O verdadeiro nome do amor é cativeiro.
—William Shakespeare
Atravessando as fronteiras da meia-idade, o aniversário do libertino exige uma escolhida. A jornada foi longa até aqui, mas me soa estranho que a minha mente permaneça jovem quando o corpo já começa a manifestar os cansaços da caminhada. Nos fóruns, venho de décadas atrás, tenho uma história e apenas alguns hiatos de ausência. Antes de começar a escrever aqui, eu estava afastado há cerca de dois anos e me surpreendeu recuperar o brilho do meu nick em um espaço onde a maioria dos foristas é estreante. Já criei laços de afeto com os bons, despertei ódios e recalques nos sem talento. Mesmo sendo um noturno misantropo, nunca passei despercebido. Minha natureza é a luz.
O avançar de mais um ano se aproxima nas contas dos grãos da ampulheta, na próxima semana comemorarei nova idade. Sou geminiano e dizem que geminianos possuem facilidade de comunicação, o que declaro é que sou um orador medíocre, mas um escritor talentoso. Na nova idade que irei alçar, pretendo tentar me reunir com um grupo seleto aqui do Arena, caso me seja possível.
O que planejo realmente é ter um encontro com uma companhia feminina que possa marcar a memória. Nesses anos vividos, conheci muitas mulheres, poucas me impressionaram e me dei conta do quanto o amor foi um sentimento escasso na minha existência. Desde jovem entendi o amor como ilusão, mas aprendi que não adianta somente conhecer a essência de um sentimento para conseguir controlá-lo. Foi pela sorte que escapei das paixões românticas na maioria das vezes em que ela me rondou.
Muito mais velho agora, ainda solteiro e sem filhos, digo que o amor está me rondando novamente. Hoje, no entanto, só poderia me unir a uma mulher que concordasse com uma relação liberal, que aceitasse viver a vida libertina junto comigo, que apreciasse fantasias e que não se assustasse com a novidade da minha simpatia pelo voyerismo. Quem me lê, pode pensar que é fácil encontrar uma mulher com esse perfil, não é. Cultivar uma relação liberal não significa abrir mão da lealdade e mulheres libertinas não costumam ser leais aos parceiros, são raras as que valorizam a lealdade como virtude, raríssimas. O amor libertino nunca é fácil.
Na minha biografia, não foi incomum receber mensagens de meninas me pedindo relatos em troca do programa ou de algum desconto, geralmente são garotas que estão começando ou que não têm visibilidade. Querem divulgação nos fóruns. Acredito que outros foristas também recebam mensagens assim. Eu recebi. Acredite, forista sem fé, nunca aceitei fazer escambo. Não me interessa. Sou um homem movido pelo entusiasmo, não pelas ofertas suspeitas.
Por outro lado, uma mulher que me incendeie sempre terá o privilégio de ser retratada pela precisão quimérica das minhas letras e mesmo que a narrativa se repita por diversas ocasiões em seu tópico, nunca será redundante. A paixão nos permite renovar os mergulhos, atingir as camadas mais profundas do oceano da alma e avistar tesouros que não foram descobertos antes.
A conclusão é que este velho escriba está dando sinais de paixão por uma mulher improvável, fato que há anos não experimento. Tenho a consciência de que tudo pode ser miragem, mas às vezes a imaginação nos arrebata como um redemoinho, nos tonteia, nos engole na força do desejo de sintonizar com a parceira perfeita. O coração surrado deste vetusto libertino, que é protegido como uma fortaleza medieval e rodeado por um fosso intransponível, está descendo a ponte e permitindo que flechas e tochas embebidas em romance e devaneios o atinjam.
Depois de um período turbulento, traumatizante e de muitas tristezas nos últimos dois anos, senti uma inesperada alegria em dias recentes, alegria que surge junto com a data do meu aniversário. Semana que vem escolherei a mulher especial, que possa me proporcionar um dia inesquecível, momentos de pegação sem restrições e minutos ardentes de desvario. Não me interessa saber se será um relato repetido ou inédito, o velho Dante quer viver algumas horas de êxtase, euforia e cumplicidade no marco do seu próprio Ano-Novo. De preferência, com a mulher que cativou este meu castigado coração mundano. A idade já me permite amar sem amarras e o tempo anuncia que mereço um encontro cinematográfico.
Aguardem o TD Especial da Terceira Idade.
#Libertine-se


