei por ali mesmo, não contei as doses de Black Label que ingeri. Meu fígado deve ter desenvolvido algum revestimento em aço, pois não sinto mais ressaca após beber muito e custo a sentir os efeitos relaxantes do álcool durante o processo.
O meu whatsapp é rigorosamente restrito na quantidade de contatos salvos e mesmo os salvos, quando se passam meses sem conversa, costumo excluir. O celular apitou me avisando sobre uma mensagem. Olhei para a tela, um número desconhecido me enviou um link com a legenda “nossa primeira música”. Cliquei em cima e fui tomado pela emoção.
I WANNA GO
Não precisava do número salvo, eu sabia quem me enviava a mensagem, era a GISELE. Uma das mulheres mais belas e sensuais que conheci nos últimos tempos, musa de altíssimo quilate, que infelizmente possui espírito cigano e não para no Rio. Não sei se foi pelo efeito do álcool, pela solidão do momento, mas a emoção fez meus olhos marejarem.
Gisele está em São Paulo, terra da garoa e do dinheiro, cidade onde ela diz encontrar mais espaço para as suas performances eróticas e para a valorização da sua beleza. Ela ainda se lembrava da música que nos embalou em nossa primeira noite juntos, a minha emoção foi inevitável. O Palácio de Cristal está em obras, só metade da boate funciona atualmente, os shows foram suspensos e a noite do Rio se resume a Lapa e as outras opções precárias não oferecem oportunidades dignas de uma loira com a dimensão de Gisele.
Trocamos algumas palavras, ela me antecipou que talvez venha ao Rio em setembro, perguntou se eu me incomodaria de hospedá-la por uns dias em meu chalé tijucano, o que não sei é se sobreviveria à Gisele se a hospedasse. Sou um homem de afetos e fiquei realmente comovido por ela ter se lembrado de mim. Quantas mulheres deste nosso universo mundano são dotadas de memória? Conto nos dedos de uma das mãos.
— 2 —
Tenho certeza de que me embriaguei, talvez pela surpresa de Gisele, talvez pelo excesso. Quando emergi dos meus mais profundos pensamentos, estava perambulando por um trecho da desolada Rua do Senado, um ponto onde a noite parecia mais densa. Custei a encontrar o caminho de volta para o frenesi da Avenida Mem de Sá, me perdi no meu próprio labirinto. O silêncio imperava e eu podia escutar as batidas das minhas botas contra as calçadas de concreto. Há ocasiões em que me sinto um fantasma, nesta noite me senti assim.
Comigo, o antídoto para a alma entorpecida sempre é a música. Emparelhei o aparelho auditivo com o celular e deixei que o som iluminasse toda aquela escuridão que me cercava...
SHOW ME LOVE
Não sei quantos como eu existem, mas padeço da nítida sensação de somente existir no meio das sombras, no meio da noite, imbuído da noite. As luzes de neon da Mem de Sá ofuscaram meus olhos, que emergiam dos longos passos dentro da penumbra. Para um libertino, a vida não é um sentido, viver é um propósito, é uma fome, é uma sede.
É inacreditável que eu não tenha sido muitas vezes assaltado pelos becos pelos quais me embrenho. Sou um homem que gosta de se vestir bem, tenho um bom porte, uma alma britânica que foi condenada aos trópicos, um Highlander que ainda não teve a cabeça decepada. Estranho que os ladrões me ignorem, talvez eu seja mesmo um fantasma.
— 3 —
Incapaz de buscar melhores opções, entrei na Up House. Um sujeito de dois metros de altura me examina com um detector de metais e me libera. Não me lembro que horário o relógio marcava, mas sei que era bem tarde, a pista da boate estava cheia, o funk estourando os tímpanos não deixava dúvidas do fervo em que eu estava...
FLAUTA DO BERIMBAU FAZ ATÉ CEGO ENXERGAR
Um bordel com funk é como se fosse um ritual intimidador de alguma tribo de canibais. Após tantas doses de uísque, eu sentia dificuldade para fixar os olhos. Fiquei encolhido em um canto e pedi uma água mineral para tentar rebater o pileque, foi quando eu vi uma morena muito bronzeada, com cabelos de cachos longos escorrendo até as costas e emoldurada por um biquíni amarelo cavadíssimo. Em um primeiro olhar, lembrou-me muito uma das divas da minha juventude, a Magda Cotrofe.

Fiquei secando a mulher, sabia que ela não iria durar muito tempo no salão. Finalmente, depois de uns dez minutos, nossos olhares se cruzaram. E que olhar que a morena tem. Encarei firme, ela sorriu e se aproximou.
— Está sozinho, amor? — ela me pergunta.
— Sempre sozinho — respondo.
— Posso te fazer companhia?
— Deve.
Ela me pediu uma vodka, que paguei sem hesitação. Mandei a primeira pergunta da minha entrevista básica e essencial antes do abate.
— Você beija? — inquiri.
Acredite, forista sem fé. A mulher não quis responder com palavras e enfiou a língua na minha boca com voracidade só comparada com um exame de endoscopia. Fiquei sem ar. Que beijo, que beijo... Lamento por quem não não experimentou. A atitude desprendida da menina e o beijo endoscópico foram suficientes para me convencer. Alcova.
— Qual seu nome? — Pergunto.
— Lídia. E o seu?
— Dante, me chamo Dante.
Subimos. O quarto é o padrão da Up House, ou seja, uma porcaria. A mulher, porém, fugia aos padrões médios, uma top rara de se ver hoje em dia. Lídia veio para cima com vontade de nocaute no primeiro round, me beijou muito, roçou-se perigosamente em mim, pegava no meu combalido pênis, iniciava a punheta, jogou-me na cama e me engoliu.
Quando meu corpo despencou no colchão, tive receio de nunca mais conseguir levantar dali. A gravidade parecia ter duplicado a pressão atmosférica, não conseguia me mexer, mas meu pau dava sinais de movimento dentro da boca de Lídia. Não sei que técnica ela usou, mas me veio o pressentimento da erupção, senti a seiva subindo e gozei três engradados de leite na boca da menina. Foi muito rápido diante do preço que eu pagaria no caixa ao sair.
— Já?! — diz Lídia.
— Pois é. Muito tempo sem transar dá nisso — respondi com a primeira cascata que me surgiu.
Quando saí da boate, reparei que o céu clareava. Detesto voltar para casa com o sol na cara. Sinalizei para um táxi.
— Pra onde, Dotô?
— Bucólica Tijuca.
O motorista acelerou, cochilei derrotado pelo cansaço e é possível que Gisele tenha me confortado nos sonhos.