BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
SIM
O escapamento cospe um bafo quente na madrugada enquanto eu deslizo pelas avenidas vazias, meio cavaleiro, meio vadio — e eis que vejo.
Ali, encostada num poste que parecia mais seu trono improvisado do que parte da calçada, estava ela. Magrinha como um devaneio, cor de café com leite, olhar grande demais para ser só olhar — aquilo era convite, era isca. Tive a impressão ridícula de que ela piscou só para mim, como se pressentisse que eu vinha naquela moto movido por tesão e uma curiosidade perigosa.
O Dom Quixote desceu do cavalo de ferro. E soube, no exato segundo em que ela sorriu, que aquela batalha eu ia perder com gosto.
Luiza. Só de escrever o nome já sinto aquele arrepio específico que denuncia quando a carne e o acaso conspiram para te arrancar do tédio. Magrinha — mas não se engane pela carcaça de fragilidade.
A novinha tinha a fome de uma mulher que parece ter nascido para desmentir qualquer estatística de que experiência só vem com idade. Pele da cor perfeita de um café com leite cremoso, que dava vontade de passar a língua só para conferir se o sabor combinava com o tom.
Os olhos eram grandes demais pro meu próprio bem. Tinha aquela maldita expressão de curiosidade misturada com ternura, como quem pergunta silenciosamente se você vai mesmo ter coragem de estragar a inocência que ela finge ostentar. Finge — porque bastou o primeiro toque para perceber que ali não havia ingenuidade nenhuma. Havia perícia.
Apertada como um segredo sujo, quente como uma maldição boa. Me senti, por um instante glorioso, o primeiro homem que ela decidira devorar. Tudo nela era um convite — a boca carnuda, o quadril estreito que ainda assim encaixava como se meu corpo fosse uma peça de reposição fabricada sob medida.
E se eu fosse um pouco menos lúcido — se não tivesse aprendido que paixão em alcova alugada é truque barato de sobrevivência — teria me apaixonado sem cerimônia.
Mas não sou cínico o bastante para fingir que não me abalou. Luiza foi a foda mais saborosa de um calendário inteiro de aventuras que eu julgava previsíveis. Aquela novinha me fez redescobrir o prazer de se perder na ilusão, mesmo sabendo que, na saída, a rua fria e as demais moças nas calçadas, esperam para lembrar que nada daquilo é meu.
E, honestamente, tudo bem. Porque se a vida é feita de momentos que justificam a existência, Luiza foi o meu ponto alto em muito tempo — a prova de que a luxúria, às vezes, vem embrulhada num corpo pequeno com olhar de menina e talento de mulher que não tem piedade de quem cruza seu caminho.