
O Bar do Zezé... Fiquei surpreso quando confirmei que não há nenhum tópico (será que não há mesmo?) sobre este amado e renomado recanto da rua Álvaro Alvim, que se tornou um puxadinho do GPArena, sua sede informal. Porém, não se pode falar do Bar do Zezé sem citar o estimado forista Wolfgang, ele inaugurou o Zezé para o Arena, ele insistiu com sua presença naquele breve território boêmio, quantas vezes o encontrei com seu inseparável copinho de cerveja. Sozinho, acompanhado, sob Sol, sob chuva, o nosso Wolf estava lá, firme como um busto em bronze, homenageando o melhor da vida. Agora, sou eu que o homenageio.
Como muitos escritores, me cansa falar muito, beiro um comportamento antissocial, cerveja me enjoa (sou mais chegado ao uísque) e tenho tendência à melancolia. No Zezé, a minha rabugice desaparece, me sinto bem, aquela interação descompromissada com outros foristas serve como renovação do espírito, ver o Wolf como um grande irmão de todos me faz admirá-lo. Sem o Wolf, não existiria o Zezé para o Arena, ele é o grande “causeur”, como se diz em francês, é o boêmio no seu estado mais puro. Em todos esses anos de fórum, nunca me deparei com um boêmio tão original como o Wolf, ele faz parte da cepa mais genuína da classe. Eu me considero um boêmio, mas sou de outro tipo, não tenho a legitimidade do Wolf, carrego essas tendências antissociais que citei e estou longe de ser um bom papo.
Não à toa, a recente resenha oficial do Arena no Bar do Zezé foi um absoluto sucesso. E aqui faço um reconhecimento, o sucesso do Arena está ligado inquestionavelmente ao sucesso que o Wolf deu ao Zezé dentro do Arena. Não sou de frequentá-lo muito, estou cada vez mais recluso na bucólica Tijuca, mas sei que é o local onde posso encontrar os melhores abraços.
Ontem, final da tarde, após um encontro magnífico com uma mulher maravilhosa, fui andar à esmo pelo Centro. Caminhei até a Praça Tiradentes e decidi visitar o Real Gabinete de Leitura, onde há tempos eu não pisava. O Real Gabinete é como uma igreja para mim, é onde recito minhas orações para Machado de Assis, gênio que o frequentava com assiduidade e que lá escreveu parte da sua obra. É um lugar de paz e de adoração aos livros. Saí um pouco mais leve da visita, mas ainda sem rumo.
Não nego, estou em uma fase de certo desencanto, de desânimo mesmo, mas tento resistir às ondas de erosão da alma me agarrando às boias que flutuam no meio deste oceano obscuro que é a vida. Quando alcancei o Largo da Carioca, lembrei-me, não de uma boia, mas de uma ilha que acolhe com carinho náufragos como eu: o Bar do Zezé.
Encontro Wolf (óbvio), Barbosinha, Lúcifer, Washington Reis (um garoto que escapou de uma creche em Caxias), Lyon, Harry Larissa, Fernanda Zuckie e provavelmente outros que me escapam à lembrança. Fui abraçado, saudado, beijado... como não sentir um pequeno pedacinho da felicidade diante de tudo isso? Se a alma do homem é intangível, no Bar do Zezé ela se manifesta pelo amor daqueles que o frequentam. Sempre que passo por lá, lembro-me de um filme especial do Hugo Carvana, chama-se Bar Esperança. Assistam.
Aldir Blanc, meu vizinho tijucano, dizia que “o boteco é o último reduto da palavra” e no Zezé é o Wolf que carrega a palavra como quem levasse a Tocha Olímpica, um farol que nos ajuda a aportar em segurança.
Não seria exagero afirmar que o Bar do Zezé se tornou a sede física do Arena, é onde o virtual se torna real, onde as pessoas ganham pele, textura, rosto e calor humano. No Bar do Zezé não existe administrador, é uma anarquia deliciosa onde todos se realizam na admiração mútua.
Um pouco antes de me despedir, duas pessoas tiveram sensibilidade diferenciada comigo, a bela Sheron, que perguntou como eu estava me sentindo (acho lindo quando alguém nos percebe) e o camarada Wolf, que notou a minha presença ausente na mesa. Vai passar.
Foi no Bar do Zezé que encontrei tudo que eu precisava ontem, foi ótimo rever velhos foristas, conhecer novos, falar com as meninas e confraternizar com todos. Viva o Bar do Zezé, onde o Arena é real.



