05 de Julho de 2025 às 19:45
BEIJO

NãO

ORAL

SIM - COM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

Ela atendia pelo nome que só poderia ter saído de um deboche: Bombom.
No 315, ninguém se iludia que houvesse doçura.
Era apenas convenção de catálogo, como se a palavra bastasse para dourar a crueldade de saber que, entre aquelas paredes descascadas, a ternura era um luxo extinto.

Não havia nada de doce naquela mulher.
Ela era um monumento de indiferença, esculpido na forma de um corpo que parecia ter sido desenhado exclusivamente para humilhar quem ousasse desejar.

Eu a vi antes de qualquer palavra.
Ela estava recostada no sofá, as pernas cruzadas num ângulo que tornava inevitável pensar em rendição.
Quando levantou o rosto, percebi de imediato que não haveria lugar nenhum ali para me abrigar.
Sequer curiosidade.
Apenas aquele olhar inerte, treinado para atravessar homens até que se cansassem de existir.

No quarto, tudo nela funcionava com uma precisão quase científica.
Cada gesto tinha a frieza de quem sabe exatamente quanto vale cada minuto de performance.
Ela me despiu sem cerimônia e começou a me conduzir como se eu fosse só mais um corpo anônimo no inventário dela — e, de fato, eu era.
Enquanto me movia, sua expressão não se alterava.
Nem prazer, nem tédio, apenas nada.

Talvez seja isso que tenha me desarmado:
a evidência nua de que eu não tinha qualquer importância.
De que todo o enredo sentimental que eu carregava nos ombros — essa ânsia por significado, por algum brilho de humanidade — era só uma superstição particular.
Ela não precisava acreditar nisso para continuar sendo a criatura mais fascinante que já vi.

Quando terminou, recolheu a camisinha e estendeu um lenço de papel com o mesmo cuidado impessoal que se tem ao fechar uma embalagem.
O gesto foi tão limpo que quase me pareceu respeitoso.
Era como se dissesse:
“Está acabado. Você pagou pelo seu instante. Agora vá.”

Eu fui.
Nunca mais voltei.
Mas desde então carrego a impressão incômoda de que Bombom talvez seja a forma final da liberdade:
não sentir nada.
Nem por si, nem por ninguém.