05 de Julho de 2025 às 20:53
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO

Aconteceu no início do ano, mas só agora — meses depois — eu consegui juntar coragem (ou fraqueza) pra escrever. Não foi por falta de memória, ao contrário: cada detalhe daquela noite grudou na minha pele como um cheiro que não sai, por mais que a gente esfregue.

Eu demorei a relatar porque sabia que, ao fazer isso, ia ter que admitir coisas que preferia fingir que não eram minhas. Ia ter que dar nome ao vexame. Ia ter que aceitar que, de todas as transações que já paguei na vida, essa foi a única que me custou algo que não tem volta.

Eu sabia que estava fodido antes mesmo de ler o nome dela na tela. Bastaram duas fotos — aquele sorriso que parece brincadeira e sentença ao mesmo tempo — pra eu entender que não haveria fuga. Passei semanas tentando racionalizar o desejo, ensaiando justificativas ridículas pra mim mesmo: é só curiosidade, é só carência, é só sexo. Mentiras frágeis como papel molhado.
Quando finalmente marquei, foi como assinar um atestado público de rendição. Eu sabia que, ao atravessar aquela porta, não voltaria inteiro. Talvez nunca mais voltasse.

O corredor até o quarto parecia longo de propósito, como se tudo ali quisesse que eu desistisse. Mas eu não desisti. Quando ela surgiu, foi como se o resto do mundo tivesse ficado mudo. O sorriso que me recebeu não era convite — era epitáfio. Ali estava ela: tatuagens que pareciam recados secretos, cabelo negro como um presságio ruim, o figurino de anti-heroína saída de um delírio nerd. Juhly Zombie. O nome soava como uma piada privada que só ela entendia — e que eu jamais decifraria.

O apartamento era um refúgio de outro planeta. Um santuário nerd cheio de referências que eu não ouso descrever, porque seria como invadir a infância de alguém que envelheceu depressa demais. Tudo ali dizia que ela era maior do que qualquer história que eu pudesse inventar sobre nós dois.
A primeira coisa que me atingiu foi o cheiro — perfume doce e qualquer coisa íntima que me desmontou. Ela fechou a porta devagar, como se soubesse que ali dentro eu perderia qualquer defesa.
Ela não teve pressa. Tocou meu rosto como quem confere se o outro é real, e disse meu nome num tom que não combinava com aquele cenário. Não era o afeto automático que tantas vezes comprei. Era cuidado. Ou a ilusão perfeita dele.

Conversamos sobre filmes B, sobre mangás, sobre como é ser “diferente” num mundo que só tolera quem se conforma. Eu ouvi tudo como quem ouve um presságio ruim. Me senti ridículo de tão vulnerável. Me senti — e esse foi o problema — vivo.
O beijo foi lento. Longo. E por uns segundos eu me permiti acreditar que não era só programa. O corpo dela se encaixava no meu com uma naturalidade obscena. Como se tivesse me esperado a vida inteira só pra provar que eu não tinha saída.

Quando ela tirou a blusa, revelando o peito coberto de tinta e história, eu entendi que nunca teria aquilo. Aquela liberdade desenhada na pele. Aquele jeito de quem é inteira mesmo quando finge não ser.
O sexo aconteceu como acontece quando dois estranhos decidem fingir pertencimento por uma hora. Foi intenso, foi sujo, foi bonito. Mas o que ficou não foi isso. Foi o silêncio depois. Ela deitou no meu peito, os cabelos negros espalhados, e ficou passando o dedo nas linhas da minha mão como se buscasse uma promessa que eu nunca poderia cumprir.

Ali eu soube que estava condenado. Não por ela. Mas por tudo que ela representava: a fantasia, o afeto comprado, a miragem de ser desejado por quem jamais vai te desejar de volta.
Antes de sair, ela me abraçou com força — e foi esse abraço, e não o sexo, que me custou tão caro. Sussurrou que eu podia voltar quando quisesse. Eu agradeci, fingindo calma. Mas por dentro, eu já era só ruína.

Demorei todos esses meses pra escrever porque não queria admitir que nenhuma outra mulher cabe agora na minha fantasia sem que o fantasma dela me encare da beira da cama.
Talvez seja só carência. Talvez seja só mais um delírio de um homem gasto. Mas é o que sobrou. E eu não tenho mais energia pra fingir que não importa.

Porque algumas mulheres não são passagem. São cicatriz.

https://youtu.be/blQIE1E8emk

E como diz a música...

"Forever falling in
Forever falling out
Love is just a drug
That I can't live without
Forever falling I'm
In and out of love
You are just a drug
And I can't get enough".